Ideia: representação mental; representação abstrata e geral de um objeto ou relação; conceito; juízo; noção; imagem; opinião; maneira de ver; visão; visão aproximada; plano; projeto; intenção; invenção; expediente; lembrança. Dicionário de Língua Portuguesa da Texto Editora
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Crónica de um sequestro não anunciado - 3ª parte
Processo arquivado.
Um mimo o auto de arquivamento: uma espécie de casamento entre o bom comportamento da polícia e o bom comportamento dos manifestantes.
É claro que não interessa nada que as horas estejam erradas, ou que metade do que é relatado seja mentira. É claro que não interessa nada as condições em que as pessoas estiveram. É claro que não interessa nada os danos psicológicos causados a muita desta gente. É claro que ficaram com mais 226 pessoas nos arquivos policiais. É claro que devem haver mais não sei quantos telefones sob escuta. É claro que o Ministério Público não sabia onde pôr 226 pessoas e mais de 2.000 testemunhas para um julgamento. É claro que este seria um julgamento político.
Aqui o Auto.
domingo, 30 de junho de 2013
Crónica de um sequestro não anunciado - 2ª parte
Campus da Justiça, Parque das Nações, Lisboa. 10h00.
226 pessoas em fila para entrar. Os primeiros foram para uma sala no 1º andar. As condições eram de tal forma que houve uma pessoa que se sentiu mal. De acordo com as testemunhas, foi difícil convencer o tribunal a chamar a ambulância. Mas veio. Em protesto, as restantes pessoas desceram para a entrada ou ficaram nas escadas.
De tal forma que, quando chegou a minha vez, depois de tomarem nota da minha presença, já me enviaram para fora esperar.
Cá fora, familiares e amigos. Jornalistas, televisões claro. E Garcia Pereira e Vasco Marques Correia, Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, incansáveis a prestar declarações. (O meu obrigada aos dois). Felizmente também José Preto e outros advogados estiveram presentes.
Estes advogados conseguiram o "milagre" de não ficarmos lá o dia todo. Finalmente, todos tínhamos que dizer "Presente!" ao chamamento do nosso nome para ficarmos notificados que o julgamento será no dia 12 às 09h30. A carta segue depois.
A todos os que solidarizaram Muito Obrigada. No dia 12 é precisa mais um um pouco de solidariedade.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Crónica de um sequestro não anunciado
Ontem fiz greve!
Ontem fui à manifestação do Rossio a São Bento convocada pela CGTP.
Ontem fui sequestrada pela polícia:
Cerca das não sei bem que horas, talvez 16:30, indo a subir a Rua de São. Bento, em Lisboa, começou a passar uma manifestação, tanto quanto sei hoje, espontânea. Encontrei vários amigos e juntei-me. Chegados ao Largo do Rato, os acessos à esquerda e à direita estavam cortados pela polícia. Não houve qualquer ordem de dispersão ou qualquer aviso de que a dita manifestação não poderia continuar. Ao contrário, a polícia indicou o caminho em frente.
E o caminho foi a Rua Dom João V. Tal como anteriormente, todos os acessos à esquerda ou à direita estavam cortados pela polícia.
Passando a zona das Amoreiras, apercebi-me que o único acesso disponível seria o acesso à autoestrada. A certa altura, comecei a ouvir a palavra de ordem "a ponte é nossa". Ora, face a estas duas circunstâncias, e como não estou interessada em cortar o trânsito na ponte 25 de abril, em qualquer circunstância, resolvi abandonar a manifestação. Mas, extraordinariamente, fui impedida: o Sr.agente à minha direita impediu-me e disse: a Srª não pode sair, já para dentro! Isto é, não sou livre de sair de uma manifestação e circular.
O percurso continuou até chegar debaixo do viaduto Duarte Pacheco. À nossa espera estavam cerca de 30 polícias de choque com cães; ao nosso lado, posicionaram-se, à esquerda e à direita, não sei quantos; atrás a mesma coisa. Estava sequestrada!
Após cerca de 1 hora de espera (nem vale a pena falar da aflição de muita gente), tivemos ordem de voltar para trás. Sempre com o mesmo quadrado de agentes à nossa volta.
Antes da bomba de gasolina da Galp, enfiaram-nos para o "curral" onde estivemos até às 2 horas da manhã. Entretanto, todos foram identificados, revistados e apalpados. Não havia casa de banho e quem quisesse utilizava o WC das "hortas". Água... só com muito custo... finalmente alguns amigos conseguiram convencer um polícia a aceitar a entrada dessa perigosa substância. Advogado (a)? Foram precisos cerca de 20 minutos para que, esse direito essencial fosse compreendido pelas forças de segurança, e uma advogada pudesse lá entrar e falar com os detidos (estava em causa a assinatura de documentação de que ninguém sabia do que se tratava).
Finalmente, 30 a 40 agentes, nas piores condições de trabalho, foram obrigados a preencher 3 impressos por pessoa, em pé e sem luz (a minha homenagem a estes trabalhadores).
Conclusão: 226 pessoas tiveram que comparecer hoje no tribunal às 10h00.
O que se passou aí fica para outra crónica.
Finalmente, uma pequena opinião sobre a posição da CGTP sobre este acontecimento:
Tal como para o PCP, para a CGTP manifestações e acontecimentos de que não sejam o líder são "contrários" aos interesses dos trabalhadores. Para a CGTP, o direito de manifestação em dia de Greve Geral é só dela. Lamentável!
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