quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

"Cómo la droga, los atracos y el turismo 'low cost' amenazan Barcelona" - Javier Oms


Un cuarto de siglo después de su apoteosis olímpica, Barcelona se enfrenta a un problema que ni el propio Ayuntamiento niega: la creciente inseguridad en sus calles

Sólo un dato: hasta agosto, los delitos han subido un 19%, mientras que en otras grandes ciudades como Madrid permanecen estables

Livro recomendado - "Holocausto"


"Nous jouons au cinéma"


Alors qu’il est sur le tournage de La Chinoise, Jean-Luc Godard écrit une lettre à ses amis sur le cinéma. L’inoubliable réalisateur de la Nouvelle Vague y dépeint poétiquement le septième art comme un « jeu d’enfants ». Cette lettre a été initialement publiée dans le n°70 de L’Avant-Scène Cinéma, en mai… 1967.

Je joue

Tu joues

Nous jouons

Au cinéma

Tu crois qu’il y a

Une règle du jeu

Parce que tu es un enfant

Qui ne sait pas encore

Que c’est un jeu et qu’il est

Réservé aux grandes personnes

Dont tu fais déjà partie

Parce que tu as oublié

Que c’est un jeu d’enfants

En quoi consiste t-il

Il y a plusieurs définitions

En voilà deux ou trois

Se regarder

Dans le miroir des autres

Oublier et savoir

Vite et lentement

Le monde

Et soi-même

Penser et parler

Drôle de jeu

C’est la vie

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

"Os irmãos escolhem-se" - Sandra Monteiro


A democracia é um espaço ou um projecto? Um espaço no sentido de receptáculo que pode conter tudo e mais alguma coisa, sem definir perímetros do que é ou não aceitável, sem estabelecer hierarquias nem prioridades? Ou é um projecto no sentido de uma construção, de uma aferição permanente, e disputada, do que contribui e do que não contribui para que a acção colectiva esteja ao serviço do bem-estar da maioria? Vivemos há quase 40 anos em regime neoliberal, mas temos tendência a esquecer que o que pensamos, e não apenas as condições em que vivemos, é formatado por esse regime. O neoliberalismo tem a sua própria concepção de democracia; não é a comunista, não é a socialista, e tem-se livrado o mais possível da social-democrata. Apresenta a democracia como um espaço plano, neutro e prazenteiro, onde tudo é flexível e flui, onde não há lugar para organização nem selecção, e onde toda a ocupação dos lugares em que se actua surge espontaneamente, em rede, de forma horizontal, participada.

Nesta perspectiva neoliberal, tudo é livre: o comércio é livre, a finança é livre, o trabalho explorado é livre, o poluidor é livre, a expressão sem limites é livre. Mas não estamos perante aquela liberdade que é geneticamente indissociável da igualdade e que pode vir a construir uma fraternidade a sério. O que ela significa é liberalização do comércio, liberalização da finança, liberalização do trabalho, liberalização da destruição do planeta, liberalização da liberdade de expressão. E o espaço em que tudo tem igual valor, pertinência, legitimidade e direito a ser dito, escrito ou feito é uma democracia capturada pelo projecto que ainda hegemoniza esse espaço. Uma democracia de baixíssima intensidade, pobre e infantilizada, em que se torna irrelevante assumir a responsabilidade pelas escolhas que se faz, porque a montante se desvaloriza o trabalho de memória e de estudo por trás desses escolhas, e a jusante se determina que o presente e o futuro são como são porque sempre foram assim.

Os cidadãos que foram deixados para trás durante estas décadas, que foram também as da neoliberalização da social-democracia e da progressiva irrelevância, desde logo europeia, de muitas forças políticas e sociais à esquerda, têm dificuldade em vislumbrar um futuro melhor. Vítimas da contradição entre o prometido e o oferecido pelos neoliberais, atentos ao rumos autoritários e fascizantes em vários pontos do mundo, e temendo a próxima crise, os cidadãos que foram deixados para trás estão à procura de tradução política para as suas preocupações e sonhos. A mensagem parece simples: querem uma vida melhor, com reivindicações que vão do material ao simbólico, e apontam culpados pelo estado a que chegaram.

