segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Qui est mort? - Cabu (Jean Cabut)












Cabu

O "Charlie Hebdo" de 7 de janeiro


Pode ler aqui o número do Charlie Hebdo que saiu no dia 07/01. Nunca mais haverá outro igual, escrito e com os desenhos de Cabu, Tignous, Charb, Wolinski, Honoré, Maris e todos os outros.

Os meus agradecimentos à Fátima Sá.

"Tempo de arriscar" - por Isabel do Carmo


A pedido da Isabel do Carmo*, publico o artigo que saiu no Público de dia 09/01/2015;


A realidade da crise exige novas formas de intervenção. O apelo a um polo à esquerda, vem desde o Manifesto 3D (Dignidade, Democracia e Desenvolvimento). Concretiza-se agora na articulação do movimento Manifesto/partido Livre/cidadãos independentes e concretiza-se na Plataforma de Cidadãos Tempo de Avançar. A capacidade concêntrica da “matriosca” até podia ser uma qualidade, mas é melhor chamar-lhe um puzzle. Articulação de peças desiguais, que mantêm identidade, mas que encaixam sem sectarismo. Isso é novo, traduz uma cultura de tolerância, capacidade de ouvir e de actuar em conjunto, distante da que existia há quarenta anos. Neste período perdemos muitas das conquistas sociais, mas ganhámos como indivíduos, ao nível mental, do conhecimento, de estar com o outro. Isto transcende os círculos restritos de militantes e activistas para atingir os grandes círculos da comunidade, que se organiza em múltiplas associações, onde ninguém pergunta qual o credo ou a ideologia.

Nesta articulação sem perímetro definido, há no entanto linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas – não aceitar mais a austeridade, ou seja a pobreza, como solução para a crise que é afinal do sistema bancário. Defender em concreto o contrato social, os mecanismos reguladores e compensadores das desigualdades – ensino e saúde públicos, segurança social. Meter-se entretanto na gaveta o objectivo da igualdade de oportunidades, na diversidade. Nasce-se desigual. E a muitos isto não dá vergonha e nem sequer um sobressalto.

Dizem os especialistas que, segundo as contas, é impossível para Portugal continuar a pagar a dívida nestes moldes e manter o Estado Social. “Dívida” e “culpa” são a mesma palavra em língua alemã e também o são para os que têm a memória ancestral das dívidas à mercearia, ao padeiro, ao amigo e que são massacrados com o discurso moralista dos “sacrifícios” e do risco de bancarrota. Ora o negócio dos credores é a renda dos juros. Lutarão por ela. Todavia, a realidade não é estática. É necessário contar com o inesperado. É o que acontece com as sondagens do Syriza na Grécia e com o surgimento do Podemos em Espanha. E se a realidade da Europa do Sul, pudesse dar outra escala a este pequeno Portugal?

Olhando de helicóptero, observamos um momento impiedoso de vitória dos defensores da desigualdade, da mercantilização da vida humana, da perda de direitos adquiridos em lutas (onde já vão as oito horas de trabalho, aqui na Europa). E o trabalho foge para onde há escravatura, semi-escravatura ou trabalho não-decente para usar a terminologia da Organização Internacional do Trabalho. Parafraseando Ricardo Salgado (entrevista ao Expresso, 26.03.2011): “o sistema capitalista é amoral, tem de produzir resultados”. O problema não é este ou aquele fulano. De facto, o que está em questão é o sistema. No meio disto tudo a boa coisa foi a aparecimento do Papa Francisco. Para mim, que não sou católica, posso discutir certas zonas do cauteloso discurso papal, mas os católicos têm que engolir a pastilha por inteiro. Eu bem os observo em habilidosas deturpações ou omissões…

Vendo também de helicóptero, percebe-se que a automatização da produção vai produzir exércitos de desempregados. É só uma questão de tempo. Haverá então hordas de pessoas consideradas inúteis pelos donos do mundo. A ministra da Saúde da Lituânia já sugeriu a solução para alguns, uma vez que naquele país não há Serviço Nacional de Saúde: “A eutanásia pode ser uma boa escolha para os pobres, que em razão da sua pobreza não têm acesso ao serviço médico”.

Em Portugal, a população vê passar milhões à sua frente, no aquário, enquanto um quarto dela está em situação de pobreza. O ministro da Solidariedade já lançou uns milhares na miséria, com os cortes e quer estabelecer tectos, porque vê perigos morais (preguiça) em que os subsídios todos juntos de uma família de onze membros, somem 950 Euros! Muito respeitáveis são os membros não-executivos de conselhos de administração que recebem dezenas de milhares de euros por mês para irem lá uma ou duas vezes por ano. Esta é a matriz do pensamento dos que nos governam.

