quarta-feira, 24 de maio de 2017

"O meu silêncio" - António Garcia Pereira


Nunca fui do PCTP/MRPP. Aliás, nunca simpatizei com as suas ideias e, verdade seja dita, até participei em confrontos, nos anos do PREC, com muitos militantes deste partido. Nunca me interessei pelos seus assuntos internos, nem de perto nem de longe. Mas sou amiga do António Garcia Pereira que admiro como pessoa, como advogado, como militante coerente, como revolucionário. Do António só tenho a dizer bem e a agradecer o apoio que me deu quando precisei. E foi por amizade que o fez.

Daí a divulgação neste blogue da reposição da verdade quanto ao que se passou com a sua saída desse partido. É no António que acredito e, por isso, tem a minha solidariedade:

A 06/10/2015 aceitei a minha suspensão do Partido onde militei durante mais de 40 anos.

A 18/11/2015 apresentei ao PCTP/MRPP, por carta entregue em mão, a minha demissão.

A 25/11/2015, não tendo até à altura o PCTP/MRPP feito qualquer comunicação referente à minha demissão, tratei de a informar eu publicamente.

Desde então e até agora tenho mantido o mais completo dos silêncios sobre quer o que se tem vindo a passar no PCTP/MRPP, quer sobre todos os ataques, infâmias e falsidades que contra mim têm vindo a ser freneticamente produzidos, em particular através do Luta Popular online, jornal do Partido.

Mesmo perante a incompreensão de alguns dos que me conhecem mais de perto, recusei sempre todas e cada uma das largas dezenas de tentativas de contacto, de convites para entrevistas ou comentários feitos por jornalistas dos mais diversos órgãos da comunicação social e não disse, não escrevi nem encomendei a ninguém uma palavra que fosse sobre o que se estava a passar.

Porquê?

Numa primeira fase, esse meu silêncio decorreu, devo reconhecê-lo, da completa estupefacção e do autêntico estado de choque em que tenho de admitir humildemente que fiquei, ao ver-me apodado de social-fascista, de anticomunista primário e de outros epítetos similares que nada têm que ver com a minha posição e com a minha postura. Posso ter cometido erros e cometi-os, efectivamente, ao longo da minha vida política e, designadamente, na última campanha eleitoral, mas “social-fascista”, isto é, socialista nas palavras mas fascista nos actos, e “anticomunista primário”, entre outros desses epítetos, é coisa que não sou, nunca fui e nunca serei.

E o facto desses ataques terem vindo precisamente de alguém que considerava como um verdadeiro Amigo e até como um Pai, constituiu um golpe e uma traição que senti profundamente. Isto, para além da amarga surpresa de assistir a camaradas que considerava como tal, e alguns que me conhecem desde há décadas, a aceitarem assinar textos que eles nunca escreveram por si (mas sim Arnaldo Matos, com o seu estilo inconfundível) com coisas que eles sabiam que eram perfeitas falsidades.

Numa segunda fase, e embora ainda não completamente superado esse autêntico estado de choque, consegui passar a interrogar-me sobre o que realmente estava a acontecer e onde estava o Arnaldo Matos que eu conhecera e com quem tanto aprendera.

Onde estava, na verdade, o Arnaldo Matos que, em 1975, ordenou a Durão Barroso – que apareceu na sede nacional do Partido, na Avenida Álvares Cabral, com uma camionete cheia de mobiliário da Faculdade de Direito – que o fosse de imediato restituir pois no PCTP/MRPP não éramos ladrões e que aquela era uma atitude indigna de comunistas.

Onde estava o Arnaldo Matos que, na noite da morte de Sá Carneiro em Dezembro de 1980, na mesma sede nacional, verberou com veemência alguns camaradas que se vangloriavam da morte daquele, afirmando que os comunistas desejam a derrota política dos seus adversários mas não se vangloriam com a sua morte física?

Onde estava…

Onde estava o Arnaldo Matos que nos dizia que, por mais desagradável ou negativa que a verdade pudesse ser, os marxistas-leninistas não a distorcem, não a falsificam, não a reescrevem?

Onde estava o Arnaldo Matos que sempre defendera a lealdade de actuação, atacando os métodos da intriga, da maquinação e da actuação pelas costas?

