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domingo, 6 de outubro de 2013

Eleições autárquicas - José Pacheco Pereira


1. As eleições autárquicas foram desprezadas por quase todos: pelas direcções do PSD e CDS, pelos comentadores pró-governamentais que fizeram tudo para lhe tirar importância política, e pela comunicação social e não só por causa das decisões absurdas da Comissão Nacional de Eleições, aceites com zelo, mas também em editoriais cheios de enjoo snobe. Durante um mês, se havia referências às eleições, era ao estilo engraçadista dos “tesourinhos deprimentes”, substituindo o noticiário político pelo gozo com os candidatos que tinham a infelicidade de cair sob a atenção dos cada vez mais numerosos profissionais do ridículo alheio.


2. E no entanto… as eleições autárquicas foram um dos poucos momentos de respiração livre da política portuguesa, livre da “inevitabilidade” que retira o ar à democracia. Tinham aliás que ser relevantes, porque eram as primeiras a realizarem-se depois das legislativas de 2011, num país plenamente atingido pela governação Passos – Portas, sob a égide da troika. E essa liberdade de respiração forneceu-nos resultados reveladores sobre o “estado” político do país, que só podem incomodar o poder estabelecido, muito para além dos exercícios de menorização, como seja repetir que todas as eleições autárquicas penalizam os governos em funções. Estas foram mais longe, penalizaram o governo, os partidos políticos do chamado “arco da governação”, e o sistema político-partidário como ele hoje existe. Foram, a seu modo, uma das eleições “revolucionárias” da história democrática, como a que deu origem ao PRD, e como a que gerou a primeira maioria absoluta em sistema proporcional de Hondt. Como se vê pelos precedentes, não é líquido que não possa haver retrocesso, mas que houve expresso desejo de mudança, muito para além de punir o PSD e muito menos do que premiar o PS, houve.


3. As eleições traduziram o ambiente político de hostilidade aos partidos sob três formas: uma parte das abstenções, o elevado número de votos brancos, a duplicação de votos nulos. No último caso, se fosse possível divulgar o que muita gente escreveu nos boletins de voto perceber-se-ia com clareza o seu significado. Em cada uma destas manifestações, - abstenções, brancos e nulos, - o significado é evidente e não vale a pena perder muito tempo a analisá-lo. Já uma quarta manifestação, o papel das listas independentes, merece mais atenção, visto que os seus resultados eleitorais extravasaram o terreno habitual dos independentes, freguesias e pequenas autarquias, para o centro da decisão eleitoral em grandes cidades. O Porto, Sintra, Oeiras, Gaia, Matosinhos, concentrando centenas de milhares de pessoas em grandes aglomerados urbanos, tiveram as suas eleições marcadas por candidaturas independentes que ou ganharam ou estiveram quase a ganhar, remetendo para segundos e terceiros, os grandes partidos nacionais. Também aqui existe um argumento de minimização que é o facto de muitos destes independentes virem dos aparelhos partidários, apresentando-os como “ressabiados” (uma típica acusação dos aparelhos e seus funcionários) que queriam vingar-se de serem preteridos. A verdade é que os eleitores os reconheceram como melhores candidatos e deram, com o seu voto, uma lição à arrogância partidária.


4. O que se vai passar com estes independentes? Não se pode prever, mas tudo indica que se podem tornar num factor permanente da vida local, variando a oferta política, e pressionando os partidos para terem mais cuidado com as suas escolhas. E muitos vão ser excelentes autarcas, que lá chegaram pelo mais duro dos caminhos. A lição que se deveria tirar era repensar a lei eleitoral para a Assembleia da República, terminando também aí com a hegemonia dos partidos nas candidaturas, permitindo que independentes e listas de independentes concorressem. Não tenho dúvidas de que, em particular nos meios urbanos, seria o caminho para uma renovação dos deputados, com uma nova geração de pessoas que trariam para a Assembleia, características de independência contra a governamentalização de que o parlamento necessita.


