segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Ah, poder ser tu, sendo eu!"


Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
...
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa

Dossier África - "Tamikrest"

Um grupo do Mali

Um assassinato em massa!

domingo, 30 de maio de 2010

Petição - "Demande de soutien international du Chef Raoni et des représentants des peuples indigènes du Xingù (Brésil) contre le projet Belo Monte"



Nous, peuple indigène du Xingù, ne voulons pas de Belo Monte. Nous, peuple indigène du Xingù, luttons pour notre peuple, pour notre terre mais aussi pour l'avenir de la planète. Le président Lula a déclaré qu'il était inquiet pour les Indiens, qu'il était préoccupé par l'Amazonie et qu'il ne voulait pas que des ONG internationales s'opposent au barrage de Belo Monte. Nous ne sommes pas des ONG internationales. Nous, les 62 leaders indigènes des villages de Bacajâ, Mrotidjam, Kararaô, Terra-Wanga, Boa Vista Km 17, Tukamâ, Kapoto, Moikarako, Aykre, Kiketrum, Potikro, Tukaia, Mentutire, Omekrankum, Cakamkubem et Pokaimone, avons déjà subi de nombreuses invasions et affronté de nombreux dangers.

Lorsque les Portugais sont arrivés au Brésil, nous, les Indiens, étions déjà là ; beaucoup sont morts, beaucoup ont perdu leurs vastes territoires, la plupart de leurs droits, beaucoup ont perdu une partie de leur culture et d'autres groupes ont totalement disparu.

La forêt est notre épicerie, la rivière notre marché. Nous ne voulons pas que les cours d'eau du Xingù soient envahis et que nos villages et nos enfants, qui seront élevés selon nos coutumes, soient en danger. Nous ne voulons pas du barrage hydroélectrique de Belo Monte car nous savons qu'il n'apportera que destruction. Nous ne pensons pas qu'au seul niveau local, mais à toutes les conséquences destructrices de ce barrage : il attirera encore plus d'entreprises, plus de fermes, il favorisera l'invasion de nos terres, les conflits et même la construction de nouveaux barrages. Si l'homme blanc continue ainsi, tout sera très vite anéanti. Nous nous demandons : « qu'est-ce que le gouvernement veut de plus ? Qu'apportera de bon tant d'énergie après tant de destruction ? »

Nous avons déjà organisé de nombreuses réunions et avons participé à de grandes rencontres pour nous opposer au complexe de Belo Monte, comme en 1989 et en 2008 à Altamira, et en 2009 dans le village de Piaraçu où beaucoup de nos leaders étaient présents. Nous avons déjà personnellement parlé avec le président Lula pour le convaincre que nous ne voulions pas de ce barrage et il nous a promis qu'il ne nous serait pas imposé. Nous avons également discuté personnellement avec Eletronorte et Eletrobrâs, avec la Funai et Ibama. Nous avons déjà prévenu le gouvernement que si la construction du barrage avait lieu, la guerre serait déclarée et il en porterait la responsabilité. Le gouvernement n'a pas compris notre message et, une fois de plus, a nargué les peuples indigènes, assurant qu'il construirait le barrage coûte que coûte. Lorsque le président Lula a dit ceci, il a démontré qu'il ne tenait aucun compte de la parole des peuples indigènes et qu'il ne reconnaissait pas nos droits. Son manque de respect l'a conduit à planifier l'appel d'offres pour le Belo Monte durant la Semaine des peuples indigènes.

En raison de tout ceci, nous, les Indiens de la région du Xingù, avons invité James Cameron et son équipe, des représentants du Movimento Xingù para Sempre (ainsi que le mouvement des femmes, ISA et CIMI, AmazonWatch et d'autres organisations). Nous voulons qu'ils nous aident à transmettre notre message au monde entier et aux Brésiliens eux-mêmes qui ne savent pas encore ce qui se passe dans le Xingu, Nous les avons invités car nous savons qu'il y a beaucoup de gens au Brésil et ailleurs qui veulent nous aider à protéger nos droits et nos territoires. Ceux-ci sont bienvenus parmi nous.

Nous luttons pour notre peuple, pour nos terres, pour nos forêts, pour nos rivières, pour nos enfants et à la gloire de nos ancêtres. Nous luttons également pour l'avenir du monde, car nous savons que ces forêts sont autant bénéfiques aux peuples indigènes qu'à la société brésilienne et au monde entier. Nous savons aussi que sans ces forêts, beaucoup de gens souffriront, beaucoup plus que de toutes les destructions qui ont eu lieu par le passé. Tout vie est interconnectée, comme le sang qui unit les familles. Le monde entier doit savoir ce qui se passe ici, il doit se rendre compte à quel point la destruction des forêts et des peuples indigènes signifie sa propre destruction. C'est pour ces raisons que nous ne voulons pas de Belo Monte. Ce barrage signifie la destruction de notre peuple.