Esse era o motivo da minha enorme estupefacção e choque. Porquanto este tipo de posições elevadas de respeito à verdade, lealdade e frontalidade nada tinham que ver com um conjunto de falsas acusações movidas por um ódio absolutamente vesgo que não hesita em malversar, manipular, falsear, consciente e repetidamente a verdade dos factos e desdizendo por completo aquilo que sempre fora sendo dito.

Onde estava o Arnaldo Matos que, não sendo pessoa de tecer elogios, tantos fizera à minha pessoa, ao meu trabalho e à minha actividade ao longo das décadas, não só em termos políticos como pessoais, tanto em privado como em público, em reuniões, sessões, comícios, na sessão de homenagem que me fizeram aos 60 anos, nas cerimónias de lançamento de dois dos meus livros (Ousar sonhar, ousar lutar, ousar vencer! e Um País sob escuta), no discurso de Padrinho do meu casamento, entre inúmeras outras situações?

De facto, eu mal queria crer que se trataria da mesma pessoa e não conseguia compreender o que é que se estava a passar, e que nada tinha que ver com discussão e luta política e ideológica, mas com o mais puro e vesgo ódio pessoal.

Pessoa de princípios que agora utiliza a mentira

Como é que alguém, e mais ainda ESTE alguém, que eu sempre vira como uma Pessoa de princípios, afinal agora usava a mentira, a reescrita e falsificação da História e os ataques pessoais mais infames, incluindo à minha família, como instrumento de uma acção apontada como política?

Foi assim com total estupefacção (e também com enorme e profunda amargura) que fui vendo muitos dos princípios de elevação, de frontalidade, de apego à verdade que aprendera primeiro com a minha Família e que encontrei depois no PCTP/MRPP e no próprio Arnaldo Matos serem por completo abandonados. E, mais, serem substituídos pelo recurso aos ataques pessoais, pela falsificação consciente da verdade dos factos, pela imposição da sinistra concepção de que os fins justificam os meios mais sórdidos e de que a linha de demarcação se passasse a fazer entre os que aceitam fazer tudo, mas mesmo tudo, o que lhes seja ordenado por quem manda, e todos os outros que ousem exprimir a mais leve discordância ou reserva, numa lógica de que quem ouse abrir a boca para exprimir essa reserva ou discordância logo seja insultado e apodado de aliado dos liquidacionistas, na tão velha quanto infelizmente conhecida postura de “Quem não é por mim é contra mim”.

E, não tendo ou sabido ou reflectido sobre toda uma série de factos, a partir de Março de 2015, mas sobretudo a partir de Junho/Julho desse mesmo ano, precisei de tempo para digerir toda esta situação. E essa foi a primeira razão essencial do meu silêncio.

Expurga no Luta Popular de todo o meu trabalho

Com o Luta Popular a ser intencionalmente expurgado de todos os textos e intervenções da minha autoria e de reportagens e comentários relativos à minha pessoa, transformado agora num instrumento, inclusive durante algum tempo praticamente diário, de ataque e de tentativa de homicídio de carácter, quer político, quer pessoal, quer profissional, da minha pessoa, e com a organização do PCTP/MRPP praticamente resumida ao conjunto daqueles que aceitam fazer tudo o que lhes for mandado, ainda que escassos meses ou semanas antes fossem apelidados por Arnaldo Matos de ultra-oportunistas, de traidores, de desertores, de liquidacionistas ou até de filhos da puta, e que, por seu turno, dissessem dele o que Maomé não diz do toucinho, ainda assim entendi manter-me em silêncio.

E ao contrário do que vem falsamente escrito no Luta Popular, NÃO falei nunca, nem directamente nem por interpostas pessoas, com qualquer jornalista ou qualquer pessoa estranha ao Partido, como NÃO escrevi, NÃO encomendei, NÃO ordenei a outros que escrevessem ou assinassem qualquer texto que eu achasse conveniente para o meu interesse. Nem NUNCA pratiquei nem encomendei a quem quer que fosse que praticasse qualquer acto contra o PCTP/MRPP, as suas instalações, meios e instrumentos ou qualquer dos seus membros (isto, mesmo por mais moralmente miserável que eu achasse o comportamento em particular dalguns deles).