5. Quem perdeu é óbvio e perdeu muito mais do que se pensa. Perdeu nos anéis e nos dedos. A derrota da actual direcção do PSD é gigantesca. Nela contam factores nacionais de rejeição do governo e das suas políticas, que são tão evidentes que não merecem também que se perca muito tempo com eles. Mais interessante são os efeitos internos de rejeição da partidocracia que no PSD (e no PS) é hoje um factor de perversão da democracia. Menezes, Pedro Pinto, Carlos Abreu Amorim, Moita Flores foram escolhas pessoais de Passos Coelho e da sua direcção. Direi mais, escolhas íntimas: Menezes controla, entre Porto e Gaia, uma parte importante do aparelho partidário decisivo para o apoio a Passos Coelho; Pedro Pinto é Vice-presidente de Passos Coelho, com um claro apoio e incentivo da direcção actual quer no parlamento, que usou para a sua campanha, quer numa das raras presenças encenadas na rua de Passos; Moita Flores “preparou” uma saída falsa de Santarém para ir para Oeiras, sob o incentivo e controlo do PSD; Carlos Abreu Amorim, um homem truculento que só existia nos blogues, que pelo seu servilismo parlamentar se tornou um dos ícones da actual direcção, sempre promovido e premiado por defender a outrance tudo o que o governo desejava. Todos eles e todas as suas campanhas foram das que mais dinheiro tiveram, com uma enorme exibição de riqueza patente para quem visitasse o Porto, Oeiras ou Vila Nova de Gaia, cheias de outdoors sempre renovados. Tinham outras características comuns, ligações com a Maçonaria, um traço da actual direcção do PSD e ódios dirigidos a adversários reais e putativos de Passos, como a hostilidade a Rio, visceral em Menezes e Abreu Amorim. O objectivo destas candidaturas era solidificar o apoio interno com os mais agressivos dos fiéis, e falhou completamente.

(Continua.)

Daqui

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Assim vai a Europa! Eleições autárquicas em Portugal - Perderam os partidos políticos


Quem ganhou e quem perdeu?

Os grandes perdedores das eleições autárquicas de ontem foram os partidos políticos com a honrosa exceção do PCP.

Fazendo as contas, os grandes ganhadores foram a abstenção (record), os votos brancos e nulos, os independentes.

É só fazer as contas e tirar o respetivo significado. Comparando os resultados com os de 2009:

PS: menos 687.777 votos
PSD/CDS: menos 251.412 votos (aproximadamente)
PCP/PEV: mais 12.812 votos
BE: menos 46.097 votos
Independentes: mais 118.455 votos
Votos brancos: mais 98.351 votos
Votos nulos: mais 78.004 votos
Abstenção: 47,4%

Algo vai mal neste sistema político. Quem dirige estes partidos que tire a cabeça da areia!

Resultados oficiais

sábado, 21 de setembro de 2013

"Sem limites" - Vasco Pulido Valente



Não se sabe por onde o sr. Fernando Seara andou desde 2010. Na China? Em lugares ainda mais proibitivos, sem nenhuma comunicação com o mundo exterior? Na lua? Ou simplesmente mergulhado nas profundas trevas da sua inconsciência? E é ele, como pretende, um ex-comentador de futebol e um antigo presidente da Câmara de Sintra? A sua verdadeira identidade intriga toda a gente. Seja como for, o sr. Seara não tem com certeza vivido em Portugal e, por isso, caiu do céu num estado de inocência e de ignorância que deixou Lisboa de boca aberta. Um destes dias, saí de casa e, olhando para os cartazes da criatura, julguei que se tratava da provocação de um milionário louco, como nos filmes de 1930. Mas, pouco a pouco, acabei por me convencer de que a coisa era a sério.

Os cartazes do sr. Seara, que o CDS e o PSD, os partidos do Governo, autorizaram e apoiam, prometem só isto: "estacionamento gratuito para residentes em qualquer zona da cidade": "manuais escolares para todos" (uma promessa ambígua, que tanto pode incluir os manuais do 1º ciclo como os manuais de Biologia ou de Medicina); "residências sociais para os mais carenciados"; "túnel no Saldanha (eixo central)"; "brigadas permanentes de limpeza" para garantir que Lisboa se torna num sítio muito "limpo", presumo que gabado na Europa pelo seu asseio. Estas promessas do sr. Seara ou são absolutamente inviáveis (como o "estacionamento gratuito para residentes", por exemplo) ou sintomas de uma megalomania patológica (o túnel do Saldanha), que é um perigo para o cidadão desprevenido.

