terça-feira, 29 de setembro de 2015

"É radical, no verdadeiro sentido da palavra"



É radical, no verdadeiro sentido da palavra. A nossa escolha é radical . Dia 4. Manter PSD e CDS no poder ou votar para os derrubar . A segunda hipótese chama - se PS. Qualquer voto no BE ou no PCP é um voto na direita . É no que a direita aposta . Na dispersão da esquerda . Dia 4 é um dia radical . Ou PSD e CDS ou PS. Os homens e as mulheres de todas as esquerdas têm o nosso destino colectivo nas mãos . Não o dividam . Dividir não é, dia 4, nem patriótico , nem de esquerda .

Isabel Moreira


Esta opinião da deputada socialista Isabel Moreira é demonstrativa da cegueira a que pode chegar o desespero político. Para Isabel Moreira quem votar à esquerda do PS não é patriota nem é de esquerda. Significa isto que o PS, se não tiver maioria absoluta, não sabe o que vai fazer? Preocupante, pois pode querer dizer que não passa pela cabeça à direção do PS fazer alianças à esquerda.

Para mim o que é importante é derrotar a coligação de direita. Se a esquerda ganhar é necessário um consenso que viabilize um governo contra a austeridade.

Pela parte que me toca não gosto de maiorias absolutas: são perigosas, foram perigosas e continuarão a ser perigosas.

Isabel Moreira pode apelar ao voto no PS. É o seu partido. Não pode é atacar aqueles que durante 4 anos se bateram contra este governo e contra a austeridade.

Tenho pena. Pois Isabel Moreira tem tido o meu respeito em muitas situações. Gostava de não o perder.

"Las emigraciones!


Ahogados, asfixiados, ateridos, hambrientos… padres protegiendo a sus familias, buscando darles de comer, un espacio seguro, el mero hecho de poder cruzar de una calle a otra sin que te descerrajen un tiro. Los españoles sabemos de qué va el asunto, nos fuimos a Argentina, a México, a Alemania, a Francia, a Bélgica, en busca de un futuro y provocamos la misma respuesta xenófoba, las mismas interrogantes, el mismo populismo y los mismos recelos, nos vienen a quitar el pan, a dejarnos sin trabajo… A la larga, toda esa savia fortaleció los respectivos países, por lo que la pregunta no es cómo detenerles -las fronteras inexpugnables son una fantasía-, sino cómo asimilarles, cómo proveer fondos extraordinarios, cómo reagruparles familiarmente, cómo tramitar asilos y alimentarles y blindar la tarjeta sanitaria, cómo facilitar que aprendan el idioma para que se pongan a buscar trabajo cuanto antes, porque nadie quiere marginación ni dependencia, ellos los primeros. Pero más allá, debemos seguir haciéndonos preguntas: ¿a qué se debe esta oleada de desesperación?, ¿cuáles son las raíces que están secando la credibilidad europea? Algo tendrá que ver la precariedad laboral, las bolsas de pobreza, la economía sumergida, la desigualdad pavorosa… Siempre me pregunto lo jodida que tiene que estar una persona para encajarse en el tren de aterrizaje de un avión o meterse en una maleta certificada o subirse a un bote hinchable y comenzar a jugar al ajedrez con la muerte. La respuesta siempre es categórica: tiene que estarlo a un nivel que mi mente de europeo acomodado no pueden concebir. Concertinas, muros, fosos, soldados, cuotas, devoluciones… ¿realmente a usted le detendría algo si ve a su hijo morirse de hambre? Estos movimientos serán uno de los grandes retos que tendremos que afrontar en el siglo XXI. El demonio no está solo, sino bien relacionado con el resto de comensales que se van sentando al festín caníbal, la sostenibilidad medioambiental, el control del clima, la pobreza extrema, la planificación urbana, las energías renovables… Y mientras estoy aquí soltando obviedades, alguien se ahoga cerca de Kos, alguien recibe un pelotazo en la limes húngara, alguien se monta en una embarcación inverosímil en la costa libia, un traficante de personas continúa lucrándose, un militante de extrema derecha engorda su crédito político…

domingo, 27 de setembro de 2015

Novos Fotógrafos - Chuck Robinson
















Portugal na imprensa estrangeira - "Pedro Costa: Portuguese director who fashioned Gil Scott-Heron's film prayer"



In the world of independent film, nothing comes cheaper than talk of going guerrilla, of doing it all outside the system on minimal budgets. But Pedro Costa is one film-maker who can genuinely claim to do things differently. The Guardian’s Peter Bradshaw once described the Portuguese director as “the Samuel Beckett of cinema” – which certainly honours the austerity of Costa’s vision. But you could also call him cinema’s Vincent van Gogh – an artist who has turned his back on the worldlier ways of film to find an intense, troubling poetry in urban life at its most disadvantaged.

