quinta-feira, 22 de junho de 2017

Hoje é dia de Judy Garland




Judy Garland

"The Most Influential Images of All Time" - 13: Lewis Hine


Cotton Mill Girl - Lewis Hine

Working as an investigative photographer for the National Child Labor Committee, Lewis Hine believed that images of child labor would force citizens to demand change. The muckraker conned his way into mills and factories from Massachusetts to South Carolina by posing as a Bible seller, insurance agent or industrial photographer in order to tell the plight of nearly 2 million children. Carting around a large-format camera and jotting down information in a hidden notebook, Hine recorded children laboring in meatpacking houses, coal mines and canneries, and in November 1908 he came upon Sadie Pfeifer, who embodied the world he exposed. A 48-inch-tall wisp of a girl, she was “one of the many small children at work” manning a gargantuan cotton-­spinning machine in ­Lancaster, S.C. Since Hine often had to lie to get his shots, he made “double-sure that my photo data was 100% pure—no retouching or fakery of any kind.” His images of children as young as 8 dwarfed by the cogs of a cold, mechanized universe squarely set the horrors of child labor before the public, leading to regulatory legislation and cutting the number of child laborers nearly in half from 1910 to 1920.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Parabéns Chico!




Chico

"Casamance : A Cabrousse, dans la cité des vieilles veuves" -


L’héroïne Aline Sitoé Diatta est une figure très connue. Son royaume, Cabrousse, lui doit sa célébrité. Mais la Cité des vieilles veuves de Cabrousse est méconnue de beaucoup de Sénégalais y compris ceux de la région de Ziguinchor. Au centre de Kabrousse, un bloc de maisons se détache de la succession de concessions : c’est la Cité des vieilles veuves. C’est une tradition typique du Kabrousse. Ici, on se garde d’appeler hospice pour ne pas entretenir la confusion. Ce ne sont pas des maisons de retraite. Au royaume d’Aline Sitoé Diatta, les hommes n’osent pas reléguer ces vieilles mères à l’arrière-plan. La Cité des vieilles veuves a ses fonctions sociales qui ne sont pas toujours très connues. - See more at: http://www.lesoleil.sn/grand-air/item/59791-casamance-a-cabrousse-dans-la-cite-des-vieilles-veuves.html#sthash.Ho2BZJFq.dpuf

Livro recomendado - "Os anagramas de Varsóvia"


domingo, 18 de junho de 2017

Assim vai a Europa! - "Macron consegue maioria absoluta nas legislativas em França"


É uma pena! A República em Marcha e aliados do MoDem devem eleger 355 dos 577 deputados. Le Pen eleita deputada. Líder dos socialistas demitiu-se.

Pelo menos há uma boa notícia: a FN só conseguiu 8 deputados.

"Glad to be gay: the story of the filming of David Is Homosexual"


Ray Crossley looks back over his lifetime love affair with Wilfred Avery, and their involvement in making a landmark film in summer 1976

"How Equatorial Guinea Turned Corruption into an Art Form"


For the past two decades, Equatorial Guinea has been one of Africa’s largest oil producers and on paper, it is a middle-income economy. Yet instead of spending the country’s oil riches on improving life for ordinary Equatorial Guineans, the government has squandered its enormous wealth on questionable infrastructure projects – highways to nowhere, empty 5-star hotels – where corruption is rife. A new Human Rights Watch report has found that a combination of gross mismanagement and high-level corruption has left the country’s health and education sectors on their knees, and among the worst on the continent. And as Researcher Sarah Saadoun tells Stephanie Hancock, with oil production in the country already in decline, the government has little time left to reverse course.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Dia Mundial do dador de sangue - 14 de junho



Durante muitos anos dei sangue, plasma, tudo o que pudesse. Infelizmente, uma doença impediu-me, até à idade limite, de não o poder fazer mais. Foi um grande desgosto, pois estes eram os dias em que mais útil me sentia face à sociedade.

Dê sangue! Não custa nada.