Mantive-me, assim, em completo silêncio. E fi-lo de cabeça erguida e de consciência tranquila, precisamente com base nos princípios de que a luta política, por mais dura que ela possa ser, deve ser sempre travada com elevação e com argumentos políticos e ideológicos e não com insultos e ataques pessoais ao visado e até aos seus mais próximos. Que à lama, à calúnia e à mentira se não deve responder com lama, calúnia e mentira. Que as formas e os métodos de actuar são também conteúdo e que o veneno e a indignidade dos meios inquinam irremediavelmente os fins que se dizem prosseguir. Que as ideias justas não temem o debate em condições de igualdade e que se devem conseguir impor pela justiça dos seus próprios argumentos e não por métodos administrativos ou argumentos de autoridade.

Só bastante mais tarde, numa terceira fase, consegui então começar a analisar tudo o que se tinha passado, recorrendo a toda a memória que possuía, juntamente com informações que me foram entretanto chegando, como se de um puzzle, tão complexo quanto penoso, se tratasse, por forma a conseguir perceber o que se tinha passado.

E comecei a tirar daí as minhas conclusões. Mesmo assim, optei por continuar no silêncio para não permitir que se falasse ainda pior do Partido no qual militei durante mais de 40 anos e de cuja militância não me arrependo.

Então, porquê quebrar o silêncio agora?

Uma experiência recente de morte iminente fez-me reflectir sobre muitas coisas da minha vida. E em relação a toda a situação do PCTP/MRPP, essa reflexão tornou muito claras três situações:

Primeiro: a de que antes de partir desta vida não tenho o direito de esconder, ou de permitir que escondam ou distorçam, mas tenho sobretudo o dever, de repor a verdade relativamente a todo um conjunto de factos que têm estado a ser intencionalmente apagados e/ou deturpados no Luta Popular online. E bem mais importantes do que os que se prendem com a minha pessoa, são os que dizem respeito à vida e à história do próprio PCTP/MRPP.

Segundo: a de que esse dever se me impõe por respeito aos camaradas, militantes, simpatizantes e amigos do PCTP/MRPP que ao longo dos anos têm votado nas candidaturas do Partido e na minha pessoa como cabeça de lista de muitas delas. Devo, aos 60 mil votantes que permitiram ao PCTP/MRPP obter a subvenção, uma explicação. Como a devo a todos os que aceitaram os meus convites para fazerem parte daquelas candidaturas. A todos os que aceitaram, a meu pedido, fazerem parte das respectivas comissões de honra. A todos os operários e trabalhadores deste País. A todos os cidadãos que me viram defensor e propagandista de ideias e propostas que, infelizmente, nunca se conseguiram levar até ao Parlamento. Por mim? Não, nunca! Fosse meu desejo pessoal sentar-me no hemiciclo ou ter outras benesses e há muito que teria optado por trilhar outros caminhos.

Terceiro: Não posso continuar a ignorar situações que me revolvem as entranhas, não apenas a mim mas a todos quantos conhecem minimamente a História e não aceitam deturpá-la. Ao contrário do que sucedeu com diversos apoiantes de Arnaldo Matos, eu NÃO passei a ser amigo do José Manuel Coelho nem fui, ao contrário do que fez Arnaldo Matos, poucos dias antes do julgamento daquele, desistir da queixa apresentada por ambos contra ele por nos ter apelidado de agentes da CIA. E, ao contrário das ordens dadas a Arnaldo Matos a alguns dos seus seguidores, NÃO espiei, nem fiz espiar, os movimentos, horários e rotinas de quem quer que fosse, como NÃO fiz ou mandei fazer cartas ou telefonemas anónimos provocadores ou ameaçadores nem sugeri, propus ou ordenei a aplicação de “justos correctivos” quando possível contra quem quer que fosse.

