sexta-feira, 21 de julho de 2017

Dernière lettre d’Emile Zola à Alfred Dreyfus


Emile Zola ( 2 avril 1840 – 29 septembre 1902) consacrera de nombreuses années de sa vie à la défense d’Alfred Dreyfus. Convaincu de l’innocence du capitaine, il publie son fameux article « J’accuse » dans l’Aurore le 13 janvier 1898. Il sera condamné pour ça à un an de prison par le ministère de la Guerre, et contraint de s’exiler à Londres, il ne reviendra en France qu’un an plus tard. Cependant, Zola n’assistera pas à la réhabilitation du capitaine Dreyfus, car elle n’aura lieu qu’en 1906, quatre ans après son décès.


Cher monsieur Dreyfus,

J’achève la lecture de Cinq années de ma vie, et je ne sais rien de plus poignant, de plus éloquent, dans la simplicité et la concision. Je suis de ceux qui vous approuvent beaucoup de ne pas avoir tardé plus longtemps à nous donner ces pages. Il était nécessaire qu’on les connût, elles auraient manqué au dossier qui achève de se faire chaque jour. C’est un peu plus de lumière qu’elles apportent, elles vont font connaître définitivement. Elles dissent quel homme vous êtes et quel martyr vous avez été. Maintenant, la figure est complète, et d’une grande beauté d’innocence et de souffrance.

La victoire de demain est certaine, ces pages l’annoncent encore.

Avec toute mon admiration et mon affection.

"A Life Lived in Truth" - Ma Jian


Novelist Ma Jian, himself barred from returning to his native China, examines the work and legacy of his friend and fellow dissident, the Nobel Peace Prize laureate Liu Xiaobo.

For the last eight years of Liu Xiaobo’s life, the Chinese authorities robbed him of his liberty and his dignity. But in the state-enforced silence surrounding Liu’s stage-managed death, the words of his Nobel Prize lecture ring out even louder: “Freedom of expression is the foundation of human rights, the source of humanity, and the mother of truth.”

terça-feira, 11 de julho de 2017

Manifesto - Pela nossa saúde, pelo SNS



Texto do Manifesto:

A razão de os signatários se dirigirem aos portugueses decorre da análise que fazem da actual situação no sector da saúde, a qual, quase a meio do mandato do governo, permanece sem sinais de mudança que alterem a natureza do modelo de política de saúde, promovendo a saúde dos portugueses, reabilitando e requalificando o Serviço Nacional de Saúde. O qual dificilmente se verificará sem a contribuição activa dos actores sociais e políticos das comunidades.

O sistema público de saúde carece do financiamento ajustado à sua missão: promover a saúde, prevenir e tratar a doença. Sem essa condição não só o SNS vai definhando, vendo reduzido um dos seus principais valores, a cobertura universal, como as respostas que vai dando são canalizadas quase exclusivamente, e já em condições precárias, para o tratamento da doença e para contribuir para o florescimento da prestação privada. Em seis anos (2009-2015) a despesa pública da saúde diminuiu 21%, tendo passado de 6,9% para 5,8% do PIB. Os signatários tomam, por isso, como referência a despesa verificada em 2009, que foi de 9,9% do PIB, um ponto percentual acima do verificado em 2015. Além disso, percentagem do financiamento público dos cuidados de saúde prestados à população é desde 2014 das mais baixas da Europa a 28 (66%).

O diagnóstico que melhor caracteriza a saúde da população é dado pelos seguintes indicadores-chave. (1) com 70% de esperança de vida saudável (2015), os portugueses tinham o mais baixo valor dos países do sul da Europa – Espanha, França, Itália e Grécia; (2) com 32% de esperança de vida saudável aos 65 anos, os portugueses ficam bastante aquém dos valores daqueles países; (3) no grupo etário 16-64 anos só 58% da população considerava que a sua saúde era boa ou muito boa, quando na Grécia ou em Espanha é superior a 80% (2015); (4) no grupo com mais de 64 anos aquela percepção é de 12%, sendo em Espanha e França superior a 40%; (5) mais de 50% da população tem excesso de peso; (6) em 2016 verificou-se o maior excesso de mortalidade da década, correspondente a 4 632 óbitos.

Nos setenta e sete hospitais da rede pública, cerca de 800 000 utentes aguardam com excesso de espera uma primeira consulta hospitalar, correspondendo a 30% das primeiras consultas realizadas em 2016. Esse excesso varia entre 2 e >800 dias. Mais de oitocentos mil portugueses não têm médico de família atribuído. Entre 2014 e 2016 verificou-se um aumento de 529 000 urgências.

