Ideia: representação mental; representação abstrata e geral de um objeto ou relação; conceito; juízo; noção; imagem; opinião; maneira de ver; visão; visão aproximada; plano; projeto; intenção; invenção; expediente; lembrança. Dicionário de Língua Portuguesa da Texto Editora
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quinta-feira, 4 de maio de 2017
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
"República das maçãs" - Ricardo Araújo Pereira
Porque é que falar das bananas do sr. Timóteo é publicidade e falar da maçã do sr. Tim é jornalismo tecnológico?
Imagine o leitor que o sr. Timóteo possui uma mercearia. Até aqui, o esforço de imaginação não é demasiado exigente: nada impede que um senhor chamado Timóteo possua uma mercearia. Antes pelo contrário. Normalmente, as mercearias são propriedade de senhores dos quais sabemos apenas o primeiro nome. Os escritórios de advogados, por outro lado, costumam pertencer a pessoas que têm apenas apelidos. (Costa Fernandes e associados, por exemplo. Sendo que nenhum dos associados tem também, muito provavelmente, um nome próprio.) Ou seja, a mercearia do sr. Timóteo é um negócio plausível, mesmo que não seja viável. Mas agora imagine que, após receber nova e importante remessa de bananas, o sr. Timóteo convoca uma conferência de imprensa. O encontro com os jornalistas, que enchem a sala, decorre num teatro. No palco, o sr. Timóteo descreve as novas bananas. São praticamente idênticas às anteriores, só a cor é ligeiramente diferente. Não interessa: os jornalistas tomam notas que serão preciosas na altura de escrever uma notícia sobre as novas bananas do sr. Timóteo.
Chegado a este ponto, o leitor sentir-se-á justamente defraudado. Foi levado a imaginar uma situação absurda da qual nada resultou. Peço-lhe só mais um bocadinho de paciência. Imagine agora que o sr. Tim possui uma fábrica de zingarelhos. E que, após receber nova e importante remessa de zingarelhos, convoca uma conferência de imprensa. Não é preciso imaginar: acontece todos os anos. Da última vez que o sr. Tim apresentou zingarelhos aos jornalistas, o Expresso online escreveu uma notícia intitulada “Rosinha, a nova cor do iPhone”. O primeiro parágrafo dizia: “O ritual anual dos novos iPhone está cumprido: o 6s e o 6s Plus já foram apresentados. Em geral são praticamente idênticos à geração anterior (…)”. Repare que os novos iPhone do sr. Tim são, tal como as bananas do sr. Timóteo, “praticamente idênticos” aos anteriores. Sabendo que há, em princípio, mais consumidores de bananas do que de iPhone, por que razão merecem as bananas do sr. Timóteo menos atenção da imprensa do que os zingarelhos do sr. Tim? Porque é que falar das bananas do sr. Timóteo é publicidade e falar da maçã do sr. Tim é jornalismo tecnológico? O leitor talvez contraponha: “Bom, os telefones vão mudando de modelo para modelo; as bananas são iguais ao que sempre foram.” O leitor é um bocadinho teimoso. Acabei de lhe demonstrar que os telefones também mudam pouco ou nada. Sem querer usar um argumento de autoridade, sou no entanto forçado a lembrar que, recentemente, Cavaco Silva registou uma evolução bastante significativa nas bananas da Madeira, quando disse ao presidente do governo regional, e cito: “Agora vocês têm uma banana maior e mais saborosa.” O Presidente da República está rodeado de assessores, conselheiros, especialistas. Não se pronuncia sobre os assuntos sem estudar em profundidade os dossiês. Este novo modelo de banana está muito bom. A maçã do sr. Tim está na mesma. Há que repensar o jornalismo hortofrutícola.
