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quinta-feira, 26 de maio de 2016

"New Report Shows World Heritage Icons at Risk from Climate Change"


Climate change is fast becoming one of the most significant risks for World Heritage sites, according to the report “World Heritage and Tourism in a Changing Climate”, released today by UNESCO, the United Nations Environment Programme (UNEP), and the Union of Concerned Scientists (UCS).

“Globally, we need to understand, monitor and address climate change threats to World Heritage sites better,” said Mechtild Rössler, Director of UNESCO’s World Heritage Centre. “As the report’s findings underscore, achieving the Paris Agreement’s goal of limiting global temperature rise to a level well below 2 degrees Celsius is vitally important to protecting our World Heritage for current and future generations.”

The new report lists 31 natural and cultural World Heritage sites in 29 countries that are vulnerable to increasing temperatures, melting glaciers, rising seas, intensifying weather events, worsening droughts and longer wildfire seasons. It documents climate impacts at iconic tourism sites—including Venice, Stonehenge and the Galapagos Islands—and other World Heritage sites such as South Africa’s Cape Floral Kingdom; the port city of Cartagena, Colombia; and Shiretoko National Park in Japan.

“Climate change is affecting World Heritage sites across the globe,” said Adam Markham, lead author of the report and Deputy Director of the Climate and Energy Program at UCS. “Some Easter Island statues are at risk of being lost to the sea because of coastal erosion. Many of the world’s most important coral reefs, including in the islands of New Caledonia in the western Pacific, have suffered unprecedented coral bleaching linked to climate change this year. Climate change could eventually even cause some World Heritage sites to lose their status.”

Because World Heritage sites must have “Outstanding Universal Value,” the report recommends that the World Heritage Committee consider the risk of prospective sites becoming degraded by climate change before adding them to the List.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"Contra o fecho da carreira 18E dos eléctricos" - Petição

De acordo com o documento Simplificação Tarifária e reformulação da Rede de Transportes da Área Metropolitana de Lisboa o elétrico 18 vai acabar. Uma petição contra o fim da carreira já recolheu mais de 1.100 assinaturas.



Exmo. Senhor Primeiro-Ministro;
Exmo. Senhor Ministro da Economia;
Exma. Administração da Carris,

Os abaixo assinantes expressamos a nossa inconformidade com a decisão de suprimir a carreira 18E do eléctrico de Lisboa.

Numa altura em que outras cidades europeias estão a instalar linhas novas, uma das cinco carreiras de eléctrico que ainda resistem em Lisboa vai ser suprimida no fim de 2011. Os eléctricos são um meio de transporte ecológico, uma das maiores atracções turísticas da cidade e um símbolo de Lisboa. O fecho da carreira 18 é um atentado ao património cultural e histórico de Portugal.

Solicitamos, portanto, que a carreira 18E seja mantida, considerada como parte do nosso património histórico/cultural, e potenciada como atracção turística.


Assinar aqui

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"Lisboa e o país precisam do Cinema Odeon" - Petição

O Cinema Odéon, sito na Rua dos Condes, Nº 2-20, Freguesia de São José, data de 21 de Setembro de 1927 e é hoje o cinema com mais história de Lisboa, tendo passado pela sua tela clássicos do mudo e do sonoro (Stroeheim, Lang, Tod Browning, Eisenstein, Cukor, Capra, etc.), e, já a partir da segunda metade do séc. XX grandes êxitos do cinema português e espanhol, bem como teatro radiofónico, protagonizado por Laura Alves, Madalena Iglésias, Antonio Calvário, entre muitos outros.

O conjunto da sala, com 84 anos, formado pelo tecto de madeira tropical aparente (único no mundo, espantosamente intacto depois de 16 anos de abandono); pelo lustre de néons gigantes irrradiantes (peças electro-históricas), que uma longa corrente vertical, comandada do tecto, faz deslizar até ao chão para manutenção; pelo luxuriante palco com moldura e frontão em relevo Art Deco (outro caso único); pela complexa teia de palco, com o seu pano de ferro; e pela série de camarotes (onde Salazar tinha lugar cativo), galerias e balcões em andares, tudo isto forma um exemplar assinalável, mais ainda por ser o último do género existente em Portugal.

