The former prime minister is capitalising on a cynicism that has its roots in decades of disconnect between citizens and institutions
Ideia: representação mental; representação abstrata e geral de um objeto ou relação; conceito; juízo; noção; imagem; opinião; maneira de ver; visão; visão aproximada; plano; projeto; intenção; invenção; expediente; lembrança. Dicionário de Língua Portuguesa da Texto Editora
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domingo, 25 de fevereiro de 2018
Assim vai a Europa!: "Berlusconi’s comeback shows that Italy still struggles with its fascist past" - Sabrina Gasparrini
The former prime minister is capitalising on a cynicism that has its roots in decades of disconnect between citizens and institutions
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
"Remembering the White Rose"
Seventy-five years ago Thursday, a group of young German idealists, students who had dared to speak out against the Nazis, were executed by the regime they had defied. Like a flickering flame in the darkness, the White Rose, as its members called themselves, is an inspiring group that never lost its courage — and a frightening reminder of how rare such heroes are.
The group’s founder, Hans Scholl, and his sister Sophie grew up outside Munich. Their father instilled in them a strong moral compass and a religious worldview. Like many his age, Hans joined the Hitler Youth. But he began to have doubts almost immediately: The Nazis did not allow him to sing certain songs, fly certain flags or read Stefan Zweig, his favorite author. He earned a spot as a flag-bearer at the annual Nuremberg Rally and returned disturbed at what he had seen.
Hans wanted to become a doctor, and when he was drafted he was posted as a medic in France. After a tour of duty, he went back to the University of Munich to continue his medical studies. Sophie soon joined him as an undergraduate. Hans read widely — Plato, Socrates, St. Augustine and Pascal — and decorated his dorm room with Modernist French art. He attracted a circle of like-minded students: Alexander Schmorell, the son of a doctor; Christoph Probst, a young father of two toddlers; and Willi Graf, a thoughtful introvert. They soon found an intellectual mentor in Kurt Huber, a professor of philosophy and ardent believer in liberal democracy.
In the summer of 1942, Hans and his friends — inspired by the sermons of the anti-Nazi bishop of Münster — began to distribute typewritten leaflets denouncing the regime. Their language was incandescent. “Every honest German today is ashamed of his government,” Hans wrote, a government that committed “the most horrible of crimes — crimes that indefinitely outdistance every human measure.” The members of the White Rose declared that all those who stood by were complicit and implored all citizens to engage in “passive resistance” to the Nazi state.
The White Rose also addressed the atrocities against Jews. Schmorell and Hans wrote in the group’s second leaflet: “Here we see the most frightful crime against human dignity, a crime that is unparalleled in the whole of history. For Jews, too, are human beings.” No punches were pulled even when it came to the Führer: “Every word that comes from Hitler’s mouth is a lie.” Sprinkled with erudite references to Goethe, Aristotle, Schiller, Ecclesiastes, Lao Tzu and others, the leaflets concluded with a plea to support the White Rose by circulating them. “We will not be silent,” ended the fourth. “We are your bad conscience. The White Rose will not leave you in peace.”
The leaflets appeared in mailboxes and phone booths between late June and mid-July 1942 and spread to sympathetic students in Frankfurt, Hamburg, Berlin and Vienna. Then they stopped as Hans, Schmorell, Graf and Probst were shipped east on a day’s notice to the Russian front, where the Germans were bogged down. Yet Hans fought back against the Nazis with acts of simple humanity even as he approached the front. On his train to Russia, he saw a young Jewish girl doing hard labor, wearing the yellow Star of David mandated by the Nazis. Running from his transport, Hans handed her a chocolate bar from his rations — and a daisy for her hair.
After returning from the front, Hans and the others released two more leaflets warning that with the loss at Stalingrad, German defeat was inevitable. Declaring the preciousness of individual rights, the leaflets asked, “Are we forever to be a nation that is hated and rejected by all mankind?” Hans, Schmorell and Graf sneaked out at night and painted signs reading “Down with Hitler,” “Freedom” and other slogans on the main boulevard in Munich.