Perante esta situação, o Partido Socialista ou se volta para a esquerda, ou sofrerá o destino dos partidos socialistas da Grécia, da França e da Espanha.

E quanto àqueles que ficam à sua esquerda e com quem é possível e necessário que dance o tango, temos que arriscar. Parece que arriscamos o impossível. Mas a vida não pára. Alguns acusam a nova organização de “querer ir ao pote” ou de pretender uma secretaria de Estado. O pote é fraco para pessoas que têm as suas carreiras de investigação. Ana Drago e outros têm carreira académica e podiam preservar a sua “pureza” com distância. Reduzir o objectivo a uma secretaria de Estado é o mesmo do que deixar a esperança pendurada à porta, como se fosse uma segunda pele. No entanto, pode haver outra razão para que se arrisque vitórias e derrotas, rótulos e classificações. Essa razão é ética: não podemos deixar correr este filme como simples observadores.

*Médica. Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

"Charlie Hebdo" - une histoire et un hommage



A história de Charlie Hebdo.

Un hommage:



Triste journée...

Chers tous,

C’est une journée de stupeur, de colère et d’immense tristesse pour nous tous. Un massacre a été commis en pleinParis et des hommes ont été assassinés parce qu’ils défendaient la liberté d’expression, je devrais dire la liberté tout court. Parmi eux, il y avait Bernard Maris, Bernard dont le sourire et les yeux pétillants illuminaient les petits matins du vendredi de France Inter…

Intellectuel, économiste, écrivain…Bernard Maris était tout à la fois mais bien plus encore.

C’était un savant plein de malice et d’esprit qui se passionnait pour la vie des hommes autant que pour lesstatistiques. C’était un conteur magnifique, un passeur plein d’humour, un iconoclaste qui grâce à son irrévérence savait nous captiver sur les enjeux des cours céréaliers comme sur le Dow Jones. C’était aussi un camarade avec lequel on aimait tellement prendre le café le vendredi matin, après son débat sur France Inter. Il adorait qu’on se moque de lui, qu’on retourne ses positions.

Bernard était un homme libre, comme tous les journalistes et caricaturistes de Charlie Hebdo. C’est cette liberté qu’il nous faut préserver envers et contre tout.

Laurence Bloch

domingo, 4 de janeiro de 2015

Os 50 melhores discos da música brasileira - 12



Escravos do século XXI - Um dossier de Isabelle Hachey - 6



Des chaînes dans la tête

Habi Mint Rabah a été sauvée malgré elle. Quand des militants antiesclavagistes sont venus la cueillir au campement de ses maîtres, en 2007, elle s'est débattue avec l'énergie du désespoir. Elle ne leur avait rien demandé. Elle refusait de bouger.

« J'étais presque bébé quand on m'a remise à cette famille. Mes premiers souvenirs sont avec eux. » Bien sûr, elle n'avait pas eu les mêmes privilèges que les autres enfants. Elle devait plutôt les servir du matin au soir. Mais pour elle, ce n'était pas injuste. Elle croyait simplement que c'était sa place dans le monde.

« L'esclavage, en Mauritanie, n'est pas comme on l'imagine en Occident, avec des victimes enchaînées, battues, forcées à travailler. Ici, les chaînes sont dans la tête », dit Aminetou Mint El Mokhtar, une militante des droits de la personne qui a convaincu Habi Mint Rabah de renoncer à sa vie d'esclave.

Cela n'a pas été simple. Elle a dû procéder à une lente déprogrammation. En Mauritanie, l'esclavage héréditaire fait en sorte que pendant des générations, on a fait accepter aux victimes leur statut de possession. Ils sont totalement dépendants des maîtres qui les habillent et les nourrissent. Sans éducation, ils ne comprennent pas leurs droits.

La situation complique la tâche des antiesclavagistes. Pas facile de libérer des gens qui refusent de l'être, admet le porte-parole de l'Initiative pour une résurgence du mouvement abolitionniste (IRA), Hamady Lehbouss. « Les esclaves sont en état de reconnaissance envers leurs maîtres. Ici, les parents d'une victime qui tente de s'affranchir risquent de témoigner contre elle ! »

C'est le genre d'esclavage dont les sudistes, à l'époque, auraient rêvé dans leurs champs de coton. En Mauritanie, les chaînes invisibles sont ancrées si solidement dans des siècles de soumission que même l'intrépide Django de Tarantino n'aurait pas réussi à les briser.

Isabelle Hachey