O Cinema Odéon esteve em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público de 2004-2009, altura em que o processo foi arquivado pelo Igespar. Neste momento, e não existindo nenhuma classificação municipal, mantém-se apenas a ténue protecção de estar inserido no perímetro de classificação do conjunto da Avenida da Liberdade como de Interesse Público, cujo processo de classificação, também da responsabilidade do Igespar, terminará em 31 de Dezembro de 2011.

O Cinema Odéon está fechado e à venda desde meados da década de 90, sendo que por força dessa circunstância e da verificada falta de obras de conservação, as suas galerias metálicas, as suas fachadas (sobretudo a tardoz) e a clarabóia no telhado, necessitam de obras.

Recentemente, terá sido aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa, uma informação prévia conducente à transformação do Odéon em centro comercial e estacionamento subterrâneo para automóveis, apontando-se como elementos a preservar o seu tecto de madeira e o frontão de palco, ainda que em local a considerar; tornando assim irreversível a não reutilização do Odéon enquanto cinema e/ou teatro.

Mas o seu futuro e preservação coerente e responsável não se compadece com o aleatório de "manter a cobertura e a fachada" - que uma obra em profundidade, como a que se anuncia (dois pisos subterrâneos!) destruirá inevitavelmente - nem é suficiente essa preservação "da pele", sem o poderoso miolo. O que se pode/deve fazer - seguindo o exemplo do vizinho Condes mas em melhor; ou o de El Ateneo Grand Splendid, de Buenos Aires, que virou uma extraordinária livraria - é aproveitar o vazio da sala (se não for possível a sua permanência enquanto cinema e/ou teatro), mantendo as suas estrutura e elementos, para uma cuidada e inventiva reutilização em novas funções à altura dos valores reais num re-uso que não destrua a "galinha dos ovos de ouro" que salta à vista (a sala, o lustre, o palco e a sua teia, etc) - antes tire partido dela se a sua recuperação for conseguida, garantindo a reversibibilidade da eventual transformação.

Confrange ver os investidores e responsáveis institucionais e municipais - que deviam ter uma abordagem e perspectiva, precisamente por estarmos em plena época de crise, de procurar transformar dificuldades em oportunidades - sem qualquer visão ou uma inteligência operativa, neste caso derradeiro de possibilidade de manter um espaço arquitectónico, notabilissimo e único, vivo!

Os abaixo assinados, tendo em conta ainda a perda irreparável que foi para esta cidade o desaparecimento de outras salas igualmente míticas (ex. Monumental e Éden) apelam a quem de direito, i.e. ao Governo, à Câmara Municipal de Lisboa, a todos os Agentes Culturais e de Entretenimento desta cidade, e aos cidadãos em geral, para que em conjunto se encontre uma solução para o Cinema Odéon, que dignifique a cidade, o país e o nosso património.

Os abaixo assinados


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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Fado: "Património Imaterial da Humanidade"- Fado: "Intangible Heritage of Humanity"



Este é o texto oficial do comité de peritos da UNESCO que recomenda a inscrição do Fado na Lista Representativa do Património Cultural da Humanidade. Agora falta a votação pelo Comité Inter-Governamental da Convenção, que terá lugar em Bali, a 27 de Novembro. Está quase!


DRAFT DECISION 6.COM 13.39 The Committee

1. Takes note that Portugal has nominated Fado, urban popular song of Portugal for inscription on the Representative List of the Intangible Cultural Heritage of Humanity, described as follows: Fado is a performance genre incorporating music and poetry widely practised by various communities in Lisbon. It represents a Portuguese multicultural synthesis of Afro-Brazilian sung dances, local traditional genres of song and dance, musical traditions from rural areas of the country brought by successive waves of internal immigration, and the cosmopolitan urban song patterns of the early nineteenth century. Fado songs are usually performed by a solo singer, male or female, traditionally accompanied by a wire-strung acoustic guitar and the Portuguese guitarra – a pear-shaped lute with twelve wire strings, unique to Portugal, which also has an extensive solo repertoire. The past few decades have witnessed this instrumental accompaniment expanded to two Portuguese guitars, a guitar and a bass guitar. Fado is performed professionally on the concert circuit and in small ‘Fado houses’, and by amateurs in numerous grass-root associations located throughout older neighbourhoods of Lisbon. Informal tuition by older, respected exponents takes place in traditional performance spaces and often over successive generations within the same families. The dissemination of Fado through emigration and the world music circuit has reinforced its image as a symbol of Portuguese identity, leading to a process of cross-cultural exchange involving other musical traditions.

