domingo, 7 de julho de 2013

A não política


Irrevogável: 

latim irrevocabilis, -e)

adj. 2 g.
1. Que não se pode revogar.
2. Definitivo.
3. Que não torna atrás.


Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Aquilo a que se está a assistir relativamente à coligação PSD/CDS-PP é um ato de descrédito relativamente à política e aos políticos e um ato criminoso contra o país.

A política em si é uma atividade nobre. Aqueles que fazem política são, teoricamente, cidadãos que põem acima dos seus interesses pessoais os interesses da nação e do país. Já houve políticos assim em Portugal. E não precisamos de ir muito longe em anos. Não é preciso o século XIX ou o início do século XX (Bernardino Machado, Manuel de Arriaga, Fontes Pereira de Melo, Teófilo Braga, José Relvas, José Mendes Cabeçadas Jr.), podemos vislumbrar o pós 25 de abril em que muitos homens e mulheres não deixaram de ser verdadeiros políticos; com ideologia, com desinteresse, com elevação (Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral, Sá-Carneiro, Adriano Moreira, Maria de Lurdes Pintasilgo, etc. e, mais tarde, Miguel Portas, Francisco Louçã, Ana Drago, Jerónimo de Sousa, Luís Sá, etc.). Gente com palavra, coerente, independentemente de concordarmos ou não com as suas ideias.

Hoje, aquilo a que se assiste com esta coligação e com estes "políticos" é a não política. É o vale tudo para se manterem interesses próprios, de família, de negócio.

Chegámos ao fundo do poço da indecência.

O acordo a que o PSD e o CDS-PP chegaram neste fim de semana é o fim da credibilidade da política enquanto atividade credível.

O que aí vem ninguém sabe. Uma coisa é certa: o descrédito passou a ser o paradigma.
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