Esta situação é já bastante preocupante. Continua a insistir-se num modelo de política de saúde exclusivamente orientado para o tratamento da doença e centrado nas tradicionais instituições de saúde. Quando a regra é ser-se saudável e a excepção é estar-se doente, a quase totalidade dos recursos são canalizados para a excepção, embora a promoção e a protecção da saúde sejam as intervenções que mais contribuem para melhorar o bem-estar das pessoas e das comunidades, e a estratégia que torna os sistemas de saúde sustentáveis. Do que se trata, por isso, não é de medidas avulsas que dificilmente se articulam entre si, mas de uma reforma que integre cuidados hospitalares, cuidados continuados, cuidados de saúde primários e intervenções em saúde pública, que inclua os actores formais e informais das comunidades locais e que incorpore o melhor conhecimento científico disponível.

Mas mesmo quando se trata da prestação de cuidados na doença, as limitações ao acesso mantém-se como o maior obstáculo aos serviços de saúde no momento em que são necessários, com as consequências negativas daí decorrentes para a condição dos doentes. Os tempos de espera inadmissíveis são disso a melhor evidência e o crescimento da afluência às urgências o pior sintoma da disfunção que reina no sector.

O excesso de mortalidade, verificado sobretudo entre a população idosa e durante o verão e o inverno, quando se verificam temperaturas mais extremas, exige que os cuidados domiciliários sejam mais frequentes e que tanto as autarquias como os serviços de segurança social façam um acompanhamento de maior proximidade respondendo às necessidades de cuidados de conforto que nestas alturas são particularmente sentidas.

No que se refere ao sector privado exige-se que a sua regulação se faça do lado do cumprimento de critérios de ordenamento das instituições de saúde, que a certificação inclua o preenchimento dos quadros de pessoal com a diferenciação ajustados à sua missão, às valências e ao volume de produção previsto, e que a demonstração dos resultados de gerência sejam obrigatórios e públicos.

As várias greves do pessoal da saúde – médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e outros trabalhadores -, em que se verificou tanto uma grande adesão desses profissionais como uma considerável compreensão por parte da população, representam sinais que devem ser entendidos e interpretados como manifestações críticas da situação que se está a viver no sector.

Os signatários deste Manifesto têm uma longa história de serviço público no Serviço Nacional de Saúde e de dedicação à causa da saúde. A maior parte deles contribuiu para que ele se implantasse nos primeiros anos da sua criação, foram seus profissionais empenhados desde então e bateram-se por diversas vezes contra os ataques que lhe foram movidos. Não estão, por isso, dispostos a assistir ao seu progressivo definhamento. Se, como é defendido, o SNS representa um dos mais relevantes serviços que a democracia tem prestado aos portugueses, então há que proceder à sua reabilitação e requalificação, alterando substancialmente o sentido da política de saúde. Passados 38 anos da sua criação, o SNS não pode ficar imóvel e alheio aos desafios que lhe são colocados. Nesta exigência estamos acompanhados pelos mais prestigiados peritos na matéria, como Ilona Kickbusch, David Gleicher e Hans Kluge da OMS, e Nigel Crisp, coordenador da Plataforma Gulbenkian Health in Portugal.

Por isso nos dirigimos também a todas as organizações partidárias que subscreveram os acordos de 10 de Novembro de 2015, na expectativa de que sejam sensíveis a esta necessidade inadiável e tomem as decisões que a situação descrita exige. Esta política de saúde já mostrou que não está a responder ao que é exigido de um governo que se afirma empenhado em dar uma orientação de esquerda às suas políticas sociais. Está, por isso, nas mãos da actual maioria parlamentar iniciarem o processo de mudança da política de saúde.

Lisboa, 10 de Julho de 2017

Assinaturas:

