domingo, 3 de março de 2013

Eu vi! Eu ouvi! Eu cantei!



Era um caudal de gente!

Eu vi!

Do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço, crianças, homens e mulheres, jovens, gente de meia idade, reformados, desempregados, coxos, cegos, surdos, médicos, enfermeiros, doentes (as melhores Vítor, meu querido amigo, que tinhas feito quimio na véspera; e tu António que estás cheio de força), médicos, enfermeiros, professores, de todas as profissões, fizeram um rio de gente.

Eu vi!

Passavam a cantar, a gritar, a indignarem-se, a exigir.

“Demissão!”;  “O Povo é quem mais ordena!”; “Grândola Vila Morena”!; “Os Vampiros”.

Foram da nascente à foz. Ao Tejo. Ali à espera. Por todos. Lisboa encontra o rio para dizer Não!  
E a foz recebeu-os. Um rio de esperança! Um rio de pessoas, com ondas, com gente a suar, a chorar, a desesperar, a rir. Com gente que canta. E o rio também cantou. De certeza! O rio de Lisboa que viveu o 25 de abril só podia ter cantado connosco.

Vinham revoltados, zangados, angustiados, mas com a dignidade de um povo civilizado, sereno, que sabe o que quer.

Eu vi! Eu ouvi! Eu cantei! 




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