sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Ministério está ocupado



TODAS AO MINISTÉRIO

Assim vai a Europa! - Desemprego em Espanha


El paro llega a los 6,2 millones de personas y la tasa de desempleo se sitúa en el 27,16%

E a crise volta à Cinemateca




Ao longo dos últimos meses, devido aos constrangimentos orçamentais, a programação da Cinemateca tem sido baseada cada vez mais na coleção permanente da instituição, o que, pese embora o enorme esforço para manter a qualidade e diversidade da mesma, não pôde deixar de implicar algum afastamento dos padrões que marcaram esta atividade nas décadas anteriores.

É importante lembrar que o trabalho de programação cultural levado a cabo pelas mais importantes cinematecas da FIAF (Federação Internacional dos Arquivos de Filmes) se baseia correntemente na combinação de cópias existentes na instituição com cópias oriundas de fontes externas, nisso incluindo outros arquivos da mesma rede internacional ou distribuidores cinematográficos. É isso que permite a organização de grandes ciclos temáticos ou de autores fundamentais do cinema mundial, para os quais é sempre necessário recorrer, pelo menos, a algumas cópias importadas temporariamente para o efeito, além de ser necessário proceder à sua legendagem eletrónica. Foi isso que fizemos ao longo das últimas décadas e é isso que começámos a não poder fazer, numa redução que, em última análise, impede a manutenção dos níveis de referência da atividade anterior.


Neste momento, porém, dois fatores limitativos sobrepostos impõem uma restrição ainda mais radical. Por um lado, o recente despacho de Sua Excelência o Ministro de Estado e das Finanças relativo aos compromissos financeiros dos organismos do Estado, tendo caído sobre a fase final da preparação do nosso programa para o mês de maio, e tornando inviável a direta assunção de compromissos por parte da Cinemateca, impede, para já no que respeita a este mês, o recurso a quaisquer cópias oriundas de fontes externas importadas pela própria Cinemateca, assim como a respetiva legendagem. Por outro lado, a acentuadíssima quebra da receita geral (resultante do decréscimo dos proveitos da taxa sobre a publicidade televisiva) atingiu níveis que, doravante, a menos que haja possibilidade de um reforço, inviabilizam quaisquer encargos com aluguer, transporte ou legendagem eletrónica de cópias.

Em resultado disto, a Cinemateca anuncia para o próximo mês de maio um programa de características distintas do habitual, em que, à exceção do que é importado temporariamente no âmbito de parcerias previamente acordadas (neste caso, com a FLAD), e uma vez que se trata exclusivamente de material existente no acervo (próprio ou depositado) da instituição, o princípio organizador é apenas o das sessões individuais, sem os normais ciclos temáticos ou de autor.


Em 24 de abril de 2013
A Direção da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

Mário de Sá-Carneiro - m. 26/04/1926



Bárbaro
Enroscam-se-lhe ao trono as serpentes doiradas
Que, César, mandei vir dos meus viveiros de África.
Mima a luxúria a nua — Salomé asiática...
Em volta, carne a arder — virgens supliciadas...


Mitrado de oiro e lua, em meu trono de esfinges —
Dentes rangendo, olhos de insónia e maldição —
Os teus coleios vis, nas infâmias que finges,
Alastram-se-me em febre e em garras de leão.


Sibilam os répteis... Rojas-te de joelhos...
Sangue e escorre já da boca profanada...
Como bailas o vício, ó torpe, ó debochada —
Densos sabbats de cio teus frenesis vermelhos...


Mas ergues-te num espasmo — e às serpentes domas
Dando-lhes a trincar teu sexo nu, aberto...
As tranças desprendeste... O teu cabelo, incerto,
Inflama agora um halo a crispações e aromas...


Embalde mando arder as mirras consagradas:
O ar apodreceu da tua perversão...
Tenho medo de ti num calafrio de espadas —
A minha carne soa a bronzes de prisão...


Arqueia-me o delírio — e sufoco, esbracejo...
A luz enrijeceu zebrada em planos de aço...
A sangue se virgula e se desdobra o espaço...
Tudo é loucura já quanto em redor alvejo!...


Traço o manto e, num salto, entre uma luz que corta,
Caio sobre a maldita... Apunhalo-a em estertor..


.................................................

— Não sei quem tenho aos pés: se a dançarina morta,
Ou a minha Alma só que me explodiu de cor...