1. Aguinaldo Cabral / 2. Alda Siveira / 3. Alice Nobre / 4. Almerindo Rego (Presidente do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica) / 5. Ana Abel / 6. Ana Feijão Gomes (Coordenadora e Directora Clínica da Unidade de Alcoologia de Coimbra) / 7. Ana Girão / 8. Ana Madeira / 9. Ana Matos Pires / 10. Ana Raposo / 11. Anabela Paixão / 12. Anita Vilar / 13. António Dias Ferreira / 14. António Manuel Faria-Vaz / 15. António Pais de Lacerda / 16. António Rodrigues / 17. Armando Brito de Sá / 18. Augusto de Brito / 19. Augusto Goulão / 20. Berta Abrantes / 21. Bertília Silva / 22. Carlos Folgado / 23. Carlos Godinho / 24. Carlos Góis / 25. Carlos Leça da Veiga / 26. Carlos Vasconcelos / 27. Cipriano Justo (ex-Subdirector-Geral da Saúde) / 28. Conceição Martins / 29. Cristina Bárbara / 30. Cristina Moura / 31. Cristina Veríssimo / 32. Delfim da Cruz Oliveira / 33. Deolinda Barata / 34. Eduarda Horta / 35. Eduardo Castela / 36. Eduardo Marques / 37. Eduardo Mendes / 38. Elsa Araújo Pina / 39. Emília Teixeira / 40. Eurico Figueiredo (ex-Director do Hospital Magalhães Lemos) / 41. Fernando Gomes (ex-Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos) / 42. Fernando Martinho / 43. Filipe Froes / 44. Filipe Rosas / 45. Francisco Leal Paiva / 46. Guadalupe Simões (Dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) / 47. Guida da Ponte / 48. Hélder Gonçalves / 49. Helena Almeida / 50. Helena Lopes da Silva / 51. Henrique Delgado Martins / 52. Henrique Sá Couto / 53. Hugo Esteves / 54. Isabel do Carmo / 55. Isabel Duarte / 56. Isabel Ingrid Sampaio / 57. Isabel Loureiro (ex-Coordenadora Nacional da Promoção e Educação para a Saúde) / 58. Isabel Pereira / 59. Isabel Serejo / 60. Isabel Vidal Costa / 61. Isadora Rusga / 62. Ivone Barracha / 63. Jaime Correia de Sousa / 64. Jaime Mendes (ex-Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos) / 65. João Álvaro Correia da Cunha (Ex-Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria) / 66. João Cravino / 67. João Lavinha (ex-Director do Instituto Ricardo Jorge) / 68. João Mário Bárbara / 69. João Paulo Fragoso / 70. João Proença / 71. Jorge Brandão / 72. Jorge Espírito Santo / 73. Jorge Seabra / 74. José Aranda da Silva (ex-Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos) / 75. José Carlos Martins (Presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) / 76. José Carlos Santos / 77. José Diogo Barata (Presidente do Colégio de Nefrologia) / 78. José Frade / 79. José Manuel Boavida (ex-Director do Programa Nacional para a Diabetes) / 80. Lancie de Sousa / 81. Luís Gamito (ex-Director do Hospital Júlio de Matos) / 82. Luís Ribeiro / 83. Manuel João Manuel / 84. Manuela Vieira da Silva / 85. Maria Alice Carneiro / 86. Maria Antónia Lavinha / 87. Maria Augusta de Sousa (ex-Bastonária da Ordem dos Enfermeiros) / 88. Maria da Luz Duque / 89. Maria Gorete Pereira / 90. Maria João Andrade / 91. Maria José Dias Ferreira / 92. Maria Manuel Deveza / 93. Maria Manuela Fernandes / 94. Mariana Neto / 95. Mário Carreira / 96. Mário Jorge Neves (Presidente da Federação Nacional dos Médicos) / 97. Mário Pereira / 98. Nídia Zózimo / 99. Orlandina Maia / 100. Patrícia Alves / 101. Patrícia Branco / 102. Paula Duarte / 103. Paulo Fidalgo / 104. Paulo Taborda / 105. Pedro Marques da Silva / 106. Pedro Migueis / 107. Pedro Paulo Mendes / 108. Rui Lourenço (ex-Presidente da ARS do Algarve) / 109. Rui de Oliveira (ex-Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, antes do 25 de Abril) / 110. Sara Proença / 111. Sérgio Esperança (ex-Presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Centro) / 112. Sofia Crisóstomo / 113. Teresa Ferreira / 114. Teresa Gago / 115. Teresa Laginha


"The Most Influential Images of All Time" - 14: Sam Shere


The Hindenburg Disaster - Sam Shere

Zeppelins were majestic skyliners, luxurious behemoths that signified wealth and power. The arrival of these ships was news, which is why Sam Shere of the International News Photos service was waiting in the rain at the Lakehurst, N.J., Naval Air Station on May 6, 1937, for the 804-foot-long LZ 129 Hindenburg to drift in from Frankfurt. Suddenly, as the assembled media watched, the grand ship’s flammable hydrogen caught fire, causing it to spectacularly burst into bright yellow flames and kill 36 people. Shere was one of nearly two dozen still and newsreel photographers who scrambled to document the fast-moving tragedy. But it is his image, with its stark immediacy and horrible grandeur, that has endured as the most famous—owing to its publication on front pages around the world and in LIFE and, more than three decades later, its use on the cover of the first Led Zeppelin album. The crash helped bring the age of the airships to a close, and Shere’s powerful photograph of one of the world’s most formative early air disasters persists as a cautionary reminder of how human fallibility can lead to death and destruction. Almost as famous as Shere’s photo is the anguished voice of Chicago radio announcer Herbert Morrison, who cried as he watched people tumbling through the air, “It is bursting into flames ... This is terrible. This is one of the worst catastrophes in the world ... Oh, the humanity!”

