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terça-feira, 21 de maio de 2013

Alfredo Tinoco - 64 anos


Conheci Alfredo Tinoco através de amigos. E, através de amigos, nos tornámos amigos. Alfredo Tinoco é pai de um amigo e avô de um futuro amigo, espero eu. Faria hoje 64 anos lembrou-me o Bruno, o filho.

Esta não é uma homenagem. Essa foi feita quando partiu em 2010. É a lembrança de uma amiga que entrou na sua vida tarde mas que lhe sente a falta.

Aqui ficam alguns dos seus textos, publicados em 2012 pelos Cadernos de Sociomuseologia.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Petição "Solidariedade com Pedro Lapa"



No concurso para Director do Museu do Chiado que decorre das regras que regem os Museus do Instituto dos Museus e da Conservação, Pedro Lapa, seu actual director e candidato à recondução, foi preterido na escolha para o cargo.

Pedro Lapa é uma das pessoas que tem contribuído, de forma continuada e consistente, para a divulgação da arte portuguesa. Possui um extenso curriculum, no qual avultam as inúmeras exposições que comissariou, a forma como tem trabalhado para a preservação da memória da arte moderna portuguesa com a edição de monografias e retrospectivas hoje incontornáveis para a História da Arte, a combatividade com que tem dirigido um Museu espartilhado por um orçamento aviltantemente insuficiente. Com enorme perseverança lutou no sentido de tornar possível o alargamento do Museu do Chiado, tendo conseguido reunir um consenso particularmente difícil no sentido de reunir as condições para a sua expansão, o que, finalmente, poderia estar em vista. Se assim é, a sua experiência como Director de Museu seria, agora, fundamental – não só pelo extenso conhecimento da colecção que possui, como pela capacidade que revelou de constituir e manter uma equipa em torno do projecto deste Museu, contra todas as vicissitudes.

Nesse sentido, a sua substituição à frente do Museu do Chiado é incompreensível para todos aqueles que têm acompanhado o seu percurso institucional, independentemente das eventuais diferenças de perspectiva sobre a sua orientação artística.

Em Portugal há o estranho hábito de não rentabilizar o saber, o conhecimento e a experiência. Na cultura, onde estas características assumem uma importância determinante, o cuidado em manter nos lugares certos quem pode constituir uma mais-valia deveria orientar as escolhas.

E esta estranheza é tanto maior quanto não se conhece, pelo menos ela nunca foi tornada pública, nenhuma directiva programática por parte da tutela (Ministério da Cultura e Instituto dos Museus e da Conservação), no que concerne o papel e missão do Museu do Chiado no contexto e definição das políticas nacionais para a arte contemporânea.

A direcção de Pedro Lapa, ultrapassando essa ausência de orientação, teve uma visão inovadora da colecção nacional de arte moderna e contemporânea do único museu estatal com essa vocação, trazendo novas interpretações à colecção até então nunca realizadas.

Os abaixo-assinados solidarizam-se com Pedro Lapa e manifestam a maior estranheza e discordância pelo seu afastamento da direcção da instituição que tem sabido dirigir e manter activa.

Assine

domingo, 12 de julho de 2009

"O novo Museu dos coches finalmente no bom caminho"

Comunicado do ICOM

Ao tomar conhecimento das deliberações da vereação da Câmara Municipal de Lisboa relativamente ao projecto do novo Museu Nacional dos Coches, a Direcção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM (Conselho Internacional dos Museus), ou ICOM Portugal, regista com agrado a recusa de emissão de parecer favorável, mesmo condicionado, e saúda especialmente a recomendação ao Governo para que “pondere as objecções levantadas por técnicos, especialistas e responsáveis de museus, quanto ao destino dos investimentos programados para as diversas unidades museológicas envolvidas”, assim como a decisão de “promover iniciativas públicas de debate em torno das intervenções anunciadas na rede pública de museus implantada na cidade de Lisboa, convidando os seus protagonistas e agentes interessados, de forma a permitir o esclarecimento e participação dos cidadãos”.
Como temos expressado nos últimos meses, é nossa firme convicção que o projecto de um Novo Museu Nacional dos Coches não constitui prioridade museológica nacional, podendo pelo contrário representar uma oportunidade perdida e um autêntico “tiro no pé” para o próprio Museu que assim se pretendia beneficiar, o qual precisa de investimentos urgentes em restauro de colecções, incluindo as mais emblemáticas, e justificaria uma ampliação de instalações, mas nunca a sua transferência para outro local.
Fica, pois, aberta a via para que no próximo ciclo legislativo, depois do aprofundamento desta questão com o debate público e a audição dos organismos da sociedade civil e do próprio Estado que cumpre consultar (a começar pela Secção de Museus e Conservação do Conselho Nacional de Cultura), se reconsidere toda a problemática da construção de um novo Museu Nacional, ou a reinstalação de um já existente, aproveitando para o efeito as verbas compensatórias do Casino de Lisboa.
A área de Belém afigura-se constituir um excelente local para o efeito. Mas, tal como resulta da mesa-redonda “Museus de Belém – Perspectivas de Futuro”, que organizámos em 19 de Maio passado, contando com a presença de todos os directores dos museus da zona, trata-se de um território muito sensível, que deve ser objecto de um plano integrado e alargado às zonas adjacentes da Ajuda e Alcântara.

