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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Hoje é dia de muita gente - Salgueiro Maia



Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende.
Havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.

Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra.
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.

Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade.
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

"40 anos da Constituição: recuperar a radicalidade" - Sandra Monteiro



Foi há 40 anos. A Assembleia Constituinte, reunida em plenário a 2 de Abril de 1976, aprovou e decretou a Constituição da República Portuguesa, que entraria em vigor a 25 de Abril do mesmo ano. No texto ficaram plasmados os direitos e liberdades fundamentais, bem como o princípio do primado do Estado de direito democrático. Da garantia da democracia política aos direitos económicos e sociais, os deputados constituintes apontavam o caminho: «a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno». Para o concretizar, os direitos materializavam-se em construções que se tornaram pilares do Estado social e de direito: o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a escola pública, a Segurança Social, as leis laborais, etc.

Mesmo com as sucessivas alterações de que foi alvo, o texto constitucional mantém elevados níveis de protecção dos mecanismos promotores de justiça social. Prova disso é que, quando muitos desses mecanismos foram atacados, o recurso para o Tribunal Constitucional permitiu que várias medidas governamentais tivessem de cair ou ser substituídas. Isso foi muito visível nos anos mais recentes, quando o projecto neoliberal iniciado da década de 1980 deu um salto de gigante com a imposição do regime de austeridade, em contexto de crise financeira internacional e de imposição da armadilha da dívida aos Estados.

De repente, os combates das várias esquerdas, que no essencial se limitavam a fazer retroceder medidas causadoras de regressão social, de mais desigualdades e mais recessão económicas, passaram a ser vistos, não como um simples regresso às bases de um programa social-democrático capaz de assegurar mínimos de decência social, mas como sonhos utópicos de radicais e extremistas (por estarem fora do consenso neoliberal).

É compreensível que, à direita, a resposta tivesse sido esta tentativa de estigmatização das oposições àquele projecto. No fim de contas, que outra defesa, senão o ataque, poderiam apresentar perante o fracasso retumbante das respostas que deram à crise iniciada em 2008? Como defender soluções que, não resolvendo nenhum dos problemas, acrescentaram muitos outros e perpetuam a instabilidade e as crises? Neste contexto altamente degradado, é também compreensível que as várias esquerdas tenham dado prioridade à defesa dos aspectos mais basilares da democracia, concentrando-se, nos termos do acordo para a governação actualmente em vigor, em devolver as condições de subsistência aos mais desprotegidos, repondo salários e pensões, e reinvestindo nos serviços públicos essenciais. Outra questão, ainda sem resposta, é saber se a União Europeia, e a sua arquitectura institucional e monetária, irá permitir esta governação alternativa, que recusa insistir na austeridade, ou se utilizará os instrumentos dos tratados orçamentais (défice, dívida, etc.) para forçar o retorno da velha receita.

Enquanto isso, podem os objectivos dos que se opõem ao neoliberalismo limitar-se à reposição dos patamares anteriores à eclosão da mais recente crise? Não será esse o caminho para se ir, de crise em crise, de patamares mínimos em cada vez mais mínimos, até à derrota final? É certo que, hoje, lutar pelos mínimos sociais-democratas – importante avanço face a políticas sociais-liberais ou ultra-liberais – dá pelo menos tanto trabalho e exige pelo menos tanta mobilização à esquerda quanto noutros tempos terá exigido combater pelo socialismo. A isto se chamam tempos de retrocesso: parece que se luta cada vez mais, por cada vez menos.

Mas, se criássemos um Observatório da Radicalidade (não do radicalismo: isso é outra coisa e infinitamente menos interessante), que balanço faríamos da qualidade desta democracia constitucionalizada há 40 anos? A Constituição que temos tem-nos servido razoavelmente bem, mas a sociedade que construímos tem servido menos bem os princípios, os valores, os objectivos e as instituições que ela criou. Portugal já era antes da crise uma das sociedades mais desiguais, e entretanto a situação não terá melhorado. Nesta economia crescentemente financeirizada, globalizada e desregulada, os recursos de que precisamos para combater a pobreza, o desemprego e a precariedade são canalizados para pagar uma dívida insustentável, para alimentar fortunas que alimentam bolhas especulativas e que fogem para paraísos fiscais – fogem, note-se, com o nosso dinheiro, e não só com o seu. Competimos com uma produção global com contornos de quase escravatura, ou pelo menos crescentemente indigna em termos sociais e ambientais, e impedimos o cidadão comum de optar por consumos responsáveis pressionando-lhe os salários sempre para baixo. Trocamos soberania do Estado por formas de integração (europeia, regional, internacional) que colidem com políticas orientadas para o desenvolvimento económico, para a coesão social e territorial.