Clássicos do "Film Noir" - "Five minutes to live"


Realização de Bill Karn

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Livro recomendado - "O Livro Aberto - Leituras da Bíblia"


De Frederico Lourenço

Portugal na imprensa estrangeira - "The World’s First Power Plant To Combine Hydro And Solar Opens In Portugal"


The first-of-its-kind project could be a model for states like Washington and Oregon, and countries like Brazil, that depend heavily on hydroelectricity.

Lettre de Marcel Proust à Reynaldo Hahn


C’est dans un salon parisien que Reynaldo Hahn fait la connaissance de Marcel Proust, alors qu’il chante ses mélodies en s’accompagnant au piano. Ils deviennent alors amants jusqu’en 1896 puis maintiennent leur amitié jusqu’à la mort de l’écrivain. Emmanuel Berl écrit : « Reynaldo Hahn a été sans doute un des êtres que Proust a le plus aimés. Quiconque a pu approcher un tant soit peu Reynaldo Hahn le comprend sans peine. Sa conversation avait un grand charme qui ne tenait pas seulement à son talent de musicien et de chanteur, mais à l’étendue de sa culture, à son usage du monde, à un enthousiasme généreux et narquois, dont on subissait aussitôt la contagion, à une disponibilité qui est à la fois un attribut de l’intelligence et une forme de la bonté ». Retour épistolaire sur une relation tendre et tourmentée, à l’occasion de la commémoration de la mort de l’écrivain (18 novembre 1922), avec une lettre datant de l’année de leur séparation.


Notre amitié n’a plus le droit de rien dire ici, elle n’est pas assez forte pour cela maintenant. Mais son passé me crée le devoir de ne pas commettre des actes aussi stupides aussi méchants et aussi lâches sans tâcher de réveiller votre conscience et de vous le faire sinon avouer — puisque votre orgueil vous le défend — au moins sentir, ce qui pour votre bien est l’utile. Quand vous m’avez dit que vous restiez à souper ce n’est pas la première preuve d’indifférence que vous me donniez. Mais quand deux heures après, après nous être parlé gentiment, après toute la diversion de vos plaisirs musicaux, sans colère, froidement, vous m’avez dit que vous ne reviendriez pas avec moi, c’est la première preuve de méchanceté que vous m’ayez donné [sic]. Vous aviez facilement sacrifié, comme bien d’autres fois, le désir de me faire plaisir, à votre plaisir qui était de rester à souper. Mais vous l’avez sacrifié à votre orgueil qui était de ne pas paraître désirer rester à souper.

Et comme c’était un dur sacrifice, et que j’en étais la cause, vous avez voulu me le faire chèrement payer. Je dois dire que vous avez pleinement réussi. Mais vous agissez en tout cela comme un insensé. Vous me disiez ce soir que je me repentirais un jour de ce que je vous avais demandé. Je suis loin de vous dire la même chose. Je ne souhaite pas que vous vous repentiez de rien, parce que je ne souhaite pas que vous ayez de la peine, par moi surtout. Mais si je ne le souhaite pas, j’en suis presque sûr.

Malheureux, vous ne comprenez donc pas ces luttes de tous les jours et de tous les soirs où la seule crainte de vous faire de la peine m’arrête. Et vous ne comprenez pas que, malgré moi, quand ce sera l’image d’un Reynaldo qui depuis q.q. temps ne craint plus jamais de me faire de la peine, même le soir, en nous quittant, quand ce sera cette image qui reviendra, je n’aurai plus d’obstacle à opposer à mes désirs et que rien ne pourra plus m’arrêter. Vous ne sentez pas le chemin effrayant que tout cela a fait depuis q.q. temps que je sens combien je suis devenu peu pour vous, non par vengeance, ou rancune, vous pensez que non, n’est-ce pas, et je n’ai pas besoin de vous le dire, mais inconsciemment, parce que ma grande raison d’agit disparaît peu à peu.

Tout aux remords de tant de mauvaises pensées, de tant de aurais et bien lâches projets je serai bien loin de dire que je vaux mieux que vous. Mais au moins au moment même, quand je n’étais pas loin de vous et sous l’empire d’une suggestion quelconque je n’ai jamais hésité entre ce qui pouvait vous faire de la peine et le contraire. Et si q.q. chose m’en faisait et était pour vous un plaisir sérieux comme Reviers, je n’ai jamais hésité.