Then on Feb. 18, 1943, Hans and Sophie decided to distribute leaflets at the university, leaving stacks in corridors. As they started to leave, Sophie noticed that there were more copies in their suitcase and headed to the top of the stairs, which overlooked an atrium. She hurled the remaining leaflets in the air and watched as they drifted down the stairwell.
The maintenance man, Jakob Schmid, an ardent Nazi, was watching. He immediately locked the doors and notified the authorities. The siblings were hauled to the Wittelsbach Palace, the headquarters of the Gestapo. Soon after, Probst, whose wife had had a third child weeks before, was also arrested. The three were interrogated for several days, but they refused to implicate others.
All three were found of guilty of high treason and sentenced to death. Within hours, they were executed by guillotine. Before Hans placed his head upon the block, his final words echoed through the prison: “Long live freedom.” Within weeks, the other core members of the White Rose were apprehended and executed.
The story of the White Rose did make it to the front, where it inspired soldiers who were opposed to the regime. But the hope that its members had of inspiring their fellow citizens was not fulfilled. Their call was ignored.
“They did not seek martyrdom in the name of any extraordinary idea,” Inge Scholl recalled in her memoir of her siblings and White Rose comrades. “They wanted to make it possible for people like you and me to live in a humane society.” We are far from the darkness of fascism, but we do ourselves a service by remembering the sad but noble story of these beautiful souls on the anniversary of their tragic sacrifice.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
terça-feira, 18 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Pedro Ramos de Almeida
Pedro Ramos de Almeida nasceu em Lisboa em 23 de Março de 1932. Licenciado em Direito, foi político, escritor e professor.Membro do Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD Juvenil) desde os 18 anos, foi preso em 1954, torturado e sujeito à tortura do sono, e condenado a quatro anos de prisão. O longo julgamento dos 55 membros da Comissão Central do MUDJuvenil, entre os quais o futuro presidente de Angola Agostinho Neto, envolveu dezenas de advogados e decorreu no Tribunal Plenário do Porto entre 1955 e 1957.
Enquanto estudante de Direito foi um dos líderes da luta dos estudantes das três Academias (Lisboa, Porto e Coimbra), em 1960, contra o célebre Decreto-Lei n.º 40900, aprovado pelo Governo em 1956, que visava controlar a actividade das associações de estudantes. Na iminência de nova prisão foi para Paris, como quadro clandestino do Partido Comunista Português.
Em 1962, como dirigente do PCP esteve em Praga (antiga Checoslováquia), onde representou o partido junto de revistas internacionais dos Partidos Comunistas.
A partir de 1964, viveu cinco anos em Argel, onde, como membro do Comité Central do PCP, tinha assento na Junta Revolucionária Portuguesa, órgão dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Foi responsável, nomeadamente, pela rádio Voz da Liberdade, que emitia para Lisboa através de Argel.
Entre 1969 e 1971 esteve na clandestinidade em Portugal, onde foi responsável pelo sector intelectual de Lisboa. Regressou a Portugal, nos finais de 1971, após o seu padrasto e advogado, Fernando Abranches Ferrão, ter tido a garantia de não haver processos contra ele, tendo começado a militar de imediato na CDE, organização da oposição que integrava comunistas e outros anti-fascistas.
À data do 25 de Abril de 1974 era dirigente do MDP/CDE.
Para além de inúmeros artigos para rádio, jornais e revistas, escreveu os seguintes livros:
Salazar, Biografia da Ditadura; O Assassínio do General Humberto Delgado. A Armadilha; Portugal e a Escravatura em África. Cronologia dos Sécs XVI-XVIII; História do Colonialismo Português em África. Cronologia do Séc XIX; A Questão do Vietname; O Processo do Salazarismo (Relatório sobre Portugal); Dicionário Político de Mário Soares; e País da Só Mudança (poesia).
Pedro Ramos de Almeida encontrava-se a escrever um livro sobre a história do MUD Juvenil.
Membro do Partido Comunista Português, era casado com Manuela Barreto e pai dos jornalistas João Ramos de Almeida (Público) e Nuno Ramos de Almeida (jornal "i") e irmão do médico pediatra José Miguel Ramos de Almeida.
