quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sakineh Mohammadi Ashtiani

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, viúva, dois filhos, condenada à morte na República Islâmica do Irão. Condenada à morte pela República Islâmica do Irão. Condenada à morte por viver numa República Islâmica, com base nisso a que se dá o nome de “lei islâmica” e que na declinação iraniana decreta que as mulheres acusadas de relações sexuais “fora do casamento” devem ser lapidadas. Mortas à pedrada. Com pedras do tamanho certo para que a morte seja lenta e atroz, para que a mulher enterrada até ao rosto possa sobreviver a dezenas de golpes enquanto à sua volta a turba faz pontaria e se congratula com “a vontade de deus”.

Mais de uma centena de pessoas foram assim executadas no Irão nos últimos anos, quase todas mulheres, quase todas por “adultério”. Há pelo menos 15 neste momento a aguardar execução. A outras foi à última hora comutada a pena, de lapidação para enforcamento. Houve alegações nesse sentido por parte das autoridades iranianas: esta mulher iria afinal ser enforcada. A morte, menos atroz, menos bárbara. Mas a morte.

Quarta-feira, 25, o tribunal reuniu mas parece não ter chegado a uma conclusão. Entretanto, as agências de direitos humanos denunciam que nos últimos meses houve centenas de enforcamentos no Irão e que estão milhares de pessoas no corredor da morte. Pelo menos 135 são menores. Os crimes em causa vão do homicídio à homossexualidade, mas também presos políticos têm sido executados. Em Dezembro de 2009, o Irão opôs-se a uma resolução da Assembleia da ONU que propunha a suspensão das execuções.

Sim, morre muita gente todos os dias. Morre muita gente executada, muita gente torturada, e não só no Irão. Gente condenada por regimes iníquos a nem sequer ter nome num túmulo. Gente cujo rosto nunca veremos, nunca fará cartazes, nunca povoará manifestações à volta do mundo. Sim, é assim. Tantas as tragédias, tantas as vidas à mercê, tanto o terror, a injustiça, a barbárie, tantas as celas escuras onde se tortura e mata, tantos os gritos e as lágrimas e as súplicas de que nunca saberemos e de que talvez não queiramos saber, tanto tanto por fazer, por acudir e nós sem sabermos como.

Sim, precisamos talvez de uma ocasião assim, de uma causa assim, de um nome e um rosto para nos sentirmos justos e capazes, para sentir que não somos indiferentes. Precisamos de Sakineh como ela de nós.

Precisamos de te dizer isto, Sakineh: que, dependa de nós, e a nossa voz, o nosso não, a nossa fúria, a nossa vontade e exigência moverão as montanhas que nos separam e os poderes que te condenaram, moverão até os deuses, se deuses houver para mover.

Vamos fazer de Lisboa uma das 103 cidades que no sábado, 28 de Agosto, da Austrália à Finlândia, do Brasil ao Iraque, da Turquia à Índia, se unem em resposta ao apelo do International Committee Against Execution (http://notonemoreexecution.org/100-cities-against-stoning), num protesto global contra a lapidação e a pena de morte, e apelando pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani. É às 18 horas, no Largo Camões. Contamos todos.

"Little Big Berlin"

Little Big Berlin from pilpop on Vimeo.

O Teatro está de luto

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Curiosidades da língua portuguesa - "Dar o nó"

Dar o nó

Significado: Casar.

Origem: Como os vínculos do matrimónio católico, além de indissolúveis, eram e são perpétuos, quando se diz que alguém deu um nó significa que se casou.
Na Índia, o nó era explícito, pois era costume dar um nó nas caudas das roupas da noiva e do noivo.

100 anos de Hollywood - 5 - "United Artists"

Sites a não perder 48 - "WikiLeaks"


Dossier África - "Lesotho's people plead with South Africa to annex their troubled country"

Há vozes que se levantam no Lesoto a pedir a integração na África do Sul

Um artigo de Alex Duval Smith para o The Guardian

World Press Cartoons 36 - 2010 - Cau Gomez


A Tarde de Cau Gomez

World Press Photo - 1994 - James Nachtwey


Foto de James Nachtwey

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"O 'offshore' da liberdade de imprensa"

A crise financeira islandesa criou condições para ser debatida uma lei pioneira em matéria de liberdade de expressão, eliminando entraves à divulgação de informações sensíveis ou reservadas.