Pour le reste je ne regrette rien de ce que j’ai fait. J’en arrive à souhaiter que le désir de me faire plaisir ne fut pour rien, fut nul en vous. Sans cela pour que de pareilles misères auxquelles vous êtes plus attaché que vous ne croyez aient pu si souvent l’emporter il faudrait qu’elles aient sur vous un empire que je ne crois pas. Tout cela ne serait que faiblesse, orgueil et pose pour la force. Aussi je ne crois pas tout cela, je crois seulement que de même façon que je vous aime beaucoup moins, vous ne m’aimez plus du tout, et [de ] cela mon cher petit Reynaldo je ne peux pas vous en vouloir.

Et cela ne change rien pour le moment et ne m’empêche pas de vous dire que je vous aime bien tout de même.

Votre petit Marcel étonné malgré tout de voir à ce point —

Que peu de temps suffit à changer toutes choses

et que cela ira de plus en plus vite. Réfléchissez sur tout cela mon petit Blaise et si cela nourrit votre pensée de poète et votre génie de musicien, j’aurai du moins la douceur de penser que je ne vous ai pas [été] inutile […]

Marcel

domingo, 9 de julho de 2017

"O síndrome da nêspera" - Nuno Teles


«Uma nêspera

estava na cama

deitada

muito calada

a ver

o que acontecia


chegou a Velha

e disse

olha uma nêspera

e zás comeu-a


é o que acontece

às nêsperas

que ficam deitadas

caladas

a esperar

o que acontece»


– «A nêspera», Mário Henrique Leiria

Depois da instabilidade financeira e económica da Zona Euro, a economia europeia assiste à recuperação do crescimento económico, com ligeira diminuição do desemprego, exceptuando a Grécia. Esta estabilização económica parece ser acompanhada por um reforço do poder das elites políticas europeias, goradas que foram, quer a ameaça de uma vitória da extrema-direita na Holanda e em França, quer a novidade dos movimentos insurgentes, ideologicamente diversos, mas nascidos ou crescidos no auge da crise, o Syriza na Grécia, o Podemos, em Espanha, e o Movimento Cinco Estrelas, em Itália. Num movimento de recomposição partidária, total ou parcial, com a vitória do movimento de Emmanuel Macron e a mais que provável vitória do partido de Angela Merkel na Alemanha, agora numa aliança com os liberais, o programa político do «Consenso de Bruxelas» ganhou novo fôlego.

Não por acaso é este o tempo em que a Comissão Europeia, com aguçado sentido de oportunidade, apresenta um novo documento estratégico, onde sob o pretexto de colmatar as falhas diagnosticadas no euro aquando da crise, se propõe a passagem da «educação, a fiscalidade e a concepção dos sistemas de protecção sociais» para a alçada do «Semestre Europeu», maior condicionalidade política nos fundos estruturais, criação de um enorme mercado de titularização da dívida, etc. Juntem-se novas rondas de reformas laborais, já em curso em França, de recapitalização bancária e de liberalização do comércio internacional e conseguimos identificar as grandes componentes deste programa do que Tariq Ali apelida de «extremo-centro», que se traduzirá na contínua transferência de rendimento, social e internacionalmente regressiva, conforme à mercadorização de cada vez mais esferas da vida social. No entanto, a estabilização neoliberal da União Europeia não significa um recuo ao estado ex-ante da crise financeira internacional, nem económico, nem político.

A estagnação, dita secular, e a instabilidade financeira vieram para ficar, tornando as contradições do capitalismo financeirizado cada vez mais salientes. A União Europeia e suas instituições estão enredadas na tentativa de reanimar um regime de acumulação ferido e limitado pela crise, com um sistema bancário falido, permanentes desequilíbrios entre países do Sul e do Norte e níveis de endividamento que pairam como espada de Dâmocles sobre o nosso futuro.

Os problemas e contradições desta defeituosa retoma foram claros no recente Fórum do Banco Central Europeu, que teve lugar em Sintra. Mario Draghi mostrava-se preocupado com um estranho fenómeno: a economia europeia cresce moderadamente, o emprego parece recuperar, mas os salários teimam em não descolar, num fenómeno a que aliás Portugal não é alheio. Com salários e preços das matérias-primas estagnados, a taxa de inflação europeia está ainda longe do objectivo dos 2%. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) vê-se em apuros, pois este contexto dificulta a reversão da política monetária expansionista, que mantém as taxas de juros próximas do zero, e o retorno a uma eventual «normalidade» económica e financeira, exigidas por um governo alemão preocupado com a rendibilidade dos activos financeiros que, naquele país, sustentam a provisão de pensões. Mais surpreendente foi a «confissão» de Draghi quanto à responsabilidade do desmantelamento da negociação colectiva sectorial à escala europeia, continuadamente promovida pelo próprio BCE, na difícil valorização salarial, já que coloca os trabalhadores e sindicatos numa posição negocial estruturalmente mais desfavorável. O BCE naturalmente não está preocupado com o rendimento dos trabalhadores europeus, mas antes com a «camisa de sete varas» em que a sua política monetária se encontra face às realidades diversas e conflituantes na Zona Euro.