Passados 40 anos, a sociedade portuguesa não é apenas uma das mais desiguais. É também muito pouco democrática. Com efeito, já antes da crise, num estudo de 2008 [1], Portugal era apontado como um dos países menos democráticos da Europa (atrás, só a Bulgária, a Roménia, a Polónia e a Lituânia; no extremo oposto, a Suécia, a Dinamarca, a Holanda e a Finlândia). O que explica isto? O think tank britânico Demos aplicou um «Índice de Democracia Quotidiana» («Everyday Democracy Index») a vinte e cinco países europeus que permite olhar para outros aspectos da qualidade de uma democracia que não apenas a «democracia formal» (eleições e procedimentos) – aliás, a área em que Portugal está mais bem classificado. Os outros critérios usados pelo estudo estão agrupados nos seguintes indicadores: activismo e participação; deliberação e aspirações; democracia nas famílias; democracia nos serviços públicos; democracia nos locais de trabalho. São estes indicadores que relegam Portugal para os últimos lugares da tabela.

Forças políticas e uma sociedade mobilizadas para construir mais democracia e mais justiça social não podem deixar de colocar no debate público e na agenda política todas estas dimensões da democracia. Ao combate pelos direitos económicos e sociais, pelo direito ao trabalho, à habitação, à mobilidade e à cidade (analisados no dossiê que dedicamos nesta edição ao 40.º aniversário da Constituição), há que juntar os combates pela democracia nas empresas e demais locais de trabalho; pela gestão democrática nas escolas e nos estabelecimentos de ensino superior; pela participação dos utentes nos serviços públicos, como na saúde; pelo envolvimento de comissões de trabalhadores e utentes no funcionamento dos transportes públicos; pela valorização do papel e da organização democrática dos sindicatos e das associações; pelo aprofundamento do poder local, com orçamentos participativos e outras iniciativas; pelo incentivo a diferentes formas de propriedade, pondo em comum o que, se o não for, contraria os interesses das comunidades; pela desconstrução dos tradicionais papéis de género nas famílias e tantas outras formas de discriminação no espaço público e privado (género, etnia, etc.).

Celebrar a Constituição, 40 anos depois, é também recuperar uma radicalidade que ela inscreveu e que se perdeu pelo caminho ou não chegou a tornar-se prática. Não significa dedicar menos energias à defesa dos patamares que ainda há pouco dávamos como adquiridos: significa que temos ainda mais trabalho pela frente. A boa notícia é que, quando temos uma prática quotidiana suficientemente regular e ambiciosa para ganhar músculo democrático numa certa área, estamos de facto a contribuir para a boa irrigação dos tecidos de todo o sistema. Bem vistas as coisas, 40 anos é uma boa idade para apostarmos a sério na saúde desta nossa democracia.

domingo, 19 de abril de 2015

"Em abril, esperanças mil!"


Intervenção da Comissão Promotora do jantar do passado dia 17:


Antes de mais, os agradecimentos necessários:

· Aos Serviços Sociais da Universidade pelo espaço que, mais uma vez, nos disponibilizaram;

· Aos trabalhadores da Cantina que, com o seu trabalho e a sua simpatia permitiram a realização deste jantar.

A eles o nosso Obrigado!

A vocês! Que aqui estão de pedra e cal a defender o 25 de abril. No jantar que teve mais pessoas até hoje.

“Em abril, esperanças mil!” É o mote do jantar que hoje fazemos e que tem já uma história que queremos manter.

Abril de 1974 que trouxe a esperança a um país em ditadura, em guerra, atrasado económica e culturalmente.

Todos os que nos últimos 41 anos viveram estes tempos, mais novos ou mais velhos, passaram por alegrias e tristezas, ânimo e deceção, desalento e esperança. Tivemos momentos melhores e piores mas, nunca como nestes últimos 4 anos, vivemos tempos de tanto sofrimento:

· Fome
· Desemprego
· Emigração
· Corrupção
· Desigualdade Social
· Insolvência
· Falência
· Medo, muito medo!