Nota biográfica divulgada pela família.
terça-feira, 29 de maio de 2012
"Mulheres de armas"
É já dia 31 o lançamento do livro Mulheres de Armas de Isabel Lindim. Na Ler Devagar às 19:00 horas.Sobre o livro:
Na contracapa
As histórias contadas em Mulheres de Armas poderiam fazer parte de um romance, mas aconteceram de facto, na década de 1970, e fazem parte da história da luta anti-fascista em Portugal. Nos anos que antecederam a Revolução de Abril de 1974, existiram grupos de acção armada, formados por cidadãos que não acreditavam que o regime cairia por si.
Uma dessas organizações chamava-se Brigadas Revolucionárias e durante quatro anos, de 1970 a 1974, combateu a ditadura e criou uma nova forma de luta. Com alguma ingenuidade mas muita perícia, este grupo conseguiu abalar o sistema e desorientar a polícia do Estado. O principal objectivo era boicotar a política colonial, daí que os alvos primordiais das acções fossem quartéis e material militar, seguindo o princípio de não afectar vidas humanas.
Quando, em 2007, a jornalista Isabel Lindim começou a recolher documentos sobre as Brigadas Revolucionárias e o Partido Revolucionário do Proletariado, deparou-se com as histórias de várias mulheres ligadas à organização. Mulheres que participaram em acções, colocaram explosivos e assaltaram bancos. Mulheres que se movimentaram na retaguarda das Brigadas e prestaram o apoio fundamental para a formação de uma base sólida de luta.
Das entrevistas realizadas a algumas dessas intervenientes resultaram catorze histórias de mulheres de armas, tanto no sentido figurado como no sentido literal do termo. Ficam assim inscritos na memória os importantes testemunhos de quem esteve nas trincheiras de um combate clandestino, contribuindo para construir o puzzle de uma época da história contemporânea portuguesa.
Texto de São José Almeida, publicado no Público de 28/5/2012
Era muito insatisfatória a vida naquela altura. Era uma noite escura. Vivíamos uma noite escura e éramos meio cegos.” Assim é caracterizado o período final da ditadura, por uma das activistas do Partido Revolucionário do Proletariado – Brigadas Revolucionárias (PRP-BR), ouvida sob o seu “nome de guerra” e que é a Joana II, no livro Mulheres de Armas. Histórias das Brigadas Revolucionárias. As acções armadas, os riscos as motivações, da autoria de Isabel Lindim, agora editado pela Editora Objectiva.
Uma das mulheres dessa organização, Isabel do Carmo, é mãe da investigadora Isabel Lindim e faz o prefácio à obra que assume contornos inéditos. A antiga activista e dirigente política fala sobre o feminismo e o papel social e político das mulheres em Portugal, destacando a última geração do combate antifascista, então marcado pelas lutas estudantis e pela contestação à Guerra Colonial. E reflecte também sobre o que foi a história do PRP-BR, de que foi umas das principais dirigentes, em conjunto com Carlos Antunes e com o então seu companheiro, Orlando Lindim Ramos, pai de Isabel Lindim.
“Não foi fácil” fazer esta reconstituição”, explica ao PÚBLICO Isabel Lindim. “Depois da primeira entrevista, com a Marília, começaram a surgir contactos. Falei com o homem que fez mais acções e ele deu-me o contacto de várias”, prossegue a investigadora, acrescentando: “Para algumas, foi um exorcismo e foi difícil que falassem. Outras, logo ao telefone, começavam a contar coisas. Todas as conversas foram mostradas às próprias, para confirmar que podia sair o que saiu”. E lamenta: “A algumas não consegui chegar. Mas se não pusesse fim à recolha, não acabava. Fiz o livro entre 2010 e 2011, ao longo de ano e meio.”
Mulheres que ousaram
Ousar o que só poucos homens tinham coragem de fazer é uma das peculiaridades destas mulheres: integrar acções armadas contra a ditadura. Mesmo assim, Isabel Lindim alerta para que, “apesar de haver algumas mulheres na organização, a política continuava a ser um mundo essencialmente dos homens, ainda mais quando envolvia acções clandestinas” (p. 210).