A oportunidade que parecia perdida, renasce agora. Saibamos aproveitá-la, fazendo dela um caso exemplar onde se recomenda que se ensaie finalmente uma reflexão conjunta entre os poderes e interesses locais e nacionais, assim como entre o Estado e a sociedade civil, conducente ao estabelecimento de um contrato social de novo tipo, mais adulto e com maior visão de futuro.
O ICOM Portugal está disponível para assumir as suas responsabilidades no contexto de um tal quadro contratual.

Lisboa, em 8 de Julho de 2009

A Direcção do ICOM Portugal

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pelo Museu de Arte Popular - Petição

Carta Aberta a Sua Ex.ª o Primeiro Ministro

Em 1948, nasceu em Belém o Museu de Arte Popular. Com um projecto de Jorge Segurado, a partir do Pavilhão da Vida Popular da Exposição do Mundo Português de 1940, trata-se de um dos raríssimos museus construídos de raiz em Portugal para receber um determinado espólio, por sinal a melhor colecção de arte popular existente no País. Foi, para a sua época, um projecto inovador de museologia, concretizado decorativamente com a colaboração de alguns dos nomes mais ilustres do modernismo pictórico português. O edifício e o seu conteúdo constituem, por isso, um todo que não pode nem deve ser separado.

No passado dia 7 de Maio, uma resolução do Conselho de Ministros confirmou a decisão de instalar no edifício do Museu de Arte Popular um novo Museu da Língua. Esta decisão obriga-nos, neste momento, a manifestarmo-nos publicamente. Por preocupação com um património histórico único e em defesa daquilo que fomos, somos e queremos ser.

Assim, apelamos a uma reflexão e intervenção do Estado no sentido de:

- preservar um espaço museológico e respectivo espólio únicos, memória da Exposição do Mundo Português e da criação popular portuguesa;

- criar condições para a renovação do seu projecto, conservando-lhe a memória mas adaptando-o a uma fruição contemporânea - tal como acontece hoje com tantos museus de êxito dedicados a temática semelhante pelo mundo fora;

- incentivar o estudo e a divulgação da arte popular portuguesa que, da cerâmica à ourivesaria, passando pela extraordinária produção têxtil (para citar apenas algumas das mais notórias áreas artesanais portuguesas), é ainda marca portuguesa reconhecida internacionalmente;

- estimular, através da “montra” importantíssima que pode ser este museu, com gosto conhecedor, criterioso e exigente, a produção artesanal portuguesa, uma actividade com novas potencialidades económicas num mercado global de nichos, que pede qualidade e especialidade.

- possibilitar que este museu se torne a plataforma inovadora de ligação entre o saber dos velhos artesãos que neste preciso momento se perde, sem transmissão, e a apetência de toda uma nova geração de designers e artesãos;

- salvaguardar um museu que, dada a sua temática capaz de atrair a atenção dos numerosos turistas que nos visitam, será um complemento precioso para a zona de Belém que se pretende requalificar e que ele ajudará a enriquecer;

Não somos contra o Museu da Língua. Mas não compreendemos porque razão o nascimento de um novo museu deve implicar a destruição de um outro. Acreditamos que ambos os Museus podem ser uma afirmação importante da nossa identidade. Porque um país é feito da sua memória, certamente, mas sobretudo da sua capacidade em saber entendê-la e aproveitá-la, exibindo e estimulando o poder criativo de uma identidade.

Não temos dúvidas que o Museu de Arte Popular ainda pode vir a ser um objecto instigante de conhecimento, reflexão e acção. Assim ele se torne de facto um museu vivo.


Assine!

segunda-feira, 18 de maio de 2009