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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"Capitalism Is The Crisis"



Capitalism Is The Crisis: Radical Politics in the Age of Austerity examines the ideological roots of the "austerity" agenda and proposes revolutionary paths out of the current crisis. The film features original interviews with Chris Hedges, Derrick Jensen, Michael Hardt, Peter Gelderloos, Leo Panitch, David McNally, Richard J.F. Day, Imre Szeman, Wayne Price, and many more!

The 2008 "financial crisis" in the United States was a systemic fraud in which the wealthy finance capitalists stole trillions of public dollars. No one was jailed for this crime, the largest theft of public money in history.

Instead, the rich forced working people across the globe to pay for their "crisis" through punitive "austerity" programs that gutted public services and repealed workers' rights.

Austerity was named "Word of the Year" for 2010.

This documentary explains the nature of capitalist crisis, visits the protests against austerity measures, and recommends revolutionary paths for the future.

Special attention is devoted to the crisis in Greece, the 2010 G20 Summit protest in Toronto, Canada, and the remarkable surge of solidarity in Madison, Wisconsin.

It may be their crisis, but it's our problem.

domingo, 24 de junho de 2012

"A questão da especulação financeira" - um artigo de Fernando Belo


Fernando Belo é Professor jubilado de Filosofia da Linguagem da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Este artigo foi publicado no Expresso de ontem.

1.
Para se entender o que se chama ‘especulação financeira’, termo mais correto do que designar as bolsas por ‘mercados’, será necessário fazer o contraponto entre as duas principais correntes de teoria económica do século XX, entre Keynes e Friedman. Não é necessário ser economista para se saber que a economia política que o primeiro propôs teve efeitos muito benéficos nos trinta anos que se seguiram à última grande guerra, efeitos de construção social e económica que evitaram a oposição entre estas duas dimensões da habitação humana. O objetivo ‘política’ que se opõe à sua teoria económica ao serviço do social, isto é, da habitação dos humanos, consistiu em fomentar a solidariedade com o crescimento económico e a respetiva liberdade de salários crescentes também: tratou-se da coisa democrática em termos de economia, esta correlativa no campo jurídico com a afirmação de contratos de trabalho dignos, que respondiam à grande tradição liberal clássica que contestara a conceção aristocrática e hierárquica de sociedade colocando o eixo social no contrato entre duas vontades livres e responsáveis, numa sociedade de contratos entre cidadãos. Foi a isto que na Europa do século XX se chamou social-democracia, em que a economia é apenas ciência dos mercados e não de toda a sociedade, é apenas ciência do que se joga entre instituições que vendem e compram, entre elas e famílias, mas não é ciência da educação, nem da saúde, nem da segurança pública, nem da justiça ou da administração do Estado como regulador social imprescindível. Ciência dos mercados é aquela que sabe da redução que a moeda, operadora de trocas, efetua de tudo o que não é mercado e que por isso tem de ter necessariamente em conta as outras dimensões sociais que lhe escapam. É, aliás, este o ponto de vista de quem governa no lugar do Estado ou dos municípios: nessa época keynesiana dos chamados trinta gloriosos anos, ainda estas instituições eminentemente políticas tinham poder de intervenção junto das grandes empresas que se estavam alçando à globalização neocolonial.


Na íntegra aqui