Mário de Sá-Carneiro

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ella Fitzgerald - 25/04/1917



Ella Fitzgerald

À tarde...


À tarde... o povo de Lisboa saiu à rua.

A remodelação governamental terminou hoje de manha: tomou posse o Sr. Secretário de Estado adjunto Aníbal Cavaco Silva



Ao fazer o discurso de hoje na Assembleia da República, Cavaco Silva deixou de ser Presidente da República para se tornar membro do governo de Passos Coelho. Lamentavelmente decidiu fazê-lo no aniversário do 25 de abril de 1974 e na AR. Cavaco tomou posição, deixou de poder ser árbitro, perdeu a credibilidade.

Na íntegra aqui.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Assim vai a Europa! - "Austeridade, uma estratégia falhada"


Cartoon de Kazanevsky

Políticos responsáveis gabam-se regularmente da diversidade europeia. Referem-se, nesses casos, às tradições culturais – a maioria das quais considerada interessante e enriquecedora – desenvolvidas fora das suas fronteiras nacionais. Louvam essas diferenças e insistem em que sejam preservadas. Contudo, é interessante constatar que qualquer tipo de entusiasmo e de tolerância desaparece dos seus espíritos quando se trata de diversidade económica.

Em matéria de política fiscal, os dirigentes europeus são pela unidade monolítica. Todos os Estados-membros, incluindo os da zona euro têm de cumprir exatamente as mesmas condições. O desempenho económico de cada país é aferido pelos mesmos critérios e pouco importa que as tradições económicas europeias sejam muito diferentes de uns países para os outros.
Dívidas nacionais aumentam

No contexto da crise atual, a ideia de que todos temos de trabalhar segundo o mesmo modelo atingiu o seu limite. Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda adotaram vastos programas de reforma económica, destinados a sanar as suas finanças e cumprir as normas europeias que lhes foram impostas por igual. Mas não são capazes de atingir essas metas. E as dívidas nacionais aumentam.

De um ponto de vista puramente económico, faz todo o sentido querer primeiro reduzir o endividamento e lançar reformas para retomar um crescimento sólido. O problema é que, na prática, essa estratégia não funciona. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, não está errado ao admitir que uma linha política não pode apenas ser válida, tendo também de ser aceite pelos cidadãos, caso contrário não terá aplicabilidade.

Os sociais-democratas europeus reagiram imediatamente, felicitando Barroso por, finalmente, sair de um coma de cinco anos. Parece demagógico, mas não deixa de ser verdade.
Ruturas no fornecimento de medicamentos

Há muito que já se sabia que os países mais envolvidos na crise não estão a verificar melhorias na sua situação: reduzem os gastos e votam reformas, enquanto as falências das empresas se multiplicam e o desemprego dispara. O aparelho de Estado está paralisado, as decisões dos tribunais deixam de ser postas em prática porque as impressoras não funcionam, os funcionários têm de levar o seu próprio material de escritório e rolos de papel higiénico para o local de trabalho, os hospitais têm ruturas no fornecimento de medicamentos.

Em Espanha, um em cada oito cidadãos vive hoje em condições de pobreza. Trata-se de situações que pessoas de outros países mal conseguem imaginar.

Daqui, podemos extrair duas conclusões. É evidente que os países da zona euro não podem abolir os programas económicos e as reformas de um dia para o outro. Isso minaria a confiança na moeda europeia. No entanto, são necessários alguns ajustes: a Comissão Europeia tem de abrandar as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, para dar muito mais tempo aos países em crise para atingirem os seus objetivos. A prazo, há também que pôr em questão a pertinência desse pacto (outrora elevado aos píncaros) e das suas regras rígidas e indiferenciadas. A crise evidencia-o bem: apesar da moeda única, é a diversidade económica que domina a Europa.


Daqui

Sites a não perder - "b&w"


Miguel Portas - m. 24/04/2012 - Até Sempre!


O meu único objetivo de vida é modestíssimo: não faço a menor ideia se aquilo que eu defendo vai fazer caminho, ou não. O socialismo ou o comunismo não são nenhum destino. Pelo que a gente vê, até é pouco provável que aconteça... Acho que a Humanidade está mais próxima de se destruir do que de construir um amanhã que canta. Não está nada escrito. Mas há uma coisa que sei: ao chegar ao fim da vida, quero poder olhar para trás e dizer: terei feito algumas asneiras, mas no conjunto posso partir, lá para onde for, com tranquilidade.