Salvatore Quasimodo - m. 14/06/1968


Sei ancora quello della pietra e della fionda,
uomo del mio tempo. Eri nella carlinga,
con le ali maligne, le meridiane di morte,
t’ho visto – dentro il carro di fuoco, alle forche,
alle ruote di tortura. T’ho visto: eri tu,
con la tua scienza esatta persuasa allo sterminio,
senza amore, senza Cristo. Hai ucciso ancora,
come sempre, come uccisero i padri, come uccisero
gli animali che ti videro per la prima volta.
E questo sangue odora come nel giorno
Quando il fratello disse all’altro fratello:
«Andiamo ai campi». E quell’eco fredda, tenace,
è giunta fino a te, dentro la tua giornata.
Dimenticate, o figli, le nuvole di sangue
Salite dalla terra, dimenticate i padri:
le loro tombe affondano nella cenere,
gli uccelli neri, il vento, coprono il loro cuore.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Alípio de Freitas - uma entrevista



Zeca e Alípio



Entrevista:

"Os pais mataram e torturaram, eles querem sarar"


Na Argentina, onde a ditadura militar dos anos 70 e 80 ainda é tema de amplo debate, um novo grupo levantou a voz. São os filhos de antigos repressores a quebrarem o silêncio para “contribuir com a memória coletiva”. Reunidos sob o nome de “Historias Desobedientes”, eles escaparam também a um inferno pessoal.

Historias desobedientes

Fernando Pessoa - 13/06/1888



Não Digas Nada!

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Zé Povinho


A 12 de junho de 1875 nasceu o Zé Povinho pela mão de Rafael Bordalo Pinheiro no periódico A Lanterna mágica.

Esta é a publicação original.

"You Will Never Get Your Country Back" - Michael Starr Hopkins


Please read carefully, because I don’t want you to miss a single word.

Dia Mundial contra o trabalho infantil


Globally over 1.5 billion people live in countries that are affected by conflict, violence and fragility. At the same time, around 200 million people are affected by disasters every year. A third of them are children. A significant proportion of the 168 million children engaged in child labour live in areas affected by conflict and disaster. The World Day Against Child Labour this year will focus on the impact of conflicts and disasters on child labour.

domingo, 11 de junho de 2017

"Who’s enemy number one?" - Pervez Hoodbhoy


Only a miracle can now prevent Pakistan from becoming 400 million people in around 35 years.

"Segurança na reforma começa no emprego" - Sandra Monteiro



Os debates em torno do sistema de Segurança Social oscilam muitas vezes entre um discurso demasiado técnico e pormenorizado, que acaba por não ser acompanhado por todos, e um discurso quase escatológico, cheio de ameaças sobre um futuro próximo no qual supostas inevitabilidades demográficas e económicas ditariam o fim da segurança na reforma. Se o primeiro discurso tem estado ao serviço do distanciamento dos cidadãos em relação à compreensão deste subsistema, o segundo tem actuado no sentido de favorecer a sua privatização ou, pelo menos, de que lhe sejam aplicadas complexas engenharias neoliberais.

Hoje, com a Segurança Social a registar saldos positivos em Portugal, e depois da experiência acumulada com as falências de fundos de pensões e com a crise financeira, não é fácil convencer os cidadãos a desistirem de um sistema de previdência público e assente na solidariedade inter-geracional entre trabalhadores e pensionistas. Mas, depois de revertidos os cortes nas prestações e de serem resolvidas situações de evidente injustiça social, como as que penalizam as carreiras contributivas mais longas, há ainda muito a reflectir e a fazer para tornar o sistema mais justo e mais sustentável. É aqui que as evoluções na Segurança Social e no campo do emprego são determinantes, e interagem umas sobre as outras.