A degradação da democracia e as amálgamas e os aproveitamentos já visíveis, não tornam fácil responder bem a todos estes protestos. Mas há respostas. A primeira afirma que não há democracia se as políticas públicas não derem prioridade à justiça social; se não forem reconstruídos Estados sociais robustos, com serviços públicos de qualidade, universais e tendencialmente gratuitos; se não forem impostas limitações sérias à acumulação privada de riqueza, à mercadorização de toda a sociedade e à financeirização da economia; se não se compreender que, sem estas políticas, não só não há justiça social, como também não haverá um planeta em que todos possamos viver.

A segunda resposta, que é indissociável da primeira, é um combate à própria neoliberalização da democracia política, nas suas várias dimensões, a começar pela própria ideia de que ser democrata é aceitar que tudo tem o mesmo valor só porque pode ser dito, e que não há responsabilidades a assumir pelas escolhas do que se diz e faz. Diz-se muitas vezes, recuperando uma formulação de Karl Popper, que as democracias convivem com o «paradoxo da tolerância»: elas estariam sujeitas, no limite, a sofrer as investidas dos intolerantes. Mas será isto um problema? Por que motivo haveria a democracia de ter como objectivo ser de uma tolerância sem limites, e muito menos de apenas introduzir limites quando chega a situações limite? Se a democracia é uma construção, então ela é uma constante (re)definição do que tolera ou não. Não é tanto um «paradoxo» de um espaço, onde tudo «idealmente» seria aceitável, mas uma prática corrente no quotidiano de um projecto que é conflitual, e envolve relações de poder e de forças. Esta prática é, por isso, uma tarefa de todos os cidadãos, e deve apoiar-se na memória histórica e nos especialistas (constitucionalistas e outros) que reflectiram e estatuíram sobre o tema, porque eles acumularam um saber que obedece a regras não arbitrárias, que a todos importa conhecer, e no quadro de mecanismos escrutináveis.

Foi a própria neoliberalização da democracia política que nos fez esquecer que a vida normal em democracia é assim. Aos poucos substituiu o conflito que permite aferir escolhas democráticas por uma «ideologia do consenso», porque se sabe que as verdadeiras decisões são tomadas noutro lugar, onde está o poder. A democracia neoliberalizada oferece-se à maioria dos cidadãos como um espaço, enquanto reserva a sua dimensão de projecto para os centros de poder e de dinheiro. Por vezes até surgem cidadãos com responsabilidades públicas e políticas que corporizam esta concepção de que ser democrata é habitar este espaço neutro, horizontal, contraditório e consensual, tolerante até à exaustão, que se quer mimetizado pelos cidadãos-espaço.

O presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa é um desses casos. A sua mensagem de Ano Novo voltou a ser um exemplo de como é possível dizer tudo e o seu contrário, agradar à esquerda e à direita, dificultando qualquer crítica. Na democracia-espaço, o presidente pode falar de «justiça social, combate à pobreza, correcção das desigualdades» para a seguir chamar a atenção dos que opinam, se manifestam e fazem greve, para o «respeito» devido aos «que podem sofrer as consequências dos vossos meios de luta». No cidadão-espaço cabe tudo, da evocação de um caminho de justiça social até à insidiosa crítica aos que, todavia, sabem que não há caminho de justiça social sem lutas que prejudicam outros. Tendo a democracia regras para manter essas «consequências» em limites socialmente aceites (serviços mínimos, etc.), não se sabe o que quereria o presidente dizer.

E o que dizer das suas declarações sobre o encontro com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro? Salientando o «tom fraternal» do encontro, e chamando-lhe uma «reunião entre irmãos», deu uma caução calorosa e de proximidade a um apoiante da ditadura militar e da tortura, que é racista, homofóbico e misógino, e que representa uma formação de extrema-direita enterrada em casos de corrupção. Tudo se desculpa porque podia estar a pensar na «empatia natural»com o povo brasileiro e porque há relações, desde logo comerciais, a preservar? Na democracia-espaço, sim, vale tudo. Na democracia-projecto é que estas posições se combatem. E os irmãos escolhem-se.