Miguel Portas, entrevista ao Expresso a 23/07/2011


terça-feira, 23 de abril de 2013

A 22 de abril de 1984 foi descoberto o vírus da "Sida".




Dia Mundial do Livro - Nada melhor que a notícia de uma nova livraria e uma "Vila do Livro"


Abrir uma livraria por estes dias já parece arriscado. Agora imagine-se abrir várias numa pequena vila com pouco mais de 3000 habitantes, a 45 minutos de carro de Lisboa. A ideia começa a ganhar força esta terça-feira com a conversão de um Igreja em livraria.

Assim vai a Europa! - A polémica na França sobre o casamento dos homossexuais e a adoção


Cartoon de Chappatte

O casamento entre homossexuais e a possibilidade desses casais poderem adotar crianças gerou em França uma polémica que, para muita gente, foi surpreendente. Confesso que para mim também foi.

O debate na imprensa talvez possa ser esclarecedor, ou não. Seja como for, a lei foi hoje aprovada. No que me diz respeito: ainda bem.

Que la fête commence. Après des milliers d’amendements et d’heures de débats, après des centaines de kilomètres à battre le pavé en criant «égalité», après les injures et les coups durs, ils vont pouvoir enfin susurrer «veux-tu m’épouser ?», se cogner des EVJF (enterrement de vie de jeune fille) ou des EVJG (la version garçon), se dire oui à la mairie, lancer du riz, sourire devant les photographes, faire péter la nouba, se noyer dans le champagne, se mettre sur le toit, balancer son bouquet aux invités, et pourquoi pas, se faire arracher la jarretière - ou le slip - avec les dents… Bref pouvoir enfin s’adonner à tous ces rituels neuneu. Ou pas. Et puis, qui sait, un jour divorcer. 

Sous un ciel serein, au moins à Paris, la France a affiché dimanche dans la rue l’ampleur de ses divisions autour du projet controversé de « mariage pour tous ». Les opposants au projet, deux jours avant le vote solennel au Parlement ouvrant le mariage et l’adoption aux couples de même sexe, ne fléchissent pas. Les dizaines de milliers de manifestants ont témoigné de leur détermination, déjà perceptible la semaine dernière lors de vifs débats dans l’hémicycle et de rassemblements quotidiens près de l’Assemblée nationale. Démonstration de force qui a fait naître un espoir : que le gouvernement renonce à appliquer la loi, comme ce fut le cas en 2006 pour le Contrat de première embauche (CPE).

Em 23 de abril, a França passou a ser o novo Estado europeu a alargar o casamento e a adoção aos casais homossexuais. Mas, ao contrário do que aconteceu noutros países, esta medida, aprovada em nome da igualdade, suscitou uma forte hostilidade, violenta em alguns casos, de uma parte da opinião pública. Uma herança da relação dos franceses com a religião.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

SWAP - o que é?



2 secretários de estado do governo foram demitidos por causa de swaps em empresas de transportes públicos. Mas o que é SWAP? Fundamentalmente é isto:

Assim vai a Europa! - "O crepúsculo dos partidos"


O bloqueio em torno da eleição do Presidente da República, que terminou, em 20 de abril, com a reeleição de Giorgio Napolitano e com a demissão do grupo dirigente do Partido Democrático, assinala o ponto culminante da crise do sistema político italiano. Para salvar o sistema, é preciso proceder a reformas imediatas, a começar pela da lei eleitoral.

Lenin - 22/04/1870


Earth Day 2013 - "The Face of Climate Change"


sábado, 20 de abril de 2013

Rosa Lobato de Faria - 20/04/1932




A Vida num Sonho


Quem me quiser há-de saber as conchas

a cantiga dos búzios e do mar.

Quem me quiser há-de saber as ondas

e a verde tentação de naufragar.



Quem me quiser há-de saber as fontes,

a laranjeira em flor, a cor do feno,

a saudade lilás que há nos poentes,

o cheiro de maçãs que há no inverno.



Quem me quiser há-de saber a chuva

que põe colares de pérolas nos ombros

há-de saber os beijos e as uvas

há-de saber as asas e os pombos.