Mulheres de Armas apresenta-nos, assim, a história de 15 mulheres que, na primeira linha ou na retaguarda, personificaram as 15 acções do PR-PBR, iniciadas em 7 de Novembro de 1971 na sabotagem à sede da NATO na Fonte da Telha, até 9 de Abril de 1974, com a sabotagem ao navio Niassa. Assim surgem-nos as operacionais, ainda sob pseudónimo, Graça, Joana I, Joana II e, assumindo o nome próprio, Maria Elisa da Costa, Maria Patrocínia Raposo Guerreiro, Paula Viana. Ou seja, seis mulheres que desempenharam a tarefa política de colocar bombas, rebentar petardos com panfletos de propaganda política, de assaltar bancos.
Já no apoio a estas acções armadas este livro traz para a história o contributo assumido na primeira pessoa de Teresa Gaivão Veloso, Manuela Lima, Marília Viterbo, Maria João Ceboleiro, Celeste Ceboleiro, Laurinda Queirós, Alexandra Ramos e Joana Lopes. E ainda Luísa Sarsfield Cabral, que, por ser dona de uma casa de apoio onde esteve uma mala com explosivos, sem que ela soubesse do que se tratava, acabou por ser presa pela PIDE com direito a quatro noites de tortura do sono e um mês de isolamento, para ser forçada a falar sobre um assunto que em absoluto desconhecia. Aliás, o segredo era a arma organizacional do PRP–BR. Ninguém sabia nada sobre ninguém ou sabia apenas o essencial.
“A PIDE não teve tempo nem audácia para descobrir a fileira das Brigadas Revolucionárias. Para a polícia política, a organização foi sempre uma incógnita, um grupo difícil de definir, por não se ligar a nenhum partido, e difícil de apanhar, possivelmente porque ninguém estava à espera de que uma organização vinda do nada desatasse a roubar bancos e a destruir alvos militares”, afirma Isabel Lindim, acrescentando: ”Se não tivesse acontecido o 25 de Abril, talvez a polícia tivesse descoberto o rasto da organização e dos elementos. Esta questão nunca foi esquecida pelos intervenientes das BR: um dos princípios alinhavados era o de não se saber muito sobre a vida dos outros. Assim, se fossem forçados a falar, não saberiam o que contar, por muito ‘espremidos’ que fossem” (p. 163-4). Outras regras da organização eram o autofinanciamento, através de assaltos a bancos, e o princípio de que as acções armadas e o rebentamento de bombas em alvos militares não causassem mortes. “Não apadrinhávamos a luta armada violenta, mas achávamos que era necessário fazer qualquer coisa…” (p. 111).
Mesmo assim, uma acção falhada em que a bomba rebentou ao ser instalada levou à morte de dois operacionais, Carlos Curto e Arlindo Garrett. E se mais operacionais não morreram, não foi pela ausência de risco nas operações. Exemplo é a tentativa falhada de colocação de uma bomba no Ministério do Interior, no Terreiro do Paço, através das instalações da Direcção-Geral de Saúde, que funcionava no mesmo edifício, contada no livro por Joana II. “Simulámos uma história em que eu ia pedir emprego de professora. Fiz de grávida. As bombas iam à volta da barriga, sem detonador. Quando cheguei à casa de banho, montei tudo. Eram uma espécie de chouriços, que presumíamos caber na sanita, só que eram demasiado grandes e não cabiam”, relata a operacional do PRP-BR.
“Foi mal previsto, tecnicamente. Tive medo de desmontar a bomba, portanto saí do ministério com ela montada. Na saída, ainda houve um senhor que me deu uma festinha na barriga e perguntou para quando era”, prossegue Joana II e acrescenta: “Quando saí, não vi a pessoa que estava a fazer o apoio de carro e que me levaria dali para fora. Tive de apanhar um táxi e pedir para ir devagar, disse que estava maldisposta por causa da gravidez.” E conclui: “Quando cheguei à casa onde estava a Isabel do Carmo e as outras pessoas, ia com a bomba montada. Ela disse para toda a gente sair e ajudou-me a desmontar os explosivos. Fiquei triste por não ter conseguido, porque corri todos os riscos sem efeito nenhum" (p. 112)
Fontes: Entre as brumas da memória e Público
quarta-feira, 13 de abril de 2011
domingo, 6 de março de 2011
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
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