Escolhem-se na política como se escolhem na comunicação. Neste início de ano, uma televisão resolveu convidar Mário Machado, defensor de ideias fascistas, nacionalistas, racistas, xenófobas. Fê-lo em dois canais (TVI e TVI24), juntando ao primeiro programa uma «sondagem de rua» em que perguntava «precisamos de um novo Salazar?». O convidado é um criminoso violento e reincidente, que foi condenado pela participação nos actos que levaram à morte, por ser negro, de Alcindo Monteiro, além de muitas outras condenações por sequestro, roubo, extorsão, ofensas corporais, etc. Mário Machado foi ouvido sem enfrentar qualquer contraditório sobre o seu «auto-branqueamento» e sobre a sua pretensa «reinserção social», que os factos desmentem, após dez anos na prisão. Salazar foi criticado, Machado não. Quem só o conhecer deste dia, com que impressão ficou dele? Os intervenientes defendem-se com a «liberdade de expressão», afirmando a direcção da estação que «o debate entre diferentes correntes de opiniões (…) faz parte de uma sociedade democrática, plural e tolerante». Na democracia-espaço, onde cabe tudo e não se assume responsabilidades pelas escolhas, sim. Na democracia-projecto, estas posições combatem-se. Cada um que escolha os seus irmãos.


Daqui

"Towards right and left 2.0?" - Ernesto Gallo and Giovanni Biava


The ‘Left’ will stand a chance if it relaunches an agenda of social rights and supranationalism. After all, they are the most logical responses to neoliberalism and nationalism.

domingo, 30 de dezembro de 2018

"How and Why Silicon Valley Gets High" - Kara Swisher


Everyone’s hoping a little LSD can lead them to the next billion-dollar idea.

"A trumpalhada" - Miguel Sousa Tavares


Sentado a uma secretária Império cheia de doirados, como ele gosta, com aquele cabelo laranja-ruivo-loiro-branco (segundo a filha, resultado de experiências químicas mal-sucedidas), a longa gravata vermelho-berrante pendente, Donald J. Trump dirige-se a partir da sua urbanização de Mar-A-Lago, na Florida, aos americanos, no dia de Natal: “Este país é uma desgraça (“This country is a disgrace”). Feliz Natal a todos”. Acredito que a frase tenha sido um resumo montado do canal de televisão canadiano em que assisto à mensagem de Natal de Trump (cansada da sua infatigável Guerra com Trump, a CNN, em versão americana, desde o dia 24 de manhã, que só transmite uma interminável saga sobre a história dos cristãos e do Papado). Mas, resumida ou não, é extraordinário que, dia de Natal ou outro, um Presidente, dos Estados Unidos ou de qualquer outro país, se dirija aos seus concidadãos declarando-lhes que o seu país é uma desgraça. Só mesmo o salteador eleitoral que ocupou a Casa Branca há dois anos. Dois anos que pareceram uma eternidade.

E por que razão declarou ele que o país era uma desgraça? Porque o Congresso não lhe deu os 6,5 mil milhões que reclamava para construir o célebre muro na fronteira com o México, o tal muro que ele jurara na campanha eleitoral que ia conseguir que fossem os mexicanos a pagar — como se alguém imaginasse o México a pagar por um muro para defender os americanos dos próprios mexicanos! E porque o Congresso só lhe deu 1,5 mil milhões dos 6,5 que ele queria, Trump preferiu deixar bloquear todo o Orçamento federal, declarando-se “orgulhoso por fechar a administração” — um mecanismo que entra automaticamente em acção em tais casos, uma vez que toda a despesa nova tem de ser acrescentada à dívida federal de triliões e aprovada pelo Congresso. Orgulhoso, logo no dia 23 partiu de férias para a Florida, deixando o caos instalado em Washington e no Governo. Milhões de funcionários públicos, que recebem o salário à semana, passaram o Natal sem o receber e sem saberem quando voltarão a ser pagos, e a bolsa, que já estava sob pressão com a guerra comercial desencadeada por Trump contra a China e com os rumores da guerra surda de Trump com o presidente da Reserva Federal e o secretário do Tesouro, desabou com o shutdown da administração, levando consigo as poupanças e investimentos de milhões de outros americanos e não só. Mas, nessa altura, já Trump gozava as suas férias e de certeza que deveria já ter-se desfeito dos seus investimentos em bolsa.