Na sequência do trabalho em curso na maioria que sustenta o governo sobre a Segurança Social e as novas regras para as pensões antecipadas (acesso, penalizações e bonificações), multiplicaram-se no mês de Maio notícias que vieram lembrar uma norma em vigor: a idade legal da reforma sobe todos os anos, em virtude de ter sido indexada ao aumento da esperança de vida, através de uma fórmula que define também o montante das penalizações que se aplicam em caso de ser accionada a reforma antecipada. Esta alteração não é nova. Foi a Lei n.º4/2007, de 16 de Janeiro, que aprovou as bases gerais do sistema de Segurança Social, que introduziu (artigo 64ª) esta indexação, por via do chamado «factor de sustentabilidade». Passados dez anos, quando a idade da reforma está já nos 66 anos e 3 meses, e quando é previsível um aumento de um a dois meses, a cada ano que passa, para que um trabalhador atinja a idade legal de se aposentar, o que mudou talvez foi o olhar que os cidadãos têm sobre esta construção social. Com efeito, esta construção envolve muito mais do que a Segurança Social e induz a que se pense toda a organização social.

A primeira interrogação prende-se com o rumo de uma sociedade em que as escolhas políticas parecem ser crescentemente substituídas por decisões técnicas. Num passado ainda recente, os trabalhadores e os seus movimentos sociais tinham bandeiras claras como a diminuição da idade da reforma, traduzível num número redondo que era facilmente comunicável. Agora, a complexidade técnica da medida – desta como doutras – parece desenhada para a ocultação da realidade e para a dificuldade de a transformar. Mas há mais: de repente, parece que, sem proposta nem conflito dignos desses nomes numa sociedade democrática, uma «indexação» decidiu que todos os ganhos em tempo de vida colectivamente conseguidos pela sociedade – e que não são fáceis nem adquiridos para sempre, como se vê pelas regiões do planeta em que a esperança média de vida está a regredir –, ganhos esses que se medem em avanços científicos, na melhoria do saneamento básico ou do Serviço Nacional de Saúde, têm de ser entregues, de bandeja, ao tempo de trabalho. É como se o combate pela repartição dos ganhos de produtividade que ocorrem na esfera laboral tivesse dado mais um salto, surdo, em prejuízo dos trabalhadores. Achamos mesmo que o tempo de vida colectivamente arrancado à morte deve ser gasto a trabalhar?

A questão torna-se hoje particularmente pertinente, quando surge a jusante de uma paisagem social que, a montante, padece do desequilíbrio oposto. A sociedade que obriga os mais velhos a trabalharem até cada vez mais tarde é exactamente a mesma que obriga os mais novos (e muitos já não assim tão novos) a terem carreiras contributivas marcadas por períodos de trabalho e períodos de inactividade, bem como por descontos tendencialmente baixos, quando não mesmo inexistentes durante longos anos. Para os mais velhos, o período da reforma já é tantas vezes vivido como um tempo de redução dos rendimentos, e portanto de maior risco de pobreza, que não podem verdadeiramente colocar a hipótese da antecipação e consequentes penalizações. Indexar a idade da reforma à esperança média de vida é, em países de baixos salários como Portugal, impor um aumento da idade da reforma; não é proporcionar a escolha da reforma antecipada – e sê-lo-á cada vez menos para os futuros pensionistas. Para os mais novos, pensar no momento da reforma assemelha-se cada vez mais a imaginar um futuro de pobreza, risco que aumentará se se afrouxar a vinculação das pensões a um direito formado a partir do trabalho e garantido de forma incondicional aos trabalhadores, rumo que depressa levaria a derivas assistencialistas.

Apetece dizer que não há racionalidade nesta contradição entre fazer trabalhar demais e durante demasiado tempo uns, por um lado, e fazer com que outros sejam sistematicamente arredados de empregos com direitos, com rendimentos estáveis e ritmos de trabalho razoáveis, reproduzindo do mundo do trabalho até à formação das pensões as situações de desigualdade e de pobreza que continuam a marcar dramaticamente a sociedade portuguesa. Mas, em rigor, alguma racionalidade existe: trata-se é da racionalidade neoliberal e não da que orienta objectivos de justiça social. E o que une a condição imposta a todas as gerações envolvidas é a fabricação de modos de degradar o seu rendimento disponível e as suas condições de vida.