Premiers signataires de la pétition

En conclusion, nous proclamons que nous sommes décidés, que nous sommes forts, que nous sommes prêts à nous battre et que nous nous souvenons des termes de la lettre qu'un Indien d'Amérique du Nord avait jadis envoyé à son président : « C'est seulement lorsque l'homme blanc aura détruit la forêt entière, lorsqu'il aura tué tous les poissons et tous les animaux et aura asséché toutes les rivières qu'il s'apercevra que personne ne peut manger l'argent ».

Cacique Bet Kamati Kayapô, Cacique Raoni Kayapô et Yakareti Juruna

Assinem!

Grandes actores - Dennis Hopper (O Cinema está de luto!)



Filme recomendado - "O segredo dos seus olhos"



Realizador: Juan José Campanella

Livro Recomendado - "O MAR QUE A GENTE FAZ"

Curiosidades da língua portuguesa - "Fazer Espécie"

Fazer Espécie

Significado: Causar estranheza, impressão ou confusão; fazer desconfiar.

Origem: Segundo o dicionário Priberam, espécie é um conjunto de indivíduos de igual natureza ou essência, que oferecem caracteres comuns pelos quais se distinguem dos outros grupos de indivíduos pertencentes ao mesmo género.

"The State of the World's Human Rights"

300.000!


quinta-feira, 27 de maio de 2010

"País vive a pior situação desde 25 de abril"

Cinema - Clássicos - "To Have and Have Not"


Realização de Howard Hawks

Petição - "Herl Burl"

Os G8 encontram-se no Canadá em Junho. A maioria deles cancelou as dívidas e aumentou
o apoio a África. Foi uma ajuda para 42 milhões de crianças irem à escola e tratamento para a Sida para cerca de 3 milhões de pessoas.

Um homem só não fez nada. Na verdade, o 1º Ministro Berlusconi está a fazer menos do que estava a fazer há cinco anos.

O Sr. Berlusconi deve deixar o G8.

Assinem!

A Polícia e o Exército do Botswana entraram hoje na reserva dos Bushman

Botswana army and police enter Bushman reserve today

Sites a não perder 46 - "The Maze Inn"

Não é pelo site em si. É pelo projecto. Muito interessante.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"Paper Dreams"

Lindo!!!!!!

Paper Dreams from Kenneth Onulak on Vimeo.

Assim vai a Europa: Grécia

Vale a pena ver esta intervenção do deputado europeu Daniel Cohn-Bendit sobre o que se pode e não pode fazer na Europa.

Assim vai a Europa: Bélgica

Bienvenue en république soviétique de Flandre ! - um artigo de Luckas Vander Taelen para o De Standaard

Espectáculo evocativo da acção da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos"


Amanhã no Cinema S. Jorge em Lisboa, às 21:00 horas - CNSPP

"José Mendes Cabeçadas e a República no Algarve"


Vai estar patente ao público de 25 de Maio a 27 de Novembro, no Convento de Santo António, em Loulé, a Exposição José Mendes Cabeçadas e a República no Algarve, dedicada ao primeiro estadista português nascido em Loulé.

Esta exposição, integrada na iniciativa pioneira da Rede de Museus do Algarve Algarve - Do Reino à Região e no programa de comemorações do Centenário da República no Concelho de Loulé, tenta mostrar que Mendes Cabeçadas não foi somente o militar, embora essa fosse claramente a sua vertente visível.

Ele envolveu-se na política, nos negócios, civicamente empenhado, regionalista e opositor ao regime salazarista.

Horário

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma taxa sobre as transacções financeiras em proveito dos povos e do planeta!


Aos membros do G-20:

O sistema financeiro é responsável pela crise económica actual. O crescimento exponencial deste sector, concentrado na realização de proveitos especulativos de curto prazo, gerou uma economia de casino. Com a explosão da última bolha especulativa, milhões de mulheres e homens perderam os seus empregos. Em todo o mundo, há gente a mergulhar na pobreza e há mais cem milhões de pessoas a passar fome.

Haveis mobilizado centenas de biliões de dólares para salvar os bancos e o sistema financeiro. Mas não respondeis às crises sociais e ecológicas com a vontade política e os recursos financeiros indispensáveis.

As multinacionais do sector financeiro beneficiaram durante décadas da ausência de regulação efectiva e são largamente responsáveis pela crise. É tempo de pagarem a sua quota-parte dos custos da retoma. Uma taxa sobre as transacções financeiras seria para isso o instrumento mais eficaz. A aplicação desta taxa permitiria:

# Obter os fundos necessários para pagar os custos sociais da crise, para financiar no plano mundial bens e serviços públicos como a saúde ou a luta contra a pobreza e o combate às alterações climáticas.

# Contribuir para uma maior estabilidade do sistema financeiro, reduzindo a especulação e a liquidez excessiva.


Assinem!

domingo, 23 de maio de 2010

Festival de Cannes 2010

Disco recomendado - Thelonius Monk - "Round Midnight"

World Press Cartoons 32 - 2010 - Kurtu

Sem Título - Cartoon de Kurtu

Hank Jones





Hank Jones

"Generocídio"


Mortas, vítimas de aborto ou de abandono, 100 milhões de meninas desapareceram, sobretudo no Oriente. E o número está a aumentar.