Entretanto, Washington vivia ainda o choque do anúncio da retirada do que restava do contingente americano na Síria, mais uma decisão abrupta e unilateral de Trump, que levou à demissão do secretário da Defesa, James Mattis, e do enviado especial para a Síria na Casa Branca. O mesmo anúncio relativamente ao Afeganistão fez o senador republicano Lindsay Graham declarar publicamente que Trump preparava o caminho para o ressurgimento em força dos talibãs e deitava por terra o esforço e o sacrifício de milhares de soldados americanos ao longo de anos. Mas foi a demissão de “Mad Dog” Mattis, vista como o abandono de um dos últimos “adultos na sala”, e, sobretudo, a saída da Síria, que exasperaram toda a gente, incluindo republicanos e aliados do próprio Presidente. Porque ninguém encontra uma explicação racional para isso, ainda por cima num momento em que a investigação do procurador especial do FBI, Robert Mueller, cada vez parece mais próxima de chegar a uma conclusão verosímil e fundamentada entre a campanha presidencial de Trump e o Kremlin. Mueller está a um passo de colocar em cima da mesa as cartas que demonstrarão que Trump foi eleito em grande parte graças à colaboração íntima com os serviços secretos russos e, logicamente, e pergunta seguinte será: “em troca de quê”? A Síria poderia ser uma resposta óbvia. Mas será Trump assim tão estúpido? Imaginar-se-ia ele acima de tudo a esse ponto? Poderia um candidato a Presidente depois Presidente caminhar sobre a linha de traição à pátria?

Parece tudo inverosímil. Mas o certo é que, ao contrário da justificação de Trump para a retirada, logo corroborada por Putin, o Daesh só aparentemente foi derrotado na Síria. Não foi aniquilado, nem desapareceu do terreno: perdeu santuários, recuou, mas está lá. E quem o conteve e fez recuar foram os curdos, apoiados, armados e treinados pelos americanos. Foi aos curdos que americanos e europeus ficaram a dever a aparente derrota do Daesh, porém não terminada. Todas as restantes forças no terreno sírio estavam mais interessadas em defender interesses próprios do que em combater o terrorismo islâmico. Assad estava ocupado em chacinar a oposição interna; os iranianos em conquistar zonas de influência próprias; os russos (cujo território nunca foi atacado pelo Daesh) em apoiar Assad e garantir as suas bases na Síria; e os turcos, do sultão Erdogan, em combater os curdos, sabotando na práctica a luta destes contra o Daesh, de forma a garantir que nunca se verificasse uma fusão entre os territórios curdos da Síria e os da Turquia — que, juntamente com os do Iraque, pudesse dar lugar ao sonho longamente alimentado de dar uma pátria à maior nação do mundo sem país: o Curdistão.

Para os soldados americanos na Síria, abandonar o país significa abandonar no terreno à sua sorte e a uma morte certa os combatentes curdos que nos últimos anos foram os seus camaradas de armas e os mais valorosos e leais combatentes contra o inimigo dos americanos e do Ocidente. O que Trump lhes exige é o mais revoltante que pode ser exigido a um soldado e, por isso, no meio da revolta geral entre altas patentes militares, generais veteranos do Iraque e do Afeganistão e mesmo senadores republicanos, Trump não teve alternativa que não a operação de relações públicas de aparecer de surpresa no Boxing Day de visita às tropas no Iraque, acompanhado da sua First Show Lady — a primeira vez que se incomodou em visitar um teatro de operações. Mas mesmo isso revelou-se um desastre porque não resistiu, nas suas breves três horas de visita, a quebrar um tabu sagrado entre os militares que foi falar-lhes de política interna, para defender a retirada da Síria.