Imagine o leitor que o sr. Timóteo possui uma mercearia. Até aqui, o esforço de imaginação não é demasiado exigente: nada impede que um senhor chamado Timóteo possua uma mercearia. Antes pelo contrário. Normalmente, as mercearias são propriedade de senhores dos quais sabemos apenas o primeiro nome. Os escritórios de advogados, por outro lado, costumam pertencer a pessoas que têm apenas apelidos. (Costa Fernandes e associados, por exemplo. Sendo que nenhum dos associados tem também, muito provavelmente, um nome próprio.) Ou seja, a mercearia do sr. Timóteo é um negócio plausível, mesmo que não seja viável. Mas agora imagine que, após receber nova e importante remessa de bananas, o sr. Timóteo convoca uma conferência de imprensa. O encontro com os jornalistas, que enchem a sala, decorre num teatro. No palco, o sr. Timóteo descreve as novas bananas. São praticamente idênticas às anteriores, só a cor é ligeiramente diferente. Não interessa: os jornalistas tomam notas que serão preciosas na altura de escrever uma notícia sobre as novas bananas do sr. Timóteo.
Chegado a este ponto, o leitor sentir-se-á justamente defraudado. Foi levado a imaginar uma situação absurda da qual nada resultou. Peço-lhe só mais um bocadinho de paciência. Imagine agora que o sr. Tim possui uma fábrica de zingarelhos. E que, após receber nova e importante remessa de zingarelhos, convoca uma conferência de imprensa. Não é preciso imaginar: acontece todos os anos. Da última vez que o sr. Tim apresentou zingarelhos aos jornalistas, o Expresso online escreveu uma notícia intitulada “Rosinha, a nova cor do iPhone”. O primeiro parágrafo dizia: “O ritual anual dos novos iPhone está cumprido: o 6s e o 6s Plus já foram apresentados. Em geral são praticamente idênticos à geração anterior (…)”. Repare que os novos iPhone do sr. Tim são, tal como as bananas do sr. Timóteo, “praticamente idênticos” aos anteriores. Sabendo que há, em princípio, mais consumidores de bananas do que de iPhone, por que razão merecem as bananas do sr. Timóteo menos atenção da imprensa do que os zingarelhos do sr. Tim? Porque é que falar das bananas do sr. Timóteo é publicidade e falar da maçã do sr. Tim é jornalismo tecnológico? O leitor talvez contraponha: “Bom, os telefones vão mudando de modelo para modelo; as bananas são iguais ao que sempre foram.” O leitor é um bocadinho teimoso. Acabei de lhe demonstrar que os telefones também mudam pouco ou nada. Sem querer usar um argumento de autoridade, sou no entanto forçado a lembrar que, recentemente, Cavaco Silva registou uma evolução bastante significativa nas bananas da Madeira, quando disse ao presidente do governo regional, e cito: “Agora vocês têm uma banana maior e mais saborosa.” O Presidente da República está rodeado de assessores, conselheiros, especialistas. Não se pronuncia sobre os assuntos sem estudar em profundidade os dossiês. Este novo modelo de banana está muito bom. A maçã do sr. Tim está na mesma. Há que repensar o jornalismo hortofrutícola.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
"Felizmente há Luaty" - Ricardo Araújo Pereira
O caso da prisão de Luaty Beirão e dos seus amigos revela mais uma vez a verdadeira face do regime angolano: um regime bondoso, justo e preocupado com o bemestar dos seus cidadãos. Os activistas foram presos por estarem a ler um livro, o que constitui um dos mais engenhosos incentivos à leitura de que me lembro.
O programa Ler +, do nosso Ministério da Educação, empalidece junto do programa Ler -, levado a efeito pela polícia angolana. É sabido que os jovens nutrem especial predilecção pelas actividades clandestinas. Se o Estado os incentiva a ler, lêem menos; se proíbe a leitura, em princípio, lêem mais. É raro o aluno que lê com gosto as obras de leitura obrigatória, nos programas escolares portugueses, mas aposto que todos gostariam de saber mais acerca das obras de leitura proibida pelo regime angolano. Eu próprio, que considerei indigesta a obra "Eurico, o Presbítero", que me obrigaram a ler, já encomendei o livro "From Dictatorship to Democracy, A Conceptual Framework for Liberation", que o regime angolano não deseja que seja lido.
Enquanto a proibição da leitura não produz o seu efeito benéfico no povo, o regime angolano vai estimulando de outra maneira os usos imaginativos da linguagem através de eufemismos criativos. De acordo com a televisão angolana, Luaty Beirão não está a fazer greve de fome, antes adoptou "um comportamento diferente em relação aos alimentos".