"No Time to Lose in Syria" - Javier Solana


The arrival of hundreds of thousands of men, women, and children seeking refuge from conflict has confronted the European Union with two stark realities. First, its member states are not all meeting their obligations, both to one another and according to international law. Second, its position regarding Syria’s civil war is unsustainable. To be clear: failing to work towards peace in Syria is just as grave an error as turning away those fleeing from persecution.

sábado, 26 de setembro de 2015

Afinal porque é que não se deve acreditar nas sondagens?

A manipulação de sondagens é um facto indiscutível em todos os países: basta lembrar que 2 dias antes das eleições gregas as sondagens davam um empate técnico entre o Syriza e a Nova Democracia; o resultado está à vista.

Mas afinal o que são sondagens? Este artigo é importante para esclarecer alguma coisa deste mistério:

Sendo as eleições um dos pilares dos regimes democráticos é importante que um instrumento com tal poder de influência seja conhecido dos cidadãos, sob pena de poder ser usado para instrumentalizar a sua vontade e desvirtuar um processo essencial para a estabilidade da vida política. Nesta perspectiva, saber ler os resultados de uma sondagem é uma competência fundamental numa sociedade democrática.

Em 2011 as sondagens deixaram muito a desejar. Este exemplo é ilustrador:

A apresentação de sondagens na comunicação social centra-se, compreensivelmente (tendo em conta a natureza da comunicação social), nos resultados. A informação referente à metodologia usada é reduzida ao mínimo exigido pela legislação. A interpretação dos resultados da sondagem – feita geralmente na perspetiva de “quem vai à frente” – é da responsabilidade do jornal. Contudo, nem sempre a interpretação e apresentação editorial dos resultados é feita com o rigor técnico que seria desejável. Por exemplo, no caso em concreto, em que a margem de erro (apresentada no 3º parágrafo da notícia como “intervalo de erro”) é de ±2.5%, isso significa que os resultados na população podem variar, no caso do BE entre 6%-2,5% e 6%+2,5%, ou seja, entre 3,5% e 8.5%, da CDU entre 9%-2,5% e 9%+2,5%, ou seja, entre 6.5% e 11.5%, e do CDS entre 10%-2,5% e 10%+2,5%, ou seja entre 7.5% e 12.5%. Isto quer dizer que em rigor também existe um empate técnico entre estes três partidos, uma vez que há um conjunto de resultados possíveis, entre 7.5% e 8.5%, que são partilhados por estes três partidos.

Nas sondagens relativas às eleições de 2015 é extraordinária a manipulação feita pela televisão do estado: hoje adiantaram que é possível a PàF ter maioria absoluta. O Expresso e a SIC, por seu lado, têm uma sondagem que dá mais 0,5% ao PS.

Alguém percebe?

Eu percebo. Trabalhei durante 8 anos num departamento de uma empresa que fazia estudos de opinião. Tudo é possível!

Importante é a amostra e a forma de contacto. Será natural que em pleno século XXI o contacto seja o telefone fixo? Quantos jovens ficam de fora? Há em Portugal mais de 10 milhões de telemóveis e as listas telefónicas quase parecem, hoje em dia, um pequeno caderno de apontamentos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Varoufakis told you so" - Entrevista


Yanis Varoufakis lives in understated elegance. His apartment is spacious and pleasing to the eye. Shelves bulge with books on politics and economics, unsurprising for a university professor who was, until July, Greece’s finance minister.Varoufakis is welcoming. He makes us coffee and puts a box of chocolates on the table, next to Joseph Stiglitz’s book on inequality, “The Great Divide.” He’s dressed in a dark red T-shirt and dark trousers, and pads around in his socks. When we arranged this meeting, he told me he didn’t want to talk about Greece’s election because he thought it a sad affair. After Sunday’s vote, though, he’s willing to speak.I ask why he found it so depressing. After all, the voters didn’t punish his former government colleagues in Syriza or Alexis Tsipras, the prime minister. “I don’t want to reduce the significance of Alexis’ triumph,” he says, “but compared to the referendum, we had 1.6 million people who abstained. The party lost 363,000 votes since January. The democratic deficit has grown substantially. Even those who voted for [Tsipras], did so with sorrow and apprehension in their hearts. It was just a very sad election.”“The great winners of this election,” he continues, “besides Alexis, were the Troika [the IMF, European Commission and ECB].”