2. Decides that, from the information provided in nomination file 00563, Fado, urban popular song of Portugal satisfies the criteria for inscription on the Representative List, as follows: R.1: A musical and lyrical expression of great versatility, Fado strengthens the feeling of belonging and identity within the community of Lisbon, and its leading practitioners continue to transmit the repertory and practices to younger performers; R.2: Inscription of Fado on the Representative List could contribute to further interaction with other musical genres, both at the national and international levels, thus ensuring visibility and awareness of the intangible cultural heritage and encouraging intercultural dialogue; R.3: Safeguarding measures reflect the combined efforts and commitment of the bearers,local communities, the Museum of Fado, the Ministry of Culture, as well as other local and national authorities and aim at long-term safeguarding through educational programmes, research, publications, performances, seminars and workshops; R.4: Fado musicians, singers, poets, historians, luthiers, collectors, researchers, the Museum of Fado and other institutions participated in the nomination process, and their free, prior and informed consent is demonstrated; R.5: Fado is included in the catalogue of the Museu do Fado which was expanded in 2005 into a general inventory including also the collections of a wide range of public and private museums and archives.

3. Inscribes Fado, urban popular song of Portugal on the Representative List of the Intangible Cultural Heritage of Humanity.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

"Find the Trunk"

Dear Mr. Secretary of Culture Francisco José Viegas

As you are very much aware, as a former director of the Fernando Pessoa House in Lisbon, Fernando Pessoa's Trunk, commonly known as the "Arca", was sold at auction in November of 2008, to an unknown collector, of which we only known he resided in the North of Portugal.

At the time the governement was not able or willing to bid for the trunk, as it did bid for so many other documents, also of great importance. Many of us were amazed by this, that such an important and symbolic piece of our country's history could vanish without even an attempt to save it. We believe that many items are safe in private collections, and there preserved for future generations by diligent owners, but such an item as the trunk does not belong, in our opinion, in a private collection, far away from the eyes of the public.

The "Arca", as a natural treasure belongs in a public exhibition, side by side with other important memories of our past days. These memories are what embody the Portuguese soul, and without them, without memory, man is nothing - and our identity suffers from this loss, Mr. Secretary. You, specially you, can understand this, being a man of culture and someone who appreciated great literature.

We then urge you to act. To inquire who bough the trunk and procure a way to get it back to public ownership. We offer you all our help in this matter, but urge you first and foremost to show us that you believe in such a mission, that your name can stand beside ours in this international petition.

Assinem!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Petição - "Vamos salvar a Igreja de S. Paulo"


Igreja de S. Paulo um triste fim.

A igreja de S. Paulo em Elvas, edifícada no sec. XVIII e localizada no Centro Histórico, propriedade do Ministério da Defesa, dentro de poucos dias será demolida.

Esta é a maior igreja da Congregação dos Monges de Jesus da Pobre Vida, também conhecidos como Paulistas da Serra de Ossa, única ordem masculina com origem e casa mãe em Portugal.

Não faz sentido a zona alta da cidade ter sido recuperada e reabilitada nestes últimos anos; castelo, antigos quartéis (oficinas de artesanato), Casa das Barcas (mercado municipal), Quartel do Trem (Escola Superior Agrária), e Nossa Senhora da Conceição; e agora ocorrer um acto de inqualificável desprezo pelo património edificado.

De acordo com o Plano Director Municipal a Igreja de S. Paulo é um imóvel em vias de classificação.

Nós os subscritores desta petição, vimos por este meio solicitar a V.Exa, responsável pelo Ministério da Defesa, a não demolição da Igreja de S. Paulo em Elvas.

Assinem!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ai, Lisboa, Lisboa!