Outro exemplo das contradições da presente situação diz respeito aos efeitos da situação nos mercados financeiros e da política monetária nas economias periféricas do Sul da Zona Euro. A política monetária expansionista, graças às baixas taxas de juro, permite aos países, como Portugal e Espanha, encontrar facilmente quem os queira financiar e, consequentemente, diminuir os custos do serviço da sua dívida, aumentado a margem de manobra orçamental no quadro das restritivas regras do euro. Acresce que, face a uma economia internacional com a procura deprimida e com poucas oportunidades de investimentos para os excedentes financeiros, estes países beneficiam de novos fluxos de capital estrangeiro que, em busca de rendimento rápido, encontram no imobiliário dos centros das grandes cidades uma fonte de valorização. É certo que este é um movimento que gera crescimento, emprego e receita fiscal, mas, aparentando ser a primeira fase de uma bolha especulativa, dada a evolução recente dos preços, o futuro deste movimento só pode causar preocupação, sabendo nós da volatilidade dos fluxos de capital financeiro que rapidamente se colocam em fuga ao menor perigo, real ou imaginado.

Em Portugal, o atentismo que se verifica perante a situação internacional e a recuperação económica nacional, de que o artigo do economista José Gusmão neste número nos dá conta (ver «A meia-morte da austeridade»), deve ser encarada com preocupação. Portugal parece ser o exemplo último do que o sociólogo alemão Wolfgang Streeck chama de «Estado de Consolidação», onde governos «sociais-democratas» (o autor está a pensar na Suécia), com renovada capacidade orçamental prometem reversão da austeridade, mas permanecem trancados no compromisso com: (1) um orçamento sem défice, ainda que associado a despesas de salários e pensões; (2) redução do investimento público e concomitante multiplicação das parcerias público-privadas; (3) degradação nos serviços públicos e introdução de mimetismo de mercado nestes sectores; (4) surgimento de poderosos actores privados e do terceiro sector no que eram até há pouco áreas de provisão pública.

Mesmo por outros meios, observamos como os processos impostos pela União Europeia aquando dos resgates financeiros continuam a fazer o seu percurso de esvaziamento das capacidades públicas e de individualização da provisão. O caldo económico e político que levou ao colapso de partidos sociais-democratas, de que o Partido Socialista francês foi o último exemplo e que paira agora sobre o Partido Social-Democrata alemão, está por isso longe de ter desaparecido. Depois de décadas de neoliberalismo, o sucesso na mobilização política contra o actual programa político em curso depende de um apurado diagnóstico e de arrojo na proposta. Exemplos como o do Partido Trabalhista, no Reino Unido, fornecem hoje novas pistas, inexistentes há poucos anos, mas o caminho a percorrer é demasiado longo para posições complacentes.

quinta-feira 6 de Julho de 2017

Filme recomendado - "Paterson"



Realização de Jim Jarmusch

"MIGRANTS: Les dommages collatéraux d’une politique européenne irréaliste" - Yann Mens


Ah si l’Afrique était la Turquie, comme les gouvernants européens seraient plus rassurés ! Après l’accord conclu en mars 2016 entre les Etats de l’Union européenne et Ankara sur les réfugiés, assorti de concessions - notamment financières - au gouvernement de Recep Tayyip Erdogan, le nombre des arrivées de migrants sur les côtes grecques, et surtout celui des morts en Méditerranée orientale, a chuté, alors qu’il avait atteint un pic en octobre 2015.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

"Shakespeare’s Cure for Xenophobia" - Stephen Greenblatt



A lustreless protrusive eye
Stares from the protozoic slime
At a perspective of Canaletto.
The smoky candle end of time

Declines. On the Rialto once.
The rats are underneath the piles.

The jew is underneath the lot.

What “The Merchant of Venice” taught me about ethnic hatred and the literary imagination.