"J'attends avec une sorte d'impatience de passer dans le non-être." - Freud


Sigmund Freud (6 mai 1856 – 23 septembre 1939), le fondateur de la psychanalyse, connut une fin de vie mouvementée, étant forcé à l’exil suite à l’arrestation provisoire de l’une de ses filles par la Gestapo. C’est dans sa maison à Londres que Freud s’éteignit. Quelques années avant sa mort, sentant sa vie s’affaiblir, le psychanalyste envoie cette lettre à son ami et biographe Zweig, témoignant de sa vieillesse et préparant sa disparition. Un document émouvant !

Bem-vindo Outono!


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"As primárias dos multimilionários" - Serge Halimi



Em 2012, Barack Obama e Willard Mitt Romney gastaram, cada um, cerca de mil milhões de dólares para financiar as suas campanhas presidenciais. O multimilionário nova-iorquino Donald Trump, em vez de pagar a sua quota-parte a um candidato, decidiu entrar ele próprio no jogo: «Eu ganho por ano 400 milhões de dólares, então que diferença é que faz para mim?»… Um outro multimilionário, Ross Perot, prometeu em 1992 «comprar a Casa Branca para a entregar aos americanos que já não a podem pagar». Provavelmente Trump vai, por sua vez, ser derrotado. Mas não sem antes ter esclarecido, à sua maneira, o funcionamento do sistema político norte-americano:«Eu sou um homem de negócios. Quando [candidatos] me telefonam, eu dou. Se preciso de alguma coisa dois ou três anos mais tarde, ligo-lhes e eles estão lá para mim». Hillary Clinton, antiga senadora de Nova Iorque e candidata às primárias democratas, também «lá» foi: «Disse-lhe para ela vir ao meu casamento, e ela veio. Sabe porquê? Entreguei dinheiro à fundação dela». Para conseguir um presidente incorruptível, sugere Trump, escolham-no a ele na lista dos grandes corruptores!


Uma sentença do Supremo Tribunal eliminou em 2010 a maior parte das restrições aos donativos políticos [1]. Desde então, as grandes fortunas exibem sem pudor os seus favores. Para explicar o número sem precedentes de candidatos republicanos à Casa Branca (dezassete), o New York Times revela que quase todos podem contar «com o apoio de um multimilionário, o que significa que a sua campanha já não tem uma relação real com a sua capacidade para angariar fundos dirigindo-se aos eleitores». John Ellis (Jeb) Bush já redefiniu a natureza dos «pequenos donativos». Para a maior parte dos candidatos, é menos de 200 dólares; para ele, menos de 25 mil dólares…


Três multimilionários – Charles e David Koch, Sheldon Adelson – tornaram-se, assim, os padrinhos do Partido Republicano. Os irmãos Koch, que detestam os sindicatos, pretendem gastar 889 milhões de dólares com as eleições do próximo ano, quase tanto como cada um dos dois grandes partidos. O governador do Wisconsin Scott Walker parece ser o favorito dos irmãos, mas três dos concorrentes deste responderam humildemente à convocatória que eles fizeram, na esperança de conseguirem também alguma parte da esmola [2].


Entretanto, o governador Walker está também a tentar agarrar Sheldon Adelson, a oitava fortuna do país e adorador do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu [3]. Mais uma vez, ele não é o único a acarinhar o multimilionário octogenário. Há dois anos, Adelson considerava que os Estados Unidos deviam lançar mísseis nucleares sobre o Irão em vez de negociar com os seus dirigentes. Talvez os dezassete candidatos republicanos tivessem esta apreciação em mente quando debateram entre si a 6 de Agosto último. Em todo o caso, todos eles se opuseram ao acordo recentemente assinado entre Washington e Teerão.


sábado 5 de Setembro de 2015

Notas

[1] Ler Robert W. McChesney e John Nichols, «Estados Unidos: media, poder e dinheiro completam a fusão», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Agosto de 2011.

[2] Marco Rubio, Ted Cruz e Rand Paul, respectivamente senadores da Florida, do Texas e do Kentucky.

[3] Ler «Netanyahou, président de la droite américaine?», La valise diplomatique, 4 de Março de 2015, www.monde-diplomatique.fr.


Original aqui