As formas de solidariedade que importa pensar se queremos defender uma maior justiça e sustentabilidade na Segurança Social passam, por isso, por articulações entre o que se passa no seu interior e o que ocorre no mundo do trabalho. Não é possível fazer muito mais do que remendos no sistema de Segurança Social sem regressar a objectivos de pleno emprego e sem colocar no centro das políticas de emprego o combate a um sistema que continua a estar assente em baixos salários, em trabalho sem direitos, em carreiras contributivas interrompidas, em baixos descontos, em sindicatos frágeis e em ataques à negociação colectiva. Não é este o retrato que continua a caracterizar o país quando, mesmo no actual contexto de aumento do emprego, olhamos para o tipo de emprego criado e vemos salários a aproximarem-se do salário mínimo, contratos precários, etc.? Ou quando olhamos para um desemprego que baixa, é certo, mas continua próximo dos 10%, mesmo com o quadro de emigração maciça que conhecemos nos últimos anos?

A vinculação da segurança na reforma à segurança no trabalho, com a correspondente articulação de políticas públicas nas duas áreas, vai sem dúvida continuar a suscitar a oposição de instituições europeias e internacionais, marcadamente neoliberais. Mas sem essa vinculação a orientar as escolhas políticas depressa se resvala para a substituição do Estado social por um regime assistencialista. Um regime que começa por trocar o direito ao trabalho digno, e para todos, pela exploração crescente de um exército de desempregados, precários e trabalhadores pobres, para acabar a gerir uma sociedade com cada vez mais pobres, quando em vez disso devia ter sido travado, logo no emprego, um combate tenaz às desigualdades.

quarta-feira 7 de Junho de 2017

"Le Brexit a fait remonter les plus bas instincts" - Ian McEwan


Le grand écrivain britannique, en plein traumatisme post-Brexit, n’attend rien des législatives qui se sont tenues jeudi au Royaume-Uni. Mais il garde espoir en une jeunesse prête à reprendre le combat européen.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Os 50 melhores discos da música brasileira - 39



"Os anos loucos" - Serge Halimi

Aos olhos deles, a tempestade passou, a eleição de Donald Trump e o Brexit quase estão esconjurados. A ampla vitória de Emmanuel Macron entusiasmou os meios dirigentes da União Europeia. Um dos seus comentadores ajuramentados, ronronando de felicidade, considerou mesmo que se tratava do «primeiro golpe decisivo contra a vaga populista». Aproveitar o momento para fazer passar em força o programa neoliberal da Comissão Europeia entusiasma, portanto, os novos governantes franceses, que têm em mira o Código do Trabalho. Uma orientação política idêntica será agora representada em Paris por um homem mais jovem, mais culto e menos radicalmente desprovido de imaginação e de carisma do que o seu antecessor. Os milagres da comunicação e do «voto útil» permitem travestir esta ligeira mudança e apresentá-la como uma viragem histórica que abre caminho a toda a audácia. O apagamento da clivagem entre os dois campos, de que se faz chantre uma comunicação social ocidental à beira de desfalecer perante o seu mais recente prodígio, é também uma fantasia. Com efeito, desde 1983 que a esquerda e a direita francesas aplicam, à vez, a mesma política. Doravante, sectores de uma e de outra vão encontrar-se num mesmo governo. No futuro encontrar-se-ão numa mesma maioria parlamentar. Ganha-se em clareza, mas não mais do que isso.