Os acontecimentos mundiais que vivemos diariamente deixam-nos perplexos. O desenvolvimento da violência, da intolerância, os atos criminosos perpetrados em nome de religiões e ideologias levam-nos a tempos que julgávamos não tornarem a poder existir. O racismo ressuscitou com violências antigas, mas também com novos contornos difíceis de combater.

Vivemos assim tempos extraordinários.

Este é um ano muito importante para a União Europeia e para Portugal.

Em 1º lugar, comemoramos os 40 anos das primeiras eleições livres no nosso país depois de décadas de ditadura. Os deputados então eleitos tinham como missão construir uma nova constituição de acordo com os princípios da revolução que tinha sido levada a cabo no ano anterior pelo MFA.

Em 2º lugar, a União vai a votos: realizam-se eleições em vários países, incluindo o nosso.

Os nossos objetivos são claros: correr com a quadrilha de malfeitores que estiveram no poder nestes 4 anos e criar as condições para poder existir um governo de esquerda, que governe à esquerda, que não tenha medo da Constituição e de tudo o que ela representa.


É necessário um governo que não tenha medo do estado social, um governo que defenda os valores de “abril, esperanças mil!”: Paz, Pão, Saúde, Habitação e Educação.

Um governo que não tenha medo de exigir à União Europeia a que aderimos aquilo que se espera dela: verdadeira solidariedade e igualdade entre os estados e não uma ditadura dos mais fortes sobre os mais fracos. Um governo que não se ponha em “bicos do pé” perante os burocratas de Bruxelas e que saiba levantar a voz e dizer que os portugueses, mesmo que sujeitos a regras, têm direito a decidir sobre o seu destino.

As “portas que abril abriu” não se fecharam: mesmo com todos estes problemas estamos melhores do que há 41 anos – muitos melhores. Mas não podemos deixar de dizer que se perderam muitas coisas. Cabe-nos recuperá-las e não deixar fechar essas portas. É esse o desafio de todos nós. As nossas mil esperanças não morreram nem vão morrer.

Obrigada!

Viva o 25 de abril!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Amanhã ao Carmo às 11 horas


A Direcção da Associação 25 de Abril informa que decidiu levar a efeito uma evocação a Salgueiro Maia, nela personificando a homenagem a todos os militares de Abril, no Largo do Carmo, no dia 25 de Abril às 11.00, evento para o qual desafia toda a população.


Mais informa que, nessa circunstância, o Presidente da Direcção da A25A proferirá uma intervenção de fundo na linha da que seria feita na sessão solene na Assembleia da República.

Após esse tributo, será organizada uma romagem ao edifício onde funcionava a PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, para evocação da memória dos cidadãos ali assassinados no fim da tarde de 25 de Abril.

Todos ao largo do Carmo às 11h00 de dia 25 de Abril

O 25 de abril e o cinema - "O retrato do 25 de Abril"


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Poemas e Canções para o 25 de abril - 2


Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companhera da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.




Zeca Afonso

domingo, 20 de abril de 2014

Poemas e Canções para o 25 de abril - 1


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 19 de janeiro de 2014

domingo, 29 de dezembro de 2013

Villas


José Luís Villalobos Filipe, Villas, foi um militar de abril. Piloto de helicópteros. Um homem doce, sempre com um sorriso, um amigo. Foi fundador da Associação 25 de abril e do movimento Não apaguem a memória! onde o conheci. Fiquei muito triste com a sua morte. E, o que é mais importante: eu gostava muito dele e ele de mim.

Até sempre Villas! Ficas no meu coração e na minha memória. Foi um privilégio ter-te conhecido.

Comunicado da Associação 25 de abril:

É com enorme pesar que comunico o falecimento do coronel da Força Aérea, piloto aviador, José Luís VILLALOBOS Filipe, militar de Abril da primeira e de todas as horas. Sócio fundador da Associação 25 de Abril, onde desempenhou vários cargos directivos, nomeadamente o de vice-presidente da Direcção, o Villalobos foi um extraordinário e permanente militante dos valores de Abril.

Mestre em Economia, desempenhou várias actividades nessa área, nomeadamente junto das autarquias, o que, contudo, nunca o levou a descurar a acção junto das escolas, que privilegiava nas suas preocupações de militar e militante de Abril.

A Associação 25 de Abril perde assim um dos seus melhores, Portugal fica mais pobre com o falecimento de um Homem bom, digno, humilde, patriota e progressista.

Por nós, seus camaradas e companheiros de Abril, temos de tentar ser dignos da sua acção.