António Costa conseguiu ao fim de muito tempo e de muito esforço reduzir a dívida da Câmara de Lisboa e chegar a uma situação financeira sustentável. O "programa" de Seara (se merece o nome) iria uma dúzia de meses criar uma nova dívida muitas vezes superior à antiga. Mas parece que ninguém lhe chamou a atenção para esse ridículo pormenor; e nem o CDS e o PSD se importam que ele faça uma campanha destinada a arruinar o Estado e a ludibriar o eleitorado. Esta prática não escandaliza agremiações que por ela sempre manifestaram uma especial preferência. Só não se percebe como, no meio do regabofe estabelecido, o Governo ainda arranja coragem para "cortar" dez por cento aos pensionistas do Estado e aos pobres reformados do "regime geral". A desvergonha é ilimitada.

No Público de hoje.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cartoons - "Os suspeitos do costume"


Cartoon de Henrique Monteiro

Eleições Autárquicas - Resultados





Fonte: Expresso

Os factos que merecem destaquem:

António Costa e Rui Rio tiveram a maioria absoluta.
Santana Lopes vai pensar se vai para a Câmara.
Fátima Felgueiras perdeu.
Valentim Loureiro ganhou mas perdeu a maioria absoluta.
Isaltino Morais continua imbatível.
A CDU não conseguiu.
O CDS ficou na mesma.
O Bloco de Esquerda tem muito que aprender.
Avelino Teixeira Torres, o "nosso" bombista de eleição, perdeu.
O PSD continua a ter mais Câmaras.
O PS ganhou mais Câmaras.
As sondagens acertaram pouco.
Etc, etc, etc...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Eleições Autárquicas - Sondagens

É já no Domingo que vamos votar. Desta vez para as Autarquias. Aqui ficam as últimas sondagens para Lisboa e Porto. Vamos ver se acertam.



Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Quero andar a pé! Posso?"

Não tem carro? Tem carro e é uma pessoa civilizada? Então este blogue interessa-lhe.

Em campanha eleitoral para as eleições autárquicas, quando se fala muito de túneis, rotundas e parques de estacionamento, o direito das pessoas, em contraponto com o "direito" dos carros, é uma questão premente.

Visite e participe!

Cartoons - "Santana vai à caça"


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Condenado mas "inocente"

Isaltino Morais foi condenado a 7 anos de prisão efectiva e à perda imediata do seu mandato por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção activa e branqueamento de capital. Vai recorrer. Tem esse direito. Mas também vai ser candidato à Câmara Municipal de Oeiras. É verdade que até ao final de todas as condenações e recursos deve ser considerado inocente. Mas uma candidatura política deve ser transparente, sem quaisquer dúvidas. Algo vai mal na legislação portuguesa.

domingo, 28 de junho de 2009

Pensamentos profundos


As datas das eleições legislativas e das eleições autárquicas estão marcadas. Agora já é possível ponderar os pressupostos essenciais para ser concluída a definição do caminho estratégico e das suas diferentes componentes.

Pedro Santana Lopes - Um grande pensador

terça-feira, 14 de abril de 2009

Apelo à Convergência de Esquerda nas eleições para Lisboa


À População residente em Lisboa:

A recente passagem de executivos liderados por forças de direita na Câmara de Lisboa representou um sério retrocesso na governação da autarquia, cujas consequências foram sofridas pelos lisboetas e que delas guardam uma memória bem presente culminada pela realização de eleições intercalares em Junho de 2007.


A constante prevalência dos interesses particulares sobre os interesses gerais, o clima de suspeição que isso gerou, o endividamento sistemático das finanças municipais, a sucessão de projectos desajustados e megalómanos, antevistos para a cidade durante os mandatos anteriores, irão obrigar a autarquia, no imediato, a um esforço financeiro, a uma reestruturação mais racional e à reconversão de um planeamento urbanístico em moldes mais equilibrados e participativos, que não desrespeite nem o carácter da cidade, a sua memória histórica, ou tão pouco ponha em risco o seu equilíbrio ambiental, concebido à margem de finalidades meramente especulativas e, merecedor, por via disso, de um amplo apoio dos cidadãos ao governo da sua cidade.

Por essa razão, para as eleições que este ano se vão realizar na autarquia de Lisboa, os promotores e abaixo-assinados apelam a todas as organizações de esquerda – partidos, movimentos, associações – a uma convergência de esforços e de programa que permita a eleição de uma equipa que dê garantias de rigor, transparência, responsabilidade e empenho no desenvolvimento equilibrado da cidade.