Um artigo do The Economist

Sites a não perder 45 - "memoriando..."

Este site é a face dum arquivo desenvolvido pela Associação Memoriando. Queremos assim criar uma ligação ao exterior e mostrar a nossa memória. Aqui, vamos reunir documentos que contam a história duma organização de luta anti-fascista. É um projecto que pretende estabelecer pontes para o futuro, salvaguardando um passado ainda por descrever, com o objectivo de sistematizar e recuperar informação. Um grupo de antigos responsáveis das Brigadas Revolucionárias (BR) e do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), resolveram juntar todas as peças possíveis da memória destas organizações e da sua experiência histórica. Entendemos que é uma experiência suficientemente rica e importante para não ficar perdida ou diluída. A memória individual ou de grupo na História contemporânea constitui um instrumento de identificação duma época.

"Beijo"

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena

"America's history of Terrorism"


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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Os novos Heróis


Quem não recebeu 2 ou 3 telefonemas, 2 ou 3 cartas de um banco nos últimos 2 anos a oferecer serviços?

Uma conta-ordenado por um plasma, um computador ou uma aparelhagem?

Um cartão de crédito com os melhores juros do país e sem anuidade?

Uma viagem de sorteio?

Tudo aquilo com que sonhou?

Pois. São os heróis de agora. Os que dizem que o dinheiro acabou e que ofereceram, ao preço da chuva, os sonhos de uma vida. Àqueles que sonham por um sonho de uma vida!

Os novos heróis! Uns dos principais responsáveis do estado do país.
Parece que vieram de fora. Vêm dar lições de moral e de economia.
Os gatunos de luvas brancas que querem ser inocentes.

"Os ombros suportam o mundo"


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drumond de Andrade

Tão amigos que nós somos!

Pablo Picasso - Uma biografia 6

É preciso investigar as violações dos Direitos Humanos no Sri Lanka

Petição - "Pelo vínculo efectivo de trabalho"


Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia a República

Em Portugal existe uma verdadeira praga de recibos verdes, de contratos a termo ilegais e de contratos de trabalho temporário usados de forma abusiva, em clara violação da lei. Há cerca de 1 milhão e 400 mil pessoas com vínculos de trabalho precário, com salários de miséria e, na sua maioria ilegais, uma vez que a maior parte destes trabalhadores desempenha funções de carácter permanente e indispensáveis nas empresas e serviços da Administração Pública e, no caso dos recibos verdes, em condições que indiciam a existência de verdadeiros contratos de trabalho por conta de outrem.

Esta situação resulta, em boa parte, da ineficácia do Estado e particularmente da Inspecção do Trabalho, que não desempenham a sua missão de fazer cumprir as leis do trabalho. Por esta razão, os vínculos laborais precários, tidos pela lei como um regime de excepção, transformaram-se ilegalmente numa regra que atinge mais de 50% dos jovens até aos 24 anos. As novas gerações, que são o futuro do nosso país, vivem a angústia de não saber se amanhã terão emprego, alternando constantemente entre o trabalho precário e o desemprego, numa situação de permanente instabilidade que não lhes permite organizar com segurança nem a sua vida profissional nem a sua vida pessoal e familiar. É tempo de mudar e de pôr fim à ilegalidade! Assim, ao abrigo do direito de petição previsto na Lei nº43/90, de 10 de Agosto, os abaixo-assinados solicitam:

PARA UM POSTO DE TRABALHO PERMANENTE
UM VÍNCULO DE TRABALHO EFECTIVO!

Assinem!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Assim vai a Europa: Baltasar Garzón

"Justiças - Pena de morte e tortura"

na Círculo das Letras

Gaza

Festas de Lisboa 2010

590.000


O desemprego atingiu 590.000 pessoas. Mais 100.000 num só ano

Não há dúvida que os portugueses são muito preguiçosos. Obrigam os patrões a fechar as empresas para poderem aceder ao subsídio de desemprego. As medidas do governo são pouco duras. O subsídio devia ser só 10% e não 75%.

Ian Curtis - 30 anos





Ian Curtis

Óscares - a história dos melhores filmes em posters - 1945



The Lost Weekend - Realização de Billy Wilder

Prémios Pulitzer de Fotogafia - 1971

Tiroteo na Universidade de Kent - Foto de John Filo

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Grandes Fotógrafos - Man Ray - 1

Noam Chomsky impedido de entrar em Israel

Noam Chomsky denied entry into Israel and West Bank

Casamento entre pessoas do mesmo sexo foi promulgado

Não gosta mas promulga.

Se gostasse não era normal. Diz que com esta promulgação não quer desviar os portugueses dos "verdadeiros" problemas. Como se este não fosse um problema real de muitos portugueses.
obia
Mesmo assim, considero uma posição positiva. Não gosto de Cavaco Silva mas demonstrou sentido de Estado. Também penso... que não valia a pena criar uma fractura que não levaria a nada.

Uma boa forma de assinalar o Dia Internacional contra a Homofobia.

Dia Mundial contra a Homofobia

domingo, 16 de maio de 2010

"Operário em construção"

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução

Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.

Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção

Vinicius de Moraes