Este Presidente americano tem uma estranha tendência para hostilizar os aliados e amigos dos Estados Unidos e cortejar todos os ditadores do mundo, desde o príncipe assassino da Arábia Saudita, passando pelo bandido filipino Duterte e o coreano Jong, até aos menos óbvios mas não menos perigosos: Erdogan na Turquia, Putin na Rússia, Bolsonaro no Brasil, ou os ditadores regionais europeus, no poder ou a caminho dele. Se o homem tem uma política externa, ninguém sabe qual é, além daquilo que ele, o seu genro e meia dúzia de fiéis que lhe restam, absolutamente destituídos de competência ou experiência, possam congeminar. Seja o que isso for, de certeza que não é do interesse dos Estados Unidos ou dos seus aliados. E, juntando as peças todas do puzzle, encaixando agora a última peça — que é a entrega por completo da Síria à Rússia — é difícil não concluir que, premeditadamente ou não, jamais Vladimir Putin poderia ter na Casa Branca um Presidente mais conveniente para os interesses russos do que este. Não é de excluir a mera estupidez e a arrogância na origem do desfecho. Mas estes são os factos.

A maior potência do mundo caiu nas mãos de um adulto infantilizado, tão mais perigoso quanto ignorante, tão mais imprevisível quanto inseguro. Estes dois anos pareceram uma eternidade e o problema é que ainda faltam pelo menos mais dois. Na célebre carta enviada em Setembro a “The New York Times”, por fonte anónima do Governo Trump, os americanos eram convidados a não entrar em pânico porque havia adultos na Casa Branca que chamavam a si a responsabilidade de controlar os acessos de irresponsabilidade do Presidente. O mesmo conta Bob Woodward no seu livro “Fear”. Mas o que todos discutem agora abertamente é se, com tantos demissionários e demitidos, restará lá algum adulto ou se aquilo estará mesmo, sem freio algum, nas mãos de um irresponsável.

Expresso de 29/12/2018

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Os melhores cartoons de 2018 - "Self-Destruction"



Brazil elects the right-wing Bolsonaro.


"The scramble for business in Africa" - David Pilling


Led by China, countries from Turkey to India are looking for opportunities

Lettre de Vita Sackville-West à Virginia Woolf


Vita Sackville-West (9 mars 1892 – 2 juin 1962) et Virginia Woolf (25 janvier 1882 – 28 mars
1941), toutes deux écrivaines, se rencontrèrent en 1923, lors d’un dîner chez un ami commun, Clive Bell. Très vite, leur amitié se transforma en liaison amoureuse. Vita, dont l’époux était un diplomate anglais, était souvent affectée à de longs périples hors des îles britanniques. Ces voyages étaient prétextes à des lettres d’amour magnifiques, viscérales, présentant l’autre comme un essentiel vital, dont celle-ci que Vita écrivit après avoir tout avoué à Virginia concernant sa liaison avec Mary Campbell.


Vendredi matin [11 novembre 1927]

Je suis terriblement malheureuse depuis hier soir. Je me suis aperçue subitement que ma vie entière était un échec, dans la mesure où je me suis révélée incapable de créer une seule relation humaine parfaite — Que puis-je y faire, Virginia ? Montrer plus de résolution, je suppose. De toute façon, je ne créerai plus jamais l’occasion de nouvelles erreurs ! Ma chérie, je te suis reconnaissante ; tu as mille fois raisons de dire ce que tu as dit ; ça m’a donné du ressort ; je me laisse trop facilement aller à la dérive.

Mais écoute-moi bien, il faut que tu saches et que tu croies que tu représentes à mes yeux quelque chose d’absolument vital. Je n’exagère nullement en disant que je ne sais vraiment ce que je deviendrais si tu cessais d’avoir de l’affection pour moi, — si j’en venais à t’irriter, — à t’ennuyer. Tu m’as énormément troublée en me parlant de Clive comme tu l’as fait. À coup sûr, tu ne pouvais songer à rien de sérieux ? Oh non, ce serait par trop impensable. Je ne veux pas me tourmenter pour cela — Il y a tellement d’autres choses qui me tourmentent !

Ma chérie, pardonne-moi mes fautes. En mon for intérieur je les hais, et je sais que tu as raison. Mais ce sont des petits défauts idiots de surface. Mon amour pour toi est absolument vrai, vivant et inaltérable.