Recordamo-lo, com as palavras por ele proferidas no passado dia 25 de Abril de 2013, quando no Rossio, nos representou e aí encerrou as Comemorações Populares desse ano: "Portugal chegou a uma nova encruzilhada da sua História e, como em todas as outras, terá de ser o seu Povo a encontrar em si a vontade e a energia para a ultrapassar, na certeza de que a austeridade não contribui para amortização da dívida, antes a agrava." e "É imperioso que todas as forças se unam patrioticamnete, para, todos juntos, vencermos esta crise."

E, como ele o fez no fim da sua intervenção, citamos Ary dos Santos: "Isto vai meus amigos. Isto vai!"

Até sempre, caro Villas, um grande abraço amigo do

Vasco Lourenço

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A propósito do 25 de novembro, das homenagens, etc - "A GRANDE MENTIRA DO 25 DE NOVEMBRO … …e ainda o seu aproveitamento por quem detesta a Revolução" - Manuel Duran Clemente


Finalmente foram precisos mais de 38 anos para hoje toda a gente ou a sua maioria concluir que não houve nenhum golpe de esquerda...mas sim um razoável golpelho de "medrosos" (duma direita merdosa) a maior parte deles representando,conscientemente ou não, os que tinham perdido privilégios no 25 de Abril de1974 e aos quais os meus camaradas, pouco cultivados nestas coisas da política,incluindo Costa Gomes e outros experts- com Melo Antunes[a comandar os"nove"],que não sabia de politica mais do que eu- se associaram, não com medo do Partido Comunista nem dum guerra civil, mas sim com medo dos poderosos americanos ,suas CIA e FBIs, que a pronto mataram J. Kennedy e Robert Kennedy, Luther King...Allende no Chile, Amilcar Cabral em Conakry, Mondelane em Moçambique, estudantes no México, o Black Power,...e toda a réstia de esperança dum ano de 1968 e de um Maio de 1968...E aqui na lusa pátria das lutas de 1962,1969 e 1973.....e dos heróis mortos, feridos e presos do PCP...e dos de outras cores, católicos progressistas ou sociais-democratas, ditossocialistas, exilados ou refractários por Franças, Bélgicas, Alemanhas, Suiças,Holandas ou Escandinávias...terras das sereias.

No Portugal minimamente consciente…nunca ninguém teve medo do PCP, nem de VascoGonçalves, nem do MFA...mas toda a gente sofreu e teve horror ao fascismo, aos maus acólitos da igreja e aos nefastos caciques locais que hoje ainda perduram...na direita,na igreja e nas localidades...

Por isso Melo Antunes após este episódio fratricida de 25 de Novembro de 1975,que umas bestas pretendem ainda comemorar, debaixo do chapéu de chuva de R.Eanes...dizia (a meu ver, eu suspeitíssimo) para salvar a sua pele e a dos seus "alienados medrosos" ..a democracia tem que contar com o PCP...que o mesmo era dizer a democracia tem de contar com todos nós que fizemos REVOLUÇÃO...que ele, como eu, fizemos...só com a diferença (por eu ser comunista deste os 30 anos..ou desde que nasci) não tenho a Medalha da Liberdade..(sendo dos primeiros dez a conspirar para o 25 de Abril). Coisa formal na qual me estou nas tintas… só nas tintas não. Completamente nas tintas...mas por mor dos meus pecados[ acho que S.Pedro ma vai entregar à entrada do Purgatório...].

Com a incultura destes militares adeptos de Melo Antunes e de Vasco Lourenço e com pontas da lança dos EUA (desconhecidos destes e de outros genuinos capitães de Abril) (CIAs,FBIs E CARLUCCIs) infiltrados desde sempre no MFA e que me dispenso de nomear...até por que alguns jazem mortos ...que é que se poderia esperar deste saloio rectangulozinho à beira-mar plantado...???As promessas europeias dessa outra figura.."ignorante" (ignorante como revolucionário, sim...)???Refiro-me a Mário Soares. É um intuitivo diletante que esteve sempre atrás do biombo da Revolução...como hoje está ...!!!

A diferença é esta...a esquerda "derrotada" estava e está com a Revolução...a dita "esquerda" vencedora está com o 25 de Abril...mascarada de 25 de Novembro.

Como não há 25 de Abril sem REVOLUÇÃO...para que serve o 25 de Novembro? Para,num momento destes, um dos mais graves da vida nacional, uns espertalhaços que ficaram adormecidos com os louros dos 25 de Abril/Novembro, conquistados por nós, se outorguem em dar força à direita e aos inimigos do povo português...