Pettigo - Susan McKay


In last year’s referendum, a majority of Northern Irish citizens voted against Brexit. For the most part, unionists were for it, nationalists and republicans against. Overall, 56 per cent voted to remain in the EU. Along the border with the Republic of Ireland, that figure rose to 65 per cent, though many in these parts did not cast their vote. ‘I didn’t understand it,’ one local man, Mervyn Johnston, told me. On the map, the village of Pettigo, where Johnston lives, is all but obliterated by the strong red line of the border as it staggers drunkenly across the country. At the centre of the village, most of which lies in Co. Donegal in the Republic, is a statue that Johnston says is known as ‘the Quiet Man’. A stone figure in a trench coat and peaked cap makes as if to creep towards the old stone bridge over the fast-flowing River Termon. A plaque explains that it is dedicated to the proud memory of four young men who died there ‘fighting against British forces’ in 1922. ‘There’s a right crowd about it on Easter Sunday,’ Johnston said.

domingo, 2 de julho de 2017

"Trump and the Truth About Climate Change" - Joseph E. Stiglitz


Under President Donald Trump’s leadership, the United States took another major step toward establishing itself as a rogue state on June 1, when it withdrew from the Paris climate agreement. For years, Trump has indulged the strange conspiracy theory that, as he put it in 2012, “The concept of global warming was created by and for the Chinese in order to make US manufacturing non-competitive.” But this was not the reason Trump advanced for withdrawing the US from the Paris accord. Rather, the agreement, he alleged, was bad for the US and implicitly unfair to it.

Lettre de Simone Veil à l’Académie Française


Simone Veil, rescapée de la Shoah, est une femme politique connue pour avoir fait adopter la « Loi Veil », qui dépénalise l’IVG. Elle s’est éteinte aujourd’hui à l’âge de 89 ans. Voici la lettre qu’elle adressa à l’Académie française en 2005, appelant à l’éveil des consciences des jeunes du XXIe siècle, notamment sur l’importance de la transmission de la mémoire de la Shoah et les dangers de la banalisation et du relativisme.

Les rescapés d’Auschwitz ne sont plus qu’une poignée. Bientôt, notre mémoire ne reposera plus que sur nos familles, sur l’Etat, mais aussi sur les institutions qui en ont fait leur mission, notamment celles en charge des lieux où vous vous trouvez aujourd’hui. Elle sera aussi la source d’inspiration d’artistes et d’auteurs, comme un objet qui nous échappe pour le meilleur et pour le pire. Notre mémoire, surtout, doit être intégrée et conciliée avec l’enseignement de l’histoire à l’école, faisant des élèves comme des professeurs des relais essentiels de cette nécessaire transmission.

Il vous appartiendra de faire vivre ou non notre souvenir, de rapporter nos paroles, le nom de nos camarades disparus. Notre terrible expérience aussi de la barbarie poussée à son paroxysme, flattant les instincts les plus primaires de l’homme comme les ressorts d’une modernité cruelle.

L’humanité est un vernis fragile, mais ce vernis existe. En parlant de ce monde à part que fut celui des camps et de la tourmente dans laquelle les Juifs furent emportés, nous vous disons cette abomination, mais nous témoignons aussi sur les raisons de ne pas désespérer. D’abord, pour certains d’entre-nous, il y eut ceux qui nous aidèrent pendant la guerre, par des gestes parfois simples parfois périlleux, qui contribuèrent à notre survie. Il y eut la camaraderie entre détenus, certes pas systématique, dont les effets furent ô combien salutaires. Et puis, pour cette infime minorité qui regagna la France en 1945, la vie a été la plus forte ; elle a repris avec ses joies et ses douleurs.

Puissent nos rires résonner en vous comme notre peine immense.

Notre héritage est là, entre vos mains, dans votre réflexion et dans votre cœur, dans votre intelligence et votre sensibilité.

Il vous appartient que la vigilance ne soit pas un vain mot, un appel qui résonne dans le vide de consciences endormies. Si la Shoah constitue un phénomène unique dans l’histoire de l’humanité, le poison du racisme, de l’antisémitisme, du rejet de l’autre, de la haine ne sont l’apanage d’aucune époque, d’aucune culture, ni d’aucun peuple. Ils menacent à des degrés divers et sous des formes variées, au quotidien, partout et toujours, dans le siècle passé comme dans celui qui s’ouvre. Ce monde là est le vôtre. Les cendres d’Auschwitz lui servent de terreau.

Pourtant, votre responsabilité est de ne pas céder aux amalgames, à toutes les confusions. La souffrance est intolérable ; toutes les situations ne se valent pourtant pas. Sachez faire preuve de discernement, alors que le temps nous éloigne toujours plus de ces événements, faisant de la banalisation un mal peut-être plus dangereux encore que la négation. L’enseignement de la Shoah n’est pas non plus un vaccin contre l’antisémitisme, ni les dérives totalitaires, mais il peut aider à forger la conscience de chacun et chacune d’entre-vous. Il doit vous faire réfléchir sur ce que furent les mécanismes et les conséquences de cette histoire dramatique. Notre témoignage existe pour vous appeler à incarner et à défendre ces valeurs démocratiques qui puisent leurs racines dans le respect absolu de la dignité humaine, notre legs le plus précieux à vous, jeunesse du XXIe siècle.

