Mostrar mensagens com a etiqueta CGTP-IN. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CGTP-IN. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"O DESPREZO PELOS MANIFESTANTES DA CGTP" - José Pacheco Pereira

Excelente!

Uma coisa que mostra como quem está do lado do poder não percebe (ou melhor não quer perceber), o que está a acontecer em Portugal, é o modo como exibem um racismo social com os manifestantes da CGTP, tão patente nos comentários à saga da ponte. Pode não ser deliberado, mas sai-lhes do fundo, naturalmente. Os filhos dos comentadores e opinadores podem ir às manifestações dos “indignados”, que são aceitáveis, engraçadas e chiques, e que tem muita cultura e imaginação, mas nenhum irá às da CGTP. Eles “são sempre o mesmo”, ou “mais do mesmo”, eles são “pouco criativos” que insistem em fazer manifestações “que não adiantam nada”. Eles são “os feios, os porcos e os maus”. 

Os manifestantes da CGTP não são da classe social certa, não ambicionam ir tomar chá com Ricardo Salgado, ou ir comer aos restaurantes da moda, não são frequentáveis e, ainda pior, não se deixam frequentar. Têm, muitos deles, uma vida inteira de trabalho e de muitas dificuldades. Tem um curso, uma pós-graduação e um doutoramento em dificuldades. São velhos, um anátema nos nossos dias. Tiveram ou tem profissões sobre as quais os jornalistas da capital não sabem nada, foram corticeiros, mineiros, soldadores, torneiros, mecânicos, condutores de máquinas, pedreiros, ensacadores, motoristas, afinadores, estivadores, marinheiros, operários têxteis, ourives, estofadores, cortadores de carnes, empregados de mesa, auxiliares educativos, empregadas de limpeza, etc., etc. Foram e são cozinheiros e cozinheiras em cantinas, e não chefs. E foram ou são, professores, funcionários públicos, enfermeiros, contabilistas.

Este desprezo social é chocante quando é feito por quem tem acesso ao espaço público e que trata os portugueses que se manifestam, - e, seja por que critério, são muitos, pelo menos muitos mais, muitíssimos mais dos que estariam dispostos a vir para rua pelo governo, – como uma “massa de manobra” do PCP, que merece uma espécie de enjoo distanciado, umas ironias de mau gosto e um gueto intelectual. Façam vocês o que fizerem, “não contam”. Vocês são umas centenas de milhares, vocês são “activistas” e por isso se vêem muito (quem não se vê nada são os do “outro lado”), mas “não contam” para nada. Existirem ou desaparecerem é a mesma coisa, nenhum dos “de cima” se pode ou deve preocupar convosco. Votam em partidos anacrónicos, têm hábitos plebeus, vão fazer campismo de férias, fazem excursões organizadas pelas autarquias, jogam a sueca, as mulheres passam-se pelo Tony Carreira e todos acham que tem direitos. Vejam lá, imaginem lá o abuso, acham que tem direitos… Eles são os maus portugueses, os que estão de fora do “arco governativo”, os que não percebem o "estado de emergência financeira", aqueles cujos "interesses" bloqueiam o nosso radioso empreendedorismo.

Tudo isso é verdade, e tudo isso é mentira. Estes portugueses fora de moda e fora das modas, pelo menos tem o enorme mérito de sentirem um agudo sentimento de injustiça, eles que sabem mais da vida real, concreta, vivida do que todos os seus críticos juntos. Não é a eles que se pode dar lições de trabalho, nem de esbanjamento, nem de perseverança, nem de sacrifício. Pode-se discordar deles, mas merecem respeito. Pelo que foram, pelo que são e porque não se ficam.


Daqui.

domingo, 23 de setembro de 2012

Manifestações, Conselho de Estado e Conclusões


Depois de duas manifestações com milhares de pessoas em todo o país, as coisas mudaram. O governo, tudo indica, recuou no agravamento da TSU. Nada será como dantes!

Comunicado do Conselho de Estado:

1. O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, nos termos do artigo 145º, alínea e), da Constituição, com vista a debater o tema Portugal no contexto da crise da Zona Euro.

2. Nesta reunião do Conselho de Estado, que contou com a presença de todos os seus membros, aquele órgão consultivo do Presidente da República analisou a situação de incerteza que se verifica na União Económica e Monetária, nomeadamente em resultado da crise sistémica das dívidas soberanas, e os seus reflexos na realidade económica, financeira, social e política do País.

3. Portugal, no quadro do Programa de Assistência Financeira com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, assumiu compromissos exigentes, quer no sentido de sanear as suas finanças públicas e de criar condições para o pagamento das suas dívidas, quer no sentido de reformar a estrutura da sua economia, para que esta possa crescer com solidez, criar emprego e reduzir a dependência externa.
O consenso político em torno daquele Programa constituiu-se em garantia de que Portugal honrará os seus compromissos e revelou-se uma importante vantagem no plano internacional.