Quem me quiser há-de saber os medos

que passam nos abismos infinitos

a nudez clamorosa dos meus dedos

o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma

em que sou turbilhão, subitamente-

Ou então não saber coisa nenhuma

e embalar-me ao peito, simplesmente.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Livro Recomendado - "A grande fome de Mao"


Os factos relatados e documentados neste livro aconteceram mesmo. Não é ficção.
Que não se repitam de novo.

De Frank Dikötter

"Elaborate surveillance operation raises concerns about broader Hezbollah attacks"


The Israeli tourists on Arkia Airlines Flight 161 from Tel Aviv could not have known it, but their arrival in Cyprus July 6 was watched closely. A pair of trained eyes counted each passenger as the group exited the plane and boarded a shuttle, headed for resorts that had also been carefully studied and mapped.

"Political Turmoil Endangers Tunisian Economy"


Tunisia’s ongoing political crisis, fueled by tensions over the cabinet reshuffle and magnified by the assassination of opposition leader Chokri Belaid, may not have critically affected the country’s already ailing economy, but its indirect consequences are already revealing themselves.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um novo ministro - Miguel Poiares Maduro


JNFacebook

Desejo-lhe boa sorte. Bem precisa!

Dia Mundial da doença de Parkinson


Associação portuguesa dos doentes de Parkinson

"INDEX 2013" - Há Cinema em Tomar!


Programa aqui

Caetano! Uma vida!

"O dia em que a classe média vai sublevar-se"


Os nossos dirigentes não percebem que estão sentados em cima de um barril de pólvora, adverte o filósofo polaco Marcin Król. Porque a classe média, à qual é negada qualquer perspetiva de promoção social, poderá vir a encarar a revolução como último recurso para se fazer ouvir.

Na íntegra aqui

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A propósito do 25 de abril


Anteontem - "International Roma Day Action"

Relatório Relvas


Este é o relatório do Ministério da Educação sobre a licenciatura de Miguel Relvas.

Assim vai a Europa! - "Hollande must heed lessons of Louis XVI"


French leader may come to be seen as the victim of a revolt against modern elites, says Dominique Moïsi.

François Hollande may have had François Mitterrand as his role model – a Machiavellian operator. One might have wished he would be a French Gerhard Schroeder – a tough reformer. But, in the wake of the Cahuzac scandal, France’s president looks ever more like a modern Louis XVI – the king guillotined by revolutionaries.

Na íntegra aqui.

terça-feira, 9 de abril de 2013

José Luis Sampredo - m. 09/04/2013


Carta de José Luis Sampredo ao Movimento 15M a 14/03/2011:

Queridos amigos:

Ante la imposibilidad de asistir a vuestra convocatoria, deseo con estas líneas manifestar mi adhesión a la iniciativa ¡Democracia real ya! Naturalmente interpretando la palabra “real” como adjetivo referido a realidad y no a realeza.

Hace unos meses me uní a Stéphan Hessel prologando su panfleto Indignaos. Era un llamamiento a no aceptar sin más la tiranía del poder financiero y el abandono de los valores que encarnaba nuestra civilización (Europa). Poco después, Rosa María Artal tomó el relevo y bajo el título Reacciona nos invitó a unos cuantos estudiosos a profundizar en las razones para actuar frente a la crisis económica, política y social del sistema.

Ahora es vuestro turno, mucho más importante. Me ilusiona ver que los receptores del mensaje, muy certeramente, habéis comprendido que no basta con indignarse, que es necesario convertir la indignación en resistencia y dar un paso más. El momento histórico impone la acción, la movilización, la protesta, la rebelión pacífica. El llamamiento a indignarse no debe quedarse en un best-seller fácilmente digerible por el sistema y así lo estáis demostrando con esta convocatoria.

Por eso me adhiero a vuestras reivindicaciones, hago mío el manifiesto, me solidarizo y deseo un clamoroso 15-M. Pero sobre todo, os animo a avanzar en la lucha hacia una vida más humana. Los medios oficiales no se van a volcar con vosotros y encontraréis muchos obstáculos en el camino, pero está en juego vuestro futuro. El 15 de mayo ha de ser algo más que un oasis en el desierto; ha de ser el inicio de una ardua lucha hasta lograr que, efectivamente, ni seamos ni nos tomen por “mercancía en manos de políticos y banqueros”. Digamos NO a la tiranía financiera y sus consecuencias devastadoras.

José Luis Sampedro