Simone Veil

quinta-feira, 29 de junho de 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Hoje é dia de Juan José Saer




Juan José Saer

"A Future for Western Sahara" - Ana Palacio


International politics is replete with unresolved territorial disputes, from conflicting claims by China and Japan over the Senkaku/Diaoyu Islands in the East China Sea to the prolonged disagreement between Armenia and Azerbaijan over Nagorno-Karabakh. But one such dispute, over Western Sahara, is often overlooked, despite the very real possibility of resolving it.

Lettre de Guillaume Apollinaire à Lou


Guillaume Apollinaire (26 août 1880 – 9 novembre 1918) était un grand poète, mais aussi un soldat : en 1914, il s’engage volontairement pour l’armée française, à Nice. Lorsqu’il écrit la lettre suivante, il ne connaît Louise de Coligny-Châtillon, dite Lou, que depuis trois mois. Cependant, il l’aime déjà follement et n’hésite pas à se montrer explicite, au milieu de poèmes et de déclarations moins audacieuses. C’est encore à Lou qu’Apollinaire pense quand il passe Noël loin d’elle, avec ses camarades de l’armée — dans une atmosphère pour le moins virile et enflammée, elle aussi. La preuve dans cette lettre !

24 décembre 1914

Lou adore, je suis triste cette veille de Noël car voici le 3e jour que je ne reçois pas de lettre de toi. Tu m’oublieras terriblement. Et dans ce cas je ne sais s’il faut me désoler ou t’en vouloir. Il y a des moments où je t’en veux de m’oublier ainsi, et j’ai envie de te cravacher. J’ai essayé aujourd’hui un martinet et un fouet conducteur, les deux vont bien et je crois que tu y goûteras si tu ne tiens pas tes promesses.

Pourquoi n’écris-tu pas ? C’est insensé de me laisser ainsi sans nouvelles. J’en ai les nerfs malades.

Finalement j’aurai ma permission pour Nice et elle sera de 48 heures sur lesquelles beaucoup seront consacrées au voyage. Je te télégraphierai tout à l’heure.

[…]

Mais toi, Lou, écris-moi, dis-moi ce qu’il y a, ce qui se passe, ne me laisse pas inquiet. J’ai reçu des nouvelles d’Albert, mon frère.

Il y avait ce soir au courrier 42 lettres pour moi. J’ai paraît-il battu le record de tous les régiments de Nîmes où se trouvent en ce moment 17 000 hommes. Mais parmi ces 42 lettres pas une de mon Lou, mon Lou m’oublie. Mon Lou ne songe pas qu’il me rend malheureux et que s’il doit me rendre malheureux, il eût mieux valu qu’il ne vînt pas me faire de promesses, puisque j’étais parti sans espoir, maintenant qu’il a lui comme une certitude, s’il s’éteignait il faudrait rudement serrer les dents pour se reprendre.

Écris-moi, je t’adore mais je suis furieux. Écris-moi, Lou !

"Photographer Spends 6 Months Traveling Alone to Photograph Siberia’s Indigenous People"


For the past 9 years, photographer Alexander Khimushin has been traveling the world, visiting 84 different countries. Three years ago, inspired by the idea of documenting remote cultures that are slowly disappearing due to globalization, he began his The World in Faces project. Seeking out small, ethnic minority groups around the world, Khimushin shoots incredible portraits that both honor and immortalize their culture.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Drones - para que servem?


O Drone é um Veículo aéreo não tripulado.

Para além de servir para matar pessoas, serve para um novo negócio de fotografia, filmes, etc. E também para poder provocar desastres aéreos. Quem compra um drone não necessita de estar registado, pelo que é quase impossível detetar os inconscientes que os lançam a mais dos 120 metros autorizados. No último mês, houve vários a 900 metros ou mais que, graças aos pilotos, não conseguiram atingir os aviões da TAP, por exemplo.

Não sou contra a tecnologia. Pelo contrário. Mas espero que a legislação e a inspeção não seja o costume: casa roubada, trancas à porta.

"SIRESP: o país numa rede de interesses" - Fernando Alexandre



Fernando Alexandre foi o governante que renegociou o SIRESP em 2015. Em análise, escreve que "o contrato continua a ser mau para o Estado". E admite uma posição maioritária do Estado no consórcio.

Parabéns Gilberto Gil!




Gilberto Gil