Um artigo de Óscar Gutiérrez no El País

"V"


V

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas?
Sei lá o que é mistério!

O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

«Constituição íntima das coisas»...
«Sentido íntimo do Universo»...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo dos coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me: Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;

Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê.
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

(Athena, nº 4, Janeiro de 1925)

Alberto Caeiro - Fernando Pessoa

Disco Recomendado - "Inside Out"

Livro Recomendado - "Sobre a Revolução"

O tema deste livro foi-me sugerido por um seminário sobre "Os Estados Unidos e o Espírito Revolucionário", organizado na Universidade de Princeton, na Primavera de 1959, sob os auspícios do Programa Especial sobre a Civilização Americana.

Hannah Arendt

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"The Skeleton Dance"

Lisboa, uma das 100 cidades contra as execuções no Irão


No dia 28 de Agosto, às 18:00, no Largo de Camões, Lisboa vai estar no mapa mundial da luta pelos Direitos Humanos, protestando contra as sentenças de condenação à morte aplicadas a vários cidadãos iranianos – desde opositores políticos do regime de Teerão até acusados por sodomia e adultério – por um sistema de justiça que não respeita os mais elementares direitos de defesa das suas vítimas.

Nesse dia, Lisboa unir-se-á a uma enorme cadeia de cidades de todo o mundo cujos cidadãos também corresponderam ao apelo do International Commitee Against Execution. O nome da iniciativa, 100 cities against stoning, pretende chamar a atenção da opinião pública mundial para o facto de na República Islâmica do Irão a execução da pena de morte ser muitas vezes efectuada pelo bárbaro método do apedrejamento em público.

"The United Nations General Assembly & Burma"

Petição - "Justice for Journalist Anna Politkovskaya"

Russian journalist Anna Politkovskaya wrote to fight injustice. She covered stories of violence, corruption, and abuse, including the human rights situation in Cechnya. Her articles were published in foreign media, and her books translated into many languages.

Although her work was internationally revered, she was critical of the Russian and Chechen governments, and it also brought her many enemies.

Politkovskaya was detained and her life endangered many times, including one case in which she was poisoned on her way to cover a school hostage crisis in North Ossetia. In 2006 she was murdered outside her home in Moscow.

In 2007, four men were charged with Anna's murder, but acquitted. The Russian Supreme Court has ordered further investigation into the case, but nearly four years later her murderers remain unidentified and at large. Urge Russia's Prosecutor General Yuri Yakovlevich Chaika to to find and bring to justice Politkovskaya's killers.

Assinem!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Fonte - I"

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo ---
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípio
de esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.

Herberto Hélder

"Afghan couple stoned to death by Taleban"

Amnesty International has condemned the first Taleban executions by stoning carried out in Afghanistan since 2001

"Le Petit Prince" - 14 e 15


Frases célebres 29 - Winston Churchill

De vez em quando os homens tropeçam na verdade, mas a maioria deles levanta-se rapidamente e continua o seu caminho como se nada tivesse acontecido.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Portugal é possível - "Casal da Coelheira Rosé 2009"


Vinho português eleito o melhor rosé do mundo

Justiça

A Justiça em Portugal está mal e desacreditada. E, quando isso acontece, a democracia enfraquece. Num "estado de direito", se a Justiça não tem a confiança dos cidadãos, é a própria democracia que corre o risco de ser posta em causa. Nos últimos tempos, têm existido casos paradigmáticos que levam os portugueses a questionar-se sobre o estado do sistema judicial. Freeport, Casa Pia, Apito Dourado, Banca são alguns dos exemplos negativos. Para não falar do caso da jovem que ficou inválida num acidente e a que o Supremo Tribunal de Justiça invalidou a indemnização a que a empresa Estradas de Portugal tinha sido condenada. As últimas declarações do Procurador Geral e os "mimos" entre este e o Sindicato dos Juízes colocam perplexidades e interrogações. À Justiça não chegou a democracia?

Dois artigos de opinião sobre esta matéria foram publicados nos últimos dias. Porque me parecem importantes e com análises com as quais, no essencial, estou de acordo, aqui ficam.

Um mundo à parte de Henrique Monteiro no Expresso

A democracia agredida de Baptista Bastos no Diário de Notícias

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Notícias de Cuba - Reina Luisa Tamayo

"Pus o meu sonho num navio"

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

"The man with the movie camera"

Grande actrizes - Patricia Neal (8/8/2010)

















Patricia Neal