Ramalho Eanes....um andrógeno do 25 de Abril e da REVOLUÇÃO... teve o desplante[nesta era (hoje) sob resgate da troika] de aceitar ser homenageado no dia 25de Novembro..Se fosse ,um homem genuíno, do 25 de Abril, devia ter dito que NÃO,redondamente e sem equívocos. Mas não..ao terceiro terço dos mistérios dolorosos ,da santa madre igreja, após salvé rainhas...de oh clemente e oh piedoso.. que nem sei quem sois ..declarou aceitar a homenagem fracturante. Mas como tem uma missa em Alcains...(terra do meu apreço pelo belo cabrito que lá se esfola..)à qual prometeu não faltar...vai mandar a mulher(D.M.Portugal) e sua filha, alimentar, no dito jantar, a gula dos vampiros da nossa democracia...dos alegres e tristes algozes deste nosso burgo.

Mas sabem, no fim disto tudo, o que está em causa... é que alguns de nós que nascemos para chatear os malandros (de vários níveis) andamos para aí a espalhar que a culpa do que está a acontecer tem muito (quase tudo ou quase nada, ou qualquer coisa) a ver com uma certa data de um Outono de 1975....em que as nossas mais gloriosas esperanças(ao contrário dos dolorosos mistérios do terço da Virgem Maria) foram decapitadas por inconscientes medrosos ou por conscientes ao serviço do estrangeiro

E, ao lado desse desígnio, militares,como Melo Antunes,(chefe dos "nove") que passando por Bissau em Agosto de 1974 ,transpirava (vulgo:suava) ao ter de enfrentar seus jovens Duran Clementes,Jorge Golias,Faria Paulinos,Bouça Serranos,Jorge Alves,Barros Mouras,Celsos Cruzeiros,Sousa Pintos,Matos Gomes e outros nobres capitães ou militares de ABRIL ...."assessores"ou "adjuntos" dum homem digno Carlos Fabião...Eu estava junto de Fabião que de Bissau mandou o General Spínola dar uma volta ao bilhar grande.Meus amigos, fui eu que traduzi, ao telefone ,em Julho de 1973... Isto porque o general do monóculo queria, teimoso, aterrar em Bissalanca com as suas 27.000 fotografias para organizar mais um teatral e “falso” congresso do povo guineense…numa última tentativa de abafar a descolonização e evitar o inevitável: a já declarada e reconhecida, por quase 100 países,independência da Guiné-Bissau!!!Nessa ocasião pasme-se Melo Antunes ainda andava indeciso com a problemática descolonização. Por isso ,antes de morrer, declarou que ela tinha sido uma tragédia.
Espero que tivesse, no seu íntimo, responsabilizado essa “proclamada desventura”a António Salazar,a Marcelo Caetano e à ditadura fascista.

Um exemplo da ética de Ramalho Eanes.

Mas ainda hoje se fala aos quatro ventos da ética de Ramalho Eanes. Pois bem, vou-vos contar este acontecimento. Em 1977 o Conselho da Revolução (CR) para apaziguar os militares resolveu promover a publicação dum Decreto-Lei que reintegrava todos os militares “expulsos” das Forças Armadas em consequência dos eventos do 11 de Março e do 25 de Novembro. A coisa foi noticiada em caixa alta nos jornais. Só que esta aparente generosidade de Eanes e dos seus membros do CR estava eivada dum manhoso subterfúgio.Os militares do 25 de Novembro não tinham sido formalmente expulsos, logo a lei não iria aplicar-se a estes.. Depois de termos dado conta disso avisou-se Vasco Lourenço (eu mesmo escrevi uma carta a Melo Antunes) inquirindo-os se tinham consciência do logro. Estes discutiram o facto com Eanes.Afinal a lei não contemplava os militares injustamente acusados de golpe no 25 de Novembro...e não foram mesmo reintegrados.Só uma Lei de Amnistia, já de 1980, e saída da AR,veio repor a injustiça que o ético Eanes "gostosamente" deixou passar,nem sequer lavando as mãos como Pilatos. Ramalho Eanes impedira,em 1977, que o texto do tal Decreto-Lei fosse adaptado e nos contemplasse. Éticas e manhas.Manhas e lógicas de medo e de falta de saber!!!Como hoje...

Continuarei ...se não houver problemas técnicos...há mais para contar!!!


Manuel Duran Clemente