A incrustação no poder de uma direita espanhola corrupta, a vitória dos liberais nos Países Baixos, e o novo contrato governamental prometido, talvez de forma imprudente, aos conservadores britânicos e alemães sugerem que o tempo das cóleras que marcou o ano passado pode ter perdido fôlego, por falta de saídas políticas. A eleição de Macron, tendo como pano de fundo a bandeira azul e dourada e a sua visita imediata a Berlim, assinalam em todo o caso que as grandes orientações europeias defendidas pela chanceler Angela Merkel serão vigorosamente reconduzidas. Para os gregos, essas orientações acabam de conduzir a um corte de 9% das suas pensões de reforma; os peritos já só discordam no momento de determinar se se trata do décimo terceiro ou do décimo quarto corte do género. Quanto a Donald Trump, que tem tido alguns arrebatamentos e fanfarronices capazes de preocupar por alguns momentos as diplomacias ocidentais, diga-se que a normalização da sua presidência está bastante avançada; em caso de necessidade, o seu impedimento (impeachement) está também organizado. Para garantir a completa serenidade dos timoneiros do velho mundo já só falta um regresso ao poder de Matteo Renzi, em Itália, nos próximos meses.

Durante a década de 1920, constatando que depois de uma era de greves e de revoluções a maior parte dos Estados europeus – em particular o Reino Unido e a Alemanha – haviam recuperado a sua velocidade de cruzeiro, a Internacional Comunista teve de admitir a «estabilização do capitalismo». Ainda assim, empenhada em não desarmar, em Setembro de 1928 a organização anunciou que a acalmia seria «parcial, temporária e precária». O anúncio pareceu mecânico, senão mesmo um palavreado inútil. Vivia-se a euforia dos possidentes, os Anos Loucos. A «quinta-feira negra» de Wall Street rebentou passado um ano.

quarta-feira 7 de Junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

"Trump’s Rogue America" - Joseph E. Stiglitz


Donald Trump has thrown a hand grenade into the global economic architecture that was so painstakingly constructed in the years after World War II’s end. The attempted destruction of this rules-based system of global governance – now manifested in Trump’s withdrawal of the United States from the 2015 Paris climate agreement – is just the latest aspect of the US president’s assault on our basic system of values and institutions.

Dia mundial do ambiente






"Filipinos Flee Duterte’s Violent Drug Crackdown" - Aurora Almendral


Every morning before dawn, Rosario Perez checks to make sure her sons are still alive. The three brothers, all in their 20s, sleep at the houses of friends and relatives, moving regularly, hoping that whoever may have been assigned to kill them won’t catch up with them.

domingo, 4 de junho de 2017

Lettre de Franz Kafka à Milena


En 1919, la jeune pragoise Milena Jesenská, qui connaît parfaitement l’allemand, découvre par hasard une nouvelle de Franz Kafka (3 juillet 1883 – 3 juin 1924). Elle écrit à l’auteur pour lui demander l’autorisation de la traduire en tchèque. C’est le début d’une correspondance intense entre la journaliste et l’écrivain, aujourd’hui disponible en français sous le nom de Lettres à Milena. Malheureusement leur relation est aussi courte que passionnée ; les angoisses existentielles de Kafka s’accommodent mal du tempérament hyperactif de Milena… et du fait qu’elle soit déjà mariée. La lettre suivante évoque un différend entre eux portant sur une question d’argent ; Milena, généreuse jusqu’à l’excès selon les dires de sa fille et biographe, reprochait à Kafka de ne pas l’être du tout.

Je ne me bats plus avec ton mari pour te conquérir, le combat n’a lieu qu’en toi-même ; si la décision ne dépendait que d’une lutte entre ton mari et moi, tout serait réglé depuis longtemps. Ce n’est pas surestimer ton mari, je le sous-estime même probablement, mais je sais ceci : que s’il m’aime, c’est de l’amour du riche pour la pauvreté (il y a de cela aussi dans nos rapports). Dans l’atmosphère de notre existence commune, je ne suis qu’une souris dans le coin d’une « grande maison », une souris à laquelle on permet tout au plus une fois par an de traverser le tapis.


