segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"Ocupa, Brasil" - Alexandra Lucas Coelho


Milhares de adolescentes entre os 15 e os 18 anos conseguiram esta semana que o governador do estado de São Paulo suspendesse o seu plano de fechar quase cem escolas e transferir 300 mil alunos. Não são os filhos da elite que estudam nos melhores colégios, mas uma nova geração de alunos de escolas públicas, que já nasceu online e criou, por exemplo, plataformas de luta no Facebook com 150 mil seguidores. Alvos de gás lacrimogéneo, maltratados e em alguns casos detidos pela polícia militar, estes secundaristas mantiveram-se firmes na ocupação organizada das suas escolas, apoiados por professores, funcionários, cozinheiros ou músicos, não hesitando em parar o trânsito da maior cidade da América Latina com alunos sentados em cadeiras escolares no meio do asfalto. Geraldo Alckmin, o governador que já cometera o erro de reprimir as primeiras manifestações de 2013, multiplicando a revolta nas ruas do Brasil para uma dimensão nunca vista em 20 anos, repetiu assim o erro de partir para a guerra, agora contra menores de idade que usam palavras de ordem tão ameaçadoras como #NãoFechemMinhaEscola. Antes do anúncio da suspensação, guerra foi a palavra usada por representantes do Governo em gravações que acabaram por ser divulgadas.
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