4. Os Conselheiros de Estado reconheceram que, na actual conjuntura, a salvaguarda do superior interesse nacional assenta no cumprimento das exigentes metas que o Estado português subscreveu.

5. No momento em que, na Assembleia da República, decorrem os trabalhos para a aprovação do Orçamento do Estado para 2012, o Conselho de Estado apela a todas as forças políticas e sociais para que impere um espírito de diálogo construtivo capaz de assegurar os entendimentos que melhor sirvam os interesses do País, quer a estabilização financeira, quer o crescimento económico, a criação de emprego e a preservação da coesão social.

6. O Conselho de Estado manifestou ainda a sua confiança em que Portugal saberá estar à altura dos desafios que tem à sua frente e em que será uma voz activa em defesa da moeda única e do reforço dos princípios da coesão e da solidariedade que alicerçam, desde há várias décadas, o projecto da construção europeia.

7. O Presidente da República e os Conselheiros de Estado entenderam ainda transmitir aos seus concidadãos uma mensagem de esperança, na certeza de que Portugal saberá ultrapassar as dificuldades com que actualmente se defronta, sendo essencial que os Portugueses congreguem esforços e vontades e tenham uma atitude activa de cooperação e solidariedade.


Conclusão:

O aumento da TSU para os trabalhadores caiu. Quais vão ser as alternativas? De acordo com o que saiu na comunicação social, tudo indica que a medida vai ser substituída por aumentos no IRS e um corte de subsídio semelhante ao de 2011. Isto é, vão continuar a ser os trabalhadores e os pensionistas a pagar. Sem dúvida, que as manifestações e os protestos populares que ocorreram levaram a uma alteração importantíssima da política do governo. Mas o objetivo é o mesmo: diminuir salários e aumentar o desemprego. É isso que é importante para o capital.


A CGTP apresenta alternativas úteis e viáveis:


1 – A eliminação dos mercados não regulamentados, nomeadamente os Sistemas de Negociação Multilateral, e das operações realizadas “fora de mercado”;

2 – A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários, tal como definidos no artigo 1º do Código dos Valores Mobiliários, independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excecionando o mercado primário de dívida pública;

3 – Esta taxa deve ser aplicada sobre a execução de ordens por conta de outrem ou conta própria efectuadas pelos intermediários financeiros e ser liquidada no momento em que é efectuada a transacção;

4 - Compete aos intermediários financeiros responsáveis por cada transacção proceder à liquidação do imposto no final de cada mês;

5 – Compete à CMVM organizar e manter a relação de todas as transacções efectuadas pelos intermediários financeiros, em que se incorporam todas declarações e outros elementos relacionados com cada um deles, e proceder trimestralmente à sua entrega junto da Autoridade Tributária e Aduaneira;

6 – A CMVM, bem como todas as pessoas ou entidades que intervierem directa ou indirectamente nas referidas transacções de valores mobiliários, serão solidariamente responsáveis com os sujeitos passivos pelo pagamento do imposto.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CGTP convoca Greve Geral para 22 de Março - Parece-me que se está a construir a casa a começar pelo telhado

A CGTP convocou uma Greve Geral para o próximo dia 22 de Março.
Independentemente das justas razões porque é convocada, parece-me que se está a construir a casa a começar pelo telhado. Não ter havido um contacto com a UGT não augura uma grande greve, o que é preocupante. Sabemos que a UGT subscreveu um "acordo". É verdade! Mas quem conhece a sociedade portuguesa, também conhece a valorização que os trabalhadores dão à unidade. E não chega apelar. As pessoas não aderem com apelos. Parece-me uma precipitação que deve merecer alguma reflexão.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Manuel Carvalho da Silva

Acabei de ver a entrevista de Manuel Carvalho da Silva na RTP1.

Ao fim de 25 anos na direção da CGTP-IN, deixa neste fim de semana o cargo.

Não quero deixar de agradecer a este homem as lutas que travou durante estes anos. A última das quais há bem pouco tempo: quando não assinou o vergonhoso "acordo" na "Concertação Social".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Concertação social e a desvalorização do trabalho ou como um sindicalista se transforma num ser desprezível


O acordo acordado ontem e que será assinado amanhã é o maior ataque aos direitos dos trabalhadores desde o 25 de Abril.

O governo deixou cair a proposta de mais meia hora de trabalho (A Greve Geral valeu a pena!). Em troca, a UGT acordou, entre outas medidas;

- uma bolsa de horas (podemos trabalhar menos horas num dia para trabalhar mais no outro) - é a desregulação do horário de trabalho;

- o fecho das empresas à sexta ou 3ª feira, em caso de "pontes", sendo esse dia descontado nas férias:

- a facilitação da justa causa no despedimento;

- a diminuição das indemnizações no despedimento;

- o fim da bonificação nas férias;

- etc...

A CGTP, felizmente, abandonou a reunião.

Estas declarações do 1º Ministro deviam envergonhar a UGT.