Hora de repor a verdade

Assim, por estas três razões essenciais, acredito que é chegada a hora de repor a verdade. Com a dignidade, a seriedade e a humildade que a deve caracterizar. Sem insultos. Sem baixarias como aquelas de que tenho sido consecutivamente alvo. Sem ofensas pessoais. E principalmente sem revelar um único facto sobre a vida pessoal e profissional de Arnaldo Matos, que conheço, e muito bem, desde há décadas. Essa será pelo menos a minha grande vitória sobre a indignidade e a mentira. Assim, tudo o que conheço, tudo o que vivi, tudo o que sei sobre a sua família, assim como tudo o que os Amigos me contam, ficará para sempre comigo e enquanto tiver um sopro de vida recusar-me-ei sempre a usá-lo para quaisquer fins. Jamais actuarei, e muito menos pedirei ou ordenarei a outros que actuem, para destruir alguém não só política, mas também pessoal e profissionalmente, dizendo ou escrevendo atoardas que se sabe perfeitamente serem falsas mas que visam atingir tal resultado.

Arnaldo Matos conhece-me. Bem. Muito bem. Demasiado bem para conhecer exactamente esta minha atitude e, como se vê, fazer uso disso. Mas, nem perante essa dificuldade e desigualdade de armas e de métodos, eu mudarei a minha posição, aguardando que a verdade venha ao de cima e que cada um retire as suas conclusões.

Seguem-se por isso uma série de textos, escritos por mim, todos com muito custo, sobre vários temas acerca dos quais se tem vindo a mentir tão descarada quanto intencionalmente no Luta Popular online e a procurar, a todo o transe, reescrever e falsificar a História.

Porque só a VERDADE é revolucionária!

António Garcia Pereira

NOTA: Não posso deixar de aqui fazer dois agradecimentos. O primeiro, a todos os camaradas e amigos que, apesar das mensagens de apoio e solidariedade que me enviaram (e algumas delas tocaram-me bem fundo) quando tudo isto começou a ocorrer, não insistiram no contacto com a minha pessoa durante a minha fase de silêncio, mesmo não concordando com ela ou mesmo não a compreendendo na totalidade, e que, quando eu me decidi a repor a verdade dos factos, me ajudaram fornecendo-me informação e documentos que agora aqui publico e que são preciosos para que a verdade dos factos não fique mais no escuro e para que não seja falseada a História do Partido onde todos militámos com tanto orgulho. A todos vós, o meu mais sincero: OBRIGADO, CAMARADAS!

O segundo, aos meus Amigos, pelo seu apoio e compreensão, mesmo que silenciosos, às vezes feitos de simples olhares ou singelos e tão mudos quanto apertados abraços, e aos meus filhos e à minha companheira por tudo aquilo por que têm passado e por nunca, mas nunca, terem deixado de estar ao meu lado, mesmo quando atacados e insultados das formas mais sórdidas, como sucedeu com a minha companheira Sandra e com a minha filha Rita. OBRIGADO!


Filme recomendado - "I Am Not Your Negro"



Realização de Raoul Peck

domingo, 21 de maio de 2017

Livro recomendado - "4321"



Lettre de René Char à Albert Camus


Albert Camus restera comme une figure singulière dans la culture et l’histoire : immense écrivain, penseur à la fois engagé et en rupture avec son époque et, fait rare, homme d’exception, à la hauteur d’une œuvre lumineuse et nécessaire. Son chemin aura croisé l’aventure d’un autre homme d’exception, René Char, poète sibyllin et résistant.

Briançon

Mon cher Albert,

Mon impatience de re-lire votre Homme révolté est si grande que je vous prie, dès le livre paru, de m’en faire adresser — par J.Bon — un exemplaire ici : la date de parution doit être très proche maintenant. Merci d’y penser. Merci du secours.

Je tâche de perdre à 1300 m d’altitude de l’ankylose rhumatisante qui m’a bien ennuyé à Paris cet été ! J’y parviens presque. Mais il fait froid déjà et la montagne ne donne plus rien. Dans une dizaine de jours, j’irai à L’Isle et je reviendrai à Paris début novembre.

Cher Albert je voudrais vous redire combien votre existence me rassure et m’éclaire. C’est dans mon affection pour vous que ce sentiment passe et dans mon admiration pour votre œuvre, ma constante compagne.