Ritz Club

Tinha-me mirado e remirado vezes sem conta ao espelho, na expectativa de ver reflectida a imagem que há muito interiorizara. A franja caída sobre os olhos, a tês franzida, a gola do casaco levantada mais o cigarro estrategicamente colocado ao canto da boca conferiam-me um ar suficientemente adulto de modo a ludibriar o porteiro do Ritz Club, e finalmente subir aquele lance de escada que me havia de catapultar para um mundo de fadistas, chulos e putas no que se refere ao género humano, e chouriço assado, bacalhau à brás e whisky marado no respeitante aos comes e bebes. Apesar da notória decadência o Ritz era um ex-libris de Lisboa.

Quando se galgava aquela escadaria, encontrávamos à direita o barbeiro que zelava pelo aspecto dos proxenetas que faziam bicha pró penteado, e à direita o restaurante e casa de fados, onde coabitavam as piores vozes de Lisboa e o melhor bacalhau à Brás da cidade branca. Mais um lance de escadas e abriam-se as portas do paraíso. Para quem até ali só ouvira descrições verbais daquele espaço, estar ali e apreciar ao vivo e a cores aquela inebriante atmosfera de músicos, garçons, otários e prostitutas era qualquer coisa de alucinante. Os 10$00 da entrada davam direito a duas cervejas Sagres de litro - rara embalagem para a época - que o empregado depositava na mesa de uma só vez.

Sentados estrategicamente a um canto esperávamos pelo espectáculo de palco, já que o outro que desenrolava na sala, era por nós consumido avidamente sem que dele perdêssemos pitada.

Na pista de baile entre boleros e tangos tocados pela orquestra residente, logo baptizada por nós de “Conjunto Mitra” devido à avançada idade dos seus componentes , evoluíam mulheres de mau porte dançando com embriagados provincianos de patilha, que dali a pouco num qualquer cubículo de pensão manhosa com águas correntes quentes e frias, haveriam de largar nota da grossa, a troco de céleres prazeres carnais.

Depois de terminada a série dançante e segundo o amarelecido cardápio do espectáculo, haveríamos de assistir ainda ao casal de velhotes (cujos nomes se me varreram da memória), mas que fizeram rir gerações com rápidos números de teatro revisteiro na linha dos sketches do Zéquinha e da Lélé a anteceder o momento da noite, de que vezes sem conta, ouvíramos falar e que, finalmente iríamos presenciar: o strip tease de Miss Kelly! Quando Miss Kelly pisava as tábuas do velho Ritz, todos os olhos se dirigiam para o foco de luz branca que insidia sobre as adivinhadas formas roliças que se escondiam por debaixo do longo vestido de lantejoulas cintilantes.

O pianista do “ Conjunto Mitra” acompanhado pelo contrabaixista, ilustravam o momento com acordes a propósito, enquanto Miss Kelly dirigia lânguidos olhares à assistência, ao mesmo tempo que puxava lentamente com os dentes, um a um, os dedos da luva que lhe chegava ao antebraço e que simulava atirar para a assistência. A tensão crescia à medida que esta se desfazia dos adereços com movimentos estudados e mil vezes repetidos.

Quando Miss Kelly se voltava de costas e fazia correr lentamente o fecho último, qual porta que se escancarava para a paisagem corporal pressentida. Havia na sala um instante em que a respiração ficava suspensa à espera daquele momento único, e para nós primeiro, em que um atónito olhar juvenil percorria a geografia física de uma mulher adulta, que iria marcar a passagem da idade da penugem, para o clube dos fala grossa. Depois de franqueadas as portas do Ritz, havíamos de ali passar muitas das nossas jovens vidas. Tantas, que quase nos tornámos mobília. Tantas, que assistimos ao desaparecimento do velhote comediante e ainda ao de dois músicos do “ Conjunto Mitra”. Tantas, que assistimos à ascensão e queda do mito Miss Kelly, cujo corpo sulcado pelo álcool e pelo tempo, haveria de arrastar até à exaustão pelo tabuado do velho Ritz.

Não conheço quem escreveu este texto que fui descobrir no Por aí.

Mas a venda deste imóvel, considerado património municipal, é mais um atentado à cidade. Fui ao Ritz muitas vezes. Não no tempo da Miss Kelly, mas em tempos em que estar no Ritz era ainda uma noite para não esquecer.

Será que desistimos?