Voilà ce qui est, et c’est tout naturel, je ne m’en étonne pas. Ce dont je m’étonne, et qui est sans doute inexplicable, c’est que toi, toi qui vis dans ce « grand train de maison », qui lui appartiens toute entière, qui tires de lui le plus clair de tes forces, qui y es reine, tu aies quand même — je le sais parfaitement — la possibilité […] non seulement de m’aimer mais d’être à moi, de traverser ton propre tapis.

Mais ce n’est pas encore le clou de l’inconcevable. Le clou, c’est que si tu voulais venir à moi, si tu voulais, — pour parler « musicien » — renoncer au monde entier pour descendre jusqu’à moi, si bas que de ton point de vue on n’en aperçoit que peu de chose, et non seulement peu, mais rien, tu serais obligée — étrange, étrange affaire ! — non de descendre mais de t’élever surhumainement, bien au-dessus, si fort que tu risquerais de te briser, de tomber et de disparaître (et moi avec, bien entendu !). Et tout cela pour parvenir dans un endroit où rien n’attire où je reste sans bonheur comme aussi sans malheur, sans mérite comme sans faute, uniquement parce que j’y ai été placé. Sur l’échelle de l’humanité je suis quelque chose comme un petit épicier d’avant-guerre dans tes faubourgs (même pas un ménétrier, même pas) ; même si j’avais conquis moi-même cette situation — mais je ne l’ai pas conquise — ce ne serait pas un mérite. […]

Tu m’écris que tu viendras peut-être à Prague le mois prochain. J’ai presque envie de te dire : ne viens pas. Laisse-moi l’espoir que si, un jour, je te demande de venir quand je serai dans la pire détresse, tu arriveras immédiatement, mais maintenant il vaut mieux que tu ne viennes pas.. Tu serais obligée de repartir.

En ce qui concerne la mendiante, il n’y avait sans doute dans ce que j’ai fait rien de bien ni de mal. J’étais seulement trop distrait ou trop occupé avec quelqu’un pour pouvoir régler mes actions sur autre chose que sur de vagues souvenirs. Et l’un d’entre eux dit par exemple : « Ne donne pas trop à une mendiante, tu le regretterais ensuite. » Une fois, quand j’étais tout enfant, j’avais reçu une pièce de dix kreutzers et je brûlais de la donner à une vieille mendiante qui se tenait toujours assise entre le grand et le petit Ring. Mais la somme me semblait énorme ; jamais on n’avait dû donner une telle somme à un mendiant ; je rougissais donc devant cette femme de faire un geste si monstrueux. Il me fallait pourtant donner mes dix kreutzers ; je changeai donc ma petite pièce, je donnai un kreutzer à la vieille, fis en courant le tour du bloc qui est formé par l’hôtel de ville et l’allée en berceau qui longe le petit Ring, et je ressortis sur la gauche comme si j’étais un nouveau bienfaiteur ; je donnais encore un kreutzer à la femme, et reprenant mes jambes à mon cou, je répétai dix fois ce manège avec succès (peut-être un peu moins de dix fois, car je crois que la mendiante perdit patience et s’en alla). En tout cas, à la fin, j’étais si épuisé, même moralement, que je rentrai au plus vite et pleurai jusqu’à ce que ma mère m’eut remplacé mes dix kreutzers.

Tu vois que je n’ai pas de chance avec les mendiants, mais je me déclare prêt à verser lentement tout mon avoir présent et à venir en petites coupures de Vienne (les plus petites qui puissent exister) entre les mains d’une mendiante de l’Opéra, à la condition que tu sois là et que je puisse sentir ta présence.

Franz

"Miseria, hambre, abusos y una enorme frustración, el rostro de la crisis en Venezuela" - Daniel Vittar


El salario básico suma 10 dólares. Y se necesitan 19 sueldos cada mes para pagar lo mínimo. Eso tampoco es posible por el desabastecimiento y la hiperinflación.

"Second-hand Europe: Ukrainian immigrants in Poland" - Kaja Puto


There are already over a million Ukrainians working in Poland. Despite a rise in xenophobic attitudes, their number could grow.