Mes amitiés à France, je vous prie.
Pensées aux enfants,
De tout cœur avec vous

René Char

terça-feira, 16 de maio de 2017

16 de maio de 1943 - Levante no Gueto de Varsóvia


Em 19 de abril de 1943 , reunindo comunistas, sionistas e socialistas judeus, começava no Gueto de Varsóvia a primeira revolta armada desencadeada por civis no interior da Europa ocupada pelos nazistas.  A ação durou até 16 de maio.

"THE SYRIAN CAUSE AND ANTI-IMPERIALISM" - Yassin Al-Haj Saleh



In memory of Michel Seurat, our martyr.

I was in Istanbul for about ten days when I met a Turkish communist who explained to me that what was going on in Syria was nothing but an imperialist conspiracy against a progressive, anti-imperialist regime. The Turkish comrade’s talk contained no novel information or analytical spark that could suggest something useful about my country, and everything I tried to say seemed utterly useless. I was the Syrian who left his country for the first time at the age of fifty-two, only to be lectured about what was really happening there from someone who has probably only visited Syria a few times, if at all.

Clássicos do Cinema - "The Water Magician"


No aniversário de Kenji Mizoguchi

quarta-feira, 10 de maio de 2017

"Do sonho e da terra" - Ailton Krenak


Fui ver e ouvir Ailton Krenak no passado dia 6. A sua conferência Do sonho e da terra está inserida no arquipélago Questões indígenas: ecologia, terra e saberes ameríndios do ciclo Utopias do Teatro Maria Matos.

Uma experiência única. A forma como Ailton nos transmitiu a sua experiência de vida e a nos fez compreender a luta e a forma de estar dos povos indígenas só pode ser qualificada como inexcedível. Um comunicador pausado, racional, emotivo. Cada palavra está no sítio certo, pensada para nos transmitir exatamente o que é preciso. Aprendi muito e também fiquei a perceber muito melhor esta luta que é de todos. A luta de homens que encaram a natureza de uma maneira diferente da nossa, mas que também pode ser a nossa. Uma natureza espiritual, feita de comunhão, em que os rios, a terra e as montanhas são a nossa família e a nossa razão de existir.

Uma grande lição.

Desfrute aqui desta lição de vida.

Ailton pertence ao povo Krenak cuja luta pode ser melhor compreendida através deste documentário:




"The meaning of life in a world without work"


As technology renders jobs obsolete, what will keep us busy? Sapiens authorYuval Noah Harari examines ‘the useless class’ and a new quest for purpose

Portugal na imprensa estrangeira - "In Portugal’s mountains, an ecotourist haven rises from abandoned stone villages"


Why would a young, dynamic person pack up and leave buzzing Lisbon for a life in a dilapidated stone hamlet with just 40 residents? It didn’t take long for my guide, Pedro Pedrosa, an environmentally conscious entrepreneur and avid mountain biker, to make the case. I was instantly enamored with my accommodation, a contemporary cottage stocked with homemade cheese and fresh-baked bread, and with the hamlet’s serene picnic spot where tables were nestled in a cluster of cork trees.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

"The Most Influential Images of All Time" - 10: David Jackson


Emmett Till - David Jackson

In August 1955, Emmett Till, a black teenager from Chicago, was visiting relatives in Mississippi when he stopped at Bryant’s Grocery and Meat Market. There he encountered Carolyn Bryant, a white woman. Whether Till really flirted with Bryant or whistled at her isn’t known. But what happened four days later is. Bryant’s husband Roy and his half brother, J.W. Milam, seized the 14-year-old from his great-uncle’s house. The pair then beat Till, shot him, and strung barbed wire and a 75-pound metal fan around his neck and dumped the lifeless body in the Tallahatchie River. A white jury quickly acquitted the men, with one juror saying it had taken so long only because they had to break to drink some pop. When Till’s mother Mamie came to identify her son, she told the funeral director, “Let the people see what I’ve seen.” She brought him home to Chicago and insisted on an open casket. Tens of thousands filed past Till’s remains, but it was the publication of the searing funeral image in Jet, with a stoic Mamie gazing at her murdered child’s ravaged body, that forced the world to reckon with the brutality of American racism. For almost a century, African Americans were lynched with regularity and impunity. Now, thanks to a mother’s determination to expose the barbarousness of the crime, the public could no longer pretend to ignore what they couldn’t see.