O mundo, por vezes, sabe ser agreste, e as palavras certas podem torná-lo um pouco mais delicado. Se, no futuro, e de forma absolutamente inédita, o regime angolano se vir forçado a matar um cidadão (por exemplo, como castigo por um crime grave, como ter lido mais de um livro), pode sempre alegar que o cidadão em causa não foi assassinado, apenas adoptou um comportamento diferente em relação às funções vitais.
Além de dar atenção à cultura, o regime angolano não descura a economia e cria riqueza. Por enquanto, apenas entre os amigos e a família do ditador, mas é preciso dar tempo ao tempo. A filha de José Eduardo dos Santos é a mulher mais rica do continente africano. Mas, devido à acção do governo do pai, quem tiver 100 dólares no bolso transforma-se quase automaticamente num dos homens mais ricos de Angola.
Em todo o mundo, haverá poucos países em que seja tão fácil ascender ao restrito número dos mais ricos.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
"Adendas ao código deontológico do jornalista, por António Costa" - Ricardo Araújo Pereira
quinta-feira, 31 de julho de 2014
"Santo Alves dos Reis" - Ricardo Araújo Pereira
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quinta-feira, 3 de julho de 2014
"Arte a meia haste" - Ricardo Araújo Pereira
Se o artista queria criar uma boa metáfora sobre o estado do País, colocava a corda ao pescoço de um funcionário público ou de um reformado, como faz o Governo, e não incorria em qualquer crime. Sabemos que não temos futuro no meio artístico quando percebemos que Passos Coelho é melhor artista do que nós. Uma lição para Élsio Menau.
Na íntegra aqui.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
"Um parecer" - Ricardo Araújo Pereira
Caro sr. primeiro-ministro,
O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário. Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente. Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. É uma espécie de passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas. Essa tem sido uma vantagem da democracia bastante descurada por vários governos, mas não pelo seu. Por outro lado, mesmo que cheguem vivos às eleições, há uma probabilidade forte de os velhotes não se lembrarem de quem lhes cortou o dinheiro da reforma.
O grande problema das sociedades modernas são os velhos. Trabalham pouco e gastam demais. Entregam-se a um consumismo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas. A culpa é da medicina, que lhes prolonga a vida muito para além da data da reforma. Chegam a passar dois e três anos repimpados a desfrutar das suas pensões. A esperança de vida destrói a nossa esperança numa boa vida, uma vez que o dinheiro gasto em pensões poderia estar a se aplicado onde realmente interessa, como os swaps, as PPP e o BPN.
Se me permite, gostaria de acrescentar algumas ideias para ajudar a minimizar o efeito negativo dos velhos na sociedade portuguesa:
1. Aumento da idade da reforma para os 85 anos. Os contestatários do costume dirão que se trata de uma barbaridade, e que acrescentar 20 anos à idade da reforma é muito. Perguntem aos próprios velhos. Estão sempre a queixar-se de que a vida passa a correr e que vinte anos não são nada. É verdade: 20 anos não são nada. Respeitemos a opinião dos idosos, pois é neles que está a sabedoria.
2. Exportação de velhos. O velho português é típico e pitoresco. Bem promovido, pode ter grande aceitação lá fora, quer para fazer pequenos trabalhos, quer apenas para enfeitar um alpendre, ou um jardim.
3. Convencer a artista Joana Vasconcelos a assinar 2.500 velhos e pô-los em exposição no MoMA, em Nova Iorque.
Creio que são propostas valiosas para o melhoramento da sociedade portuguesa, mantendo o espírito humanista que tem norteado as suas políticas.
Cordialmente,
Nicolau Maquiavel
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quarta-feira, 27 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
"Sacudir o sangue do capote"
Cavaco Silva é o primeiro Presidente da República clandestino da História de Portugal - diz Ricardo Araújo Pereira. E segue:
Que farei quando tudo arde?", perguntou Sá de Miranda no século XVI. "Nada", respondeu Cavaco em 2013.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
"A Utopia no bolso